_
_
_
_

Reino Unido pede que pacientes com histórico alérgico grave evitem tomar vacina da Pfizer

Dois trabalhadores do setor da saúde tiveram reações depois de receber a injeção. Durante os ensaios clínicos não se observaram esses efeitos

O diretor do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, Simon Stevens, observa um paciente receber a vacina da Pfizer, nesta terça-feira, no Hospital Guy, em Londres.
O diretor do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, Simon Stevens, observa um paciente receber a vacina da Pfizer, nesta terça-feira, no Hospital Guy, em Londres.VICTORIA JONES (AFP)
Rafa de Miguel

Aviso aos leitores: o EL PAÍS mantém abertas as informações essenciais sobre o coronavírus durante a crise. Se você quer apoiar nosso jornalismo, clique aqui para assinar.

A Autoridade Reguladora de Medicamentos Britânica (MHRA, na sigla em inglês) enviou uma nota de advertência aos hospitais que distribuem as vacinas Pfizer e BioNTech nesta quarta-feira para que evitem a imunização de pacientes com histórico relevante de reações alérgicas a outras vacinas, medicamentos ou alimentos. Dois membros de equipes da saúde sofreram reações anafilactoides depois de receberem a injeção na terça-feira, segundo Stephen Powis, diretor nacional médico do Serviço Nacional de Saúde (NHS), embora “estejam se recuperando de forma satisfatória”.

Por histórico relevante o MHRA entende casos graves, como os de pacientes que já sofreram reações anafilactoides ou aqueles que precisam portar um autoinjetor de adrenalina, como era o caso dos dois trabalhadores da saúde afetados. O órgão acrescenta ainda que a vacinação deve ser realizada apenas em instalações onde haja meios de reanimação.

Mais informações
Lyn Wheeler shows her vaccination card after receiving the Pfizer-BioNTech COVID-19 vaccine at Guy's Hospital in London, Tuesday, Dec. 8, 2020. U.K. health authorities rolled out the first doses of a widely tested and independently reviewed COVID-19 vaccine Tuesday, starting a global immunization program that is expected to gain momentum as more serums win approval. (AP Photo/Frank Augstein, Pool)
Novos relatórios reforçam eficácia e segurança das primeiras vacinas contra o coronavírus
Margaret Keenan, 90, is the first patient in Britain to receive the Pfizer/BioNtech COVID-19 vaccine at University Hospital, administered by nurse May Parsons, at the start of the largest ever immunisation programme in the British history, in Coventry, Britain December 8, 2020. Britain is the first country in the world to start vaccinating people with the Pfizer/BioNTech vaccine. Jacob King/Pool via REUTERS
Mulher de 90 anos é a primeira pessoa do Reino Unido a receber vacina contra covid-19 após testes
Eearing a protective face coverings to combat the spread of the coronavirus, Matron May Parsons (R) is assessed by Victoria Parker (C) during training in the Covid-19 Vaccination Clinic at the University Hospital in Coventry, central England on December 4, 2020, prior to the NHS administering jabs to the most vulnerable early next week. - Britain insisted Friday its world-first approval of the Pfizer-BioNTech coronavirus vaccine met all safety standards, striving to tamp down any public unease after US and European officials queried the rapid process. (Photo by Steve Parsons / POOL / AFP)
Desafio britânico para distribuir vacina passa por evitar roubos e manter geladeiras a 70 graus negativos

“Como é comum com novas vacinas, a MHRA recomendou como medida de precaução que os pacientes com histórico relevante de reações alérgicas não recebam a vacina, depois que duas pessoas com esse histórico responderam de modo adverso à aplicação”, explicou Powis. Questionada sobre isso, uma porta-voz da Pfizer citada pela BBC disse que a MHRA emitiu o alerta como medida de precaução enquanto realiza uma investigação sobre cada caso e suas causas.

A porta-voz da empresa farmacêutica afirmou que o medicamento foi “bem tolerado” durante o ensaio clínico em três fases, e que o comitê de monitoramento independente não relatou graves problemas de segurança. Mais de 44.000 pessoas participaram do ensaio até o momento, das quais mais de 42.000 receberam uma segunda dose. A diretora executiva da MHRA, June Raine, explicou que a reação alérgica não foi um efeito colateral observado nos testes.

O Reino Unido iniciou sua campanha de vacinação em massa na terça-feira, após ser o primeiro país europeu a autorizar oficialmente a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Pfizer e BioNTech. Cinquenta hospitais de todo o país distribuem as doses que já chegaram ao território britânico (cerca de 800.000) a pessoas com mais de 80 anos e ao pessoal da saúde na linha de frente do combate à doença. O NHS telefona para os pacientes e os convoca para o dia seguinte. Após a aplicação da primeira dose (o tratamento inclui duas), cada pessoa recebe um cartão-lembrete com a data prevista para a próxima injeção, 21 dias depois.

As autoridades de saúde estabeleceram desde o início que a prioridade seriam os idosos de asilos, as grandes vítimas da trágica primeira onda. Mas esse esforço atrasou por causa da necessidade de manter a vacina a -70°C e das complicações na hora de fracionar em carregamentos menores as 975 doses que cabem em cada geladeira portátil.

Siga a cobertura em tempo real da crise da covid-19 e acompanhe a evolução da pandemia no Brasil. Assine nossa newsletter diária para receber as últimas notícias e análises no e-mail.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_