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Uma São Paulo para todos é possível, basta vontade política!

Participação e controle social devem ser motivados por quem está trabalhando dentro da gestão pública. Quero fazer a população tomar conta da cidade junto com o Legislativo

Inti Queiroz, PSOL
Inti Queiroz, PSOLDivulgação

A cidade de São Paulo que queremos deve ter mais participação da população nas decisões sobre como fazer políticas públicas e como serão destinados os mais de 70 bilhões de reais de nosso orçamento anual. Isso é vital para a democracia real que os enormes desafios do século XXI nos pede. Em tempos tão complexos, precisamos coragem para mudar a forma de fazer política dentro e fora da Câmara Municipal. Essa é a base da minha proposta como candidata a vereadora pelo Psol em 2020. Precisamos considerar que estamos às vésperas de uma cidade em colapso frente às mudanças climáticas e precisamos de ações ousadas, ágeis e eficazes.

O desafio de ocupar um cargo na casa do povo da maior metrópole da América Latina, e uma das maiores do mundo, chegou pra mim além da minha visão individual. Veio do trabalho e da vontade coletiva construídos em conjunto com muitas pessoas de coletivos e movimentos sociais da cidade. Comecei a frequentar a Câmara Municipal semanalmente em 2016. Já frequentava o legislativo esporadicamente há muitos anos participando de audiências públicas como ativista da cultura e da educação. Mas foi por conta da construção do projeto de lei 376/2016, SP Cidade da Música, que criei junto a alguns amigos do setor cultural, que pude mergulhar no universo legislativo de vez. Foram dezenas de audiências, plenárias, visitas a vereadores e reuniões com o executivo. Nesse meio tempo, me envolvi ainda mais com outros movimentos sociais da cidade, não apenas da cultura e da educação, que são minhas áreas de trabalho. Com o tempo, entrei em outras lutas importantes da cidade: urbanismo, moradia, gestão ambiental, assistência social, saúde pública etc. Nessa mesma época estava escrevendo meu doutorado na USP sobre legislação de políticas públicas de cultura. Isso foi essencial para compreender melhor a gestão pública e esse universo tão complexo que é o trabalho no legislativo de uma cidade gigante como a nossa.

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Participação e controle social não são ensinados na escola. Devem ser motivados por quem está trabalhando dentro da gestão pública. Se de fato os parlamentares representam o povo, devem botar o povo pra dentro do Parlamento! Na São Paulo que buscamos, vamos exercer um mandato parlamentar ativista e que tira a máquina pública de sua zona de conforto, de uma forma que enxergue as reais demandas, a diversidade e a necessidade de transparência e descentralização da cidade. Já faço isso como sociedade civil há muitos anos e é a partir desse olhar que podemos começar a falar sobre a cidade que queremos. As decisões devem ser coletivas! Estamos cansados de falsas promessas eleitorais. Justamente porque o esquema parece ser sempre o mesmo. Mas a partir do momento que começamos a pensar o método de maneira diferente, de forma mais coletiva, é possível acreditar que poderemos ter resultados realmente positivos e diferentes.

Contudo, como a população poderá decidir junto se ela mal sabe como funciona a gestão pública?!. Como fazer chegar a informação para todos? Pedagogia e diálogo. Venho fazendo isso nesses últimos anos viajando pelo Brasil, ministrando workshops e palestras sobre gestão pública. Sempre com uma linguagem simples. Acessível e lúdica. A articulação com os movimentos sociais ajuda na mobilização e no diálogo com as pessoas da cidade que mais precisam. Atualmente temos mais de 2,5 milhões de desempregados em São Paulo. E esse ano foi aprovada a lei da Política de Incentivo ao Cooperativismo. Por que não estamos falando disso? Por que não gera notícia? Se eleita quero desenvolver ações e programas a partir dessa nova lei do cooperativismo, atendendo demandas específicas de cada setorial dos trabalhadores. Esse é um importante caminho para reconstruirmos um país em crise e com tanto desemprego. Colaboração e construção coletiva comunitária. Para meu mandato, aplicaremos um modelo de gestão participativa que impulsionará a criação de novas alternativas de trabalho e renda, que valorizem iniciativas locais e respeitem a diversidade.

Precisamos criar espaços pedagógicos. Meu projeto de Plenárias Redes e Ruas (virtuais e presenciais) vem de um modelo que já existe nas lutas dos movimentos sociais. É possível fazer isso como método dentro e fora da Câmara, e assim trazer mais pessoas para pensar a gestão pública auxiliando a execução de projetos como o Plano Diretor Estratégico, que será revisado a partir do ano que vem, e os demais planos da cidade. Os Planos Municipais de Cultura, de Educação, de Gestão de Resíduos, de Habitação, etc., têm metas e ações previstas que precisam ser desenvolvidas e aplicadas em novos programas para se tornarem realidade. Esses planos ficaram parados nesses últimos anos da gestão tucana, mas preveem possibilidades de futuro para políticas de Estado que poderão melhorar nossa cidade de maneira descentralizada e democrática, garantindo melhorias consistentes com projeção no longo prazo. Isso é o direito à cidade!

Em meu doutorado, desenvolvi dois capítulos específicos sobre os planos municipais. Mergulhei na construção desses planos e entendi a importância da projeção de políticas estruturantes que pensam a cidade com visão de futuro. Trabalhar para além das urgências e imediatismos! Quero fazer a população tomar conta da cidade junto com o Legislativo. As plenárias Redes e Ruas vão ao encontro da população presencialmente e virtualmente e poderão grupos de trabalho e estudos de temas específicos. Um canal direto com a população. Estamos no século XXI e temos tecnologia e capacidade para isso. Basta vontade política. Esse exercício de cidadania trará mais interesse geral em cuidar de cada território e pode mudar a cultura de como utilizamos a estrutura da cidade no dia a dia, seja no transporte público, limpeza urbana, na segurança alimentar, na relação com a vizinhança ou mesmo na comunidade escolar. Ética e responsabilidades compartilhadas trazem consciência social, cidadania e fiscalização coletiva do poder público. E ajuda a pensar coletivamente novos projetos de planejamento urbano, pensados dialogicamente, linkando cultura, educação, proteção ambiental, urbanismo, moradia, mobilidade etc.

Eu e a Coletiva de mulheres as Mina na Frente, que me acompanha há um tempo, estamos estudando profundamente cada canto da cidade e a relação entre os setoriais públicos. Somos ativistas, especialistas e profissionais de referência na gestão pública de vários setores. Contudo, as vozes que realmente importam aqui são as da população, as demandas do dia a dia, a falta de moradia e estruturas básicas, a água que não chega na quebrada, a falta de leito nos hospitais, o busão lotado, a falta de vagas nas escolas e tantos outros problemas que conhecemos muito bem e que queremos ajudar a mudar. Esse é um plano audacioso e sabemos que precisaremos dos movimentos sociais nessa luta, ocupando esses espaços junto com a gente. E eles estarão lá com a gente, pois já estão!

Inti Queiroz é professora universitária, pesquisadora, produtora cultural e mãe. Há mais de 20 anos milita em movimentos sociais da cultura, educação e direitos humanos e ambientais. Doutora pela USP com pesquisa sobre gestão e financiamento público de cultura. Integrante da Coletiva As Mina na Frente que luta por políticas públicas e direitos pelo olhar das mulheres. Integra a Subcomissão do Plano Municipal de Cultura da Comissão de Finanças da Câmara Municipal desde 2017. É candidata a vereadora pelo PSOL em São Paulo.

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