Brasil perde para os Estados Unidos e fica com a prata no vôlei feminino

A seleção brasileira não teve chances em sua terceira final olímpica contra o time norte-americano, que ganhou de 3 sets a 0

Equipe brasileira posa com a medalha de prata em Tóquio.
Equipe brasileira posa com a medalha de prata em Tóquio.YURI CORTEZ (AFP)
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Depois de duas medalhas de ouro, a terceira final olímpica da seleção brasileira no vôlei feminino termina com uma medalha de prata. Ao contrário do que aconteceu em Pequim 2008 e Londres 2012, o Brasil perdeu para os Estados Unidos na decisão e ficou com o vice nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Apesar de não ser considerado favorito à vitória, o time treinado por José Roberto Guimarães não teve chances contra as norte-americanas. A contundente derrota foi por 3 sets a 0, com parciais de 25-21, 25-20 e 25-14. Esta medalha de prata faz o Brasil encerrar a Olimpíada com 7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes, além da 12ª posição na classificação geral —a melhor da história, que vem acompanhada do recorde de medalhas conquistadas numa edição, com 21.

A seleção de Guimarães não chegou a Tóquio sequer bem cotada para chegar na final, mas se deu bem numa competição marcada por surpresas. A maior delas foi a eliminação da China, maior candidata ao ouro, já na fase de grupos. A Coreia do Sul também chegou inesperadamente entre as quatro melhores. De qualquer forma, o Brasil cumpriu seu papel com uma campanha perfeita até a decisão. Na primeira fase, venceu Coreia (3 a 0), República Dominicana (3 a 2), Japão (3 a 0), Sérvia (3 a 1) e Quênia (3 a 0). Num jogaço contra as russas, fez 3 a 1 de virada e passou para as semifinais, onde voltou a enfrentar as sul-coreanas e fez outro 3 a 0. A seleção chegou à decisão com sete vitórias em sete jogos e apenas quatro sets perdidos.

Mas os Estados Unidos seriam o adversário mais difícil do Brasil. E, num jogo onde a seleção precisaria ser perfeita para ter alguma chance, o que se viu foi um time com desempenho abaixo do já visto nesta edição dos Jogos. A má apresentação somada a um jogo excelente das rivais resultaram na vitória norte-americana em 1h20, um tempo considerado rápido para uma partida de vôlei. As brasileiras tentaram resistir nos dois primeiros sets, quando perderam por 25 a 21 e 25 a 20, mas se entregaram assim que os EUA voltaram a abrir uma vantagem considerável no terceiro, que terminou em 25 a 14. Foi o primeiro ouro da história do vôlei feminino dos Estados Unidos. Completando o pódio, o Comitê Olímpico Russo ficou com o bronze.

Apesar da frustração na final, a campanha de prata do Brasil colocou em destaque várias jogadoras. A começar pela líbero Camila Brait, responsável pelas melhores defesas e recepções da equipe. A levantadora Macris se machucou na primeira fase, viu Roberta assumir o papel e corresponder, mas voltou a tempo de brilhar nas quartas e semifinal. Foram as duas que ergueram bolas para cortes de Fernanda Garay, Carol Gattaz, Gabi e Rosamaria durante os jogos que valeram vaga na final. As duas primeiras foram as maiores referências em quadra: Garay, aos 35 anos, e Gattaz, aos 40 anos —que se torna a atleta brasileira mais velha a ganhar uma medalha olímpica. Brait, Garay e Gattaz já confirmaram que não voltarão a defender a seleção brasileira de vôlei após esta prata. “Encerro essa jornada com a seleção muito orgulhosa do que a gente fez”, resumiu Fernanda Garay.

Carolana, Bia, Natália e Ana Cristina completam o elenco vice-campeão olímpico. Quem não vai receber a medalha, apesar de ter jogado, é a oposta Tandara. Horas antes da semifinal, ela recebeu uma suspensão provisória por um exame que viola as regras de antidopagem no esporte. O resultado veio de um teste feito no início de julho, quando a seleção ainda se preparava no Rio de Janeiro. Tandara deixou a Vila Olímpica imediatamente e disse que não se pronunciaria até a conclusão do caso.

A medalha de prata não deixa de premiar novamente o trabalho do treinador José Roberto Guimarães. Aos 67 anos, ele conquista sua quarta medalha. Já tinha um ouro com a seleção masculina (1992) e dois ouros com a feminina (2008 e 2012). Voltando ao pódio, ele supera o trauma de cinco anos atrás, quando o Brasil foi eliminado nas quartas do vôlei feminino jogando em casa. “Acho que a medalha de prata, para mim, vem coroar um esforço e uma superação muito grande de um ciclo que foi muito difícil. O mais difícil que eu tive”, disse ele. Neste ciclo, ele se destacou principalmente por saber a hora de apostar em renovações, como Gabi e Rosamaria, e de insistir em nomes experientes, como Garay e Gattaz. Foi posto a prova em Tóquio e deu certo, o que indica os caminhos para melhorar até 2024.

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