As vantagens de Ewan McGregor ao completar 50 anos

Ator sente que a maturidade o aproxima mais a um dos papéis que o consagraram em sua carreira, o de Obi-Wan Kenobi, enquanto tenta recompor sua vida pessoal

El actor Ewan McGregor.
El actor Ewan McGregor.Andrew H. Walker/Shutterstock

Os 50 caíram do céu para Ewan McGregor. Não é que o ator escocês (Perth, 1971) queira escapar do meio século que carrega. É que seu público, a indústria e ele próprio parecem não se dar conta de sua idade. “Em Hollywood sempre pareci muito jovem para interpretar o pai”, brincou tempos atrás durante uma entrevista por seu trabalho com J.A. Bayona em O Impossível. Mas os 50 chegaram (na quarta-feira, 31 de março) e McGregor os recebeu com gosto, entrando em forma para começar neste mês a filmagem de um dos papéis mais contraditórios e famosos de sua carreira, o de Obi-Wan Kenobi que dá título à série que os estúdios Lucas estão produzindo para a Disney+. “É um presentão. Algo que eu não teria sequer imaginado e ainda menos a esperança de que iria fazê-lo. Digo de verdade. Talvez porque agora me aproxime mais da idade que tinha Alec Guinness quando deu vida a este papel”, comentou recentemente em um certo exagero ao falar sobre a idade, já que bem mais de uma década o separa da idade que tinha o ator britânico quando interpretou o papel do último Jedi no começo da saga galáctica.

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Está claro que a idade não o preocupa e as mudanças, ainda menos. Porque em seu começo o escocês mais famoso após Sean Connery que encontrou fama e trabalho recém-saído da escola londrina Guildhall —em que foi colega de estudos de outro Bond, Daniel Craig— era o menos indicado a uma franquia como Star Wars. Seu acentuado sotaque escocês e a rebeldia de suas declarações, especialmente contra as grandes produções de Hollywood, o aproximavam muito mais do viciado de Mark Renton que deu vida em Trainspotting, filme que o colocou no mapa, do que à figura de Obi-Wan Kenobi que o transformou em um dos atores de maior bilheteria da história. Uma dicotomia que continua em seu coração porque se perguntam a ele sobre seus filmes preferidos, nenhum pertence ao universo de Star Wars. O Livro de Cabeceira, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas e, evidentemente, Trainspotting, são sua seleção principalmente por ter gostado muito de trabalhar com seus respectivos diretores, ainda que o público o conheça mais por seu manejo do sabre de luz.

Os anos também o ajudaram a entender que seu trabalho como Obi-Wan Kenobi é muito mais amado do que pensou quando a crítica —e ele próprio— criticou os episódios I, II e III da saga criada por George Lucas sentindo falta dos primeiros filmes que estrearam nos anos setenta. “Agora conheço a geração para a qual fizemos esses filmes, que não era a minha. Os jovens da época que realmente gostam de meu trabalho e que agora verão a série”, admitiu animado com esta nova vida para seu personagem. O segredo que envolve a produção não permitiu que ele comentasse mais sobre uma trama com a qual está muito mais envolvido. A filmagem será semelhante à de The Mandalorian, nesse espaço chamado The Volume em que as localizações são ampliadas digitalmente. E, a julgar pela encarregada da série, Deborah Chow, especialista em filmagens de ação, é lógico que McGregor está entrando em forma. Por isso suas fotos no Instagram com seu treinador pessoal, Tony Horton, mostrando os músculos. Um corpo diferente ao que durante anos não teve problemas em mostrar em nus frontais em filmes como Velvet Goldmine, mas onde os 50 não pesam.

A vida do protagonista de Moulin Rouge - Amor em vermelho também deu voltas no pessoal. A sua foi durante anos uma trupe: para onde ele ia, todos iam, sua esposa à época, Eve Mavrakis, e suas quatro filhas, Clara, Jamyan, Anouk e Esther. “Sei muito sobre ser pai, tenho uma relação única com minhas filhas”, costumava dizer. Agora não quer falar sobre o assunto. Após 22 anos de casamento, McGregor se separou de Mavrakis em 2017. A notícia coincidiu com a publicação de fotografias nas quais se via o ator beijando sua colega de filmagens na série Fargo, Mary Elizabeth Winstead. O ator aproveitou sua vitória no Globo de Ouro para dedicar a estatueta à sua esposa e sua família —“que sempre estiveram ao meu lado nestes 22 anos”, disse —e também à sua nova companheira. “Nunca me senti tão bem”, afirmou meses depois abandonando toda a presença nas redes pelos ataques recebidos após sua separação tanto de desconhecidos como de suas próprias filhas. O divórcio custou caro a ele também economicamente, com uma pensão mensal à sua filha mais nova de mais de 12.000 euros (80.000 reais) e de 30.000 euros (201.000 reais) por mês à sua esposa.

Mas dinheiro não lhe falta, talvez tempo entre tantas filmagens, mas logo antes da pandemia McGregor teve novamente a oportunidade de fazer uma das coisas das que mais gosta: estar montado no banco de sua moto. Dessa vez foi para a série documental Long Way Up pela qual cruzou 13 países, de Ushuaia a Los Angeles, passando pela terra de seus ancestrais, o Chile. “Temos esse ramo chileno em minha família. Acho que foi meu tataravô, escocês, que foi para o Chile no final do século XIX para ajudar na construção da ferrovia. Lá se casou, teve um filho e quando morreu o filho voltou a Glasgow. Mas quando quis trazer sua mãe, acho que ela morreu na travessia. Triste”, comentou após essa viagem pessoal com a que se preparou para os próximos 50.

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