Isaquias Queiroz é medalha de ouro na canoagem de velocidade C1 1.000m da Olimpíada de Tóquio

Canoísta chega em primeiro lugar com um tempo de 4m04s408 e conquista o quinto ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos e a quarta medalha olímpica de sua vida. A prata ficou com o chinês Lio Hao, enquanto que o bronze ficou com Serghei Tarnovschi, da Moldávia

Isaquias Queiroz celebra a medalha de ouro conquistada na final da canoagem de velocidade C1 1.000 metros, na madrugada deste sábado em Tóquio.
Isaquias Queiroz celebra a medalha de ouro conquistada na final da canoagem de velocidade C1 1.000 metros, na madrugada deste sábado em Tóquio.ALKIS KONSTANTINIDIS (Reuters)
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Cinco anos depois de brilhar no Rio de Janeiro, Isaquias Queiroz voltou a subir no pódio de uma Olimpíada. Ele conquistou a medalha de ouro ao terminar em primeiro lugar na final da prova C1 1.000 metros da canoagem de velocidade nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, na noite desta sexta-feira. O brasileiro completou a modalidade com o tempo de 4m04s408. A medalha de prata ficou com o chinês Lio Hao, que fez o tempo de 4m05s724, enquanto a medalha de bronze ficou com Serghei Tarnovschi, da Moldávia, que terminou no tempo de 4m06s069. Foi a 17ª medalha do Brasil em Tóquio, a quinta de ouro do país. “É diferente ganhar medalha de ouro. Estou feliz, e estou mais feliz ainda por estar deixando vocês do Brasil felizes com essa medalha. Eu prometi pra vocês, e fui atrás”, afirmou depois da prova final.

Isaquias, por si só, é uma potência olímpica. Foi a quarta medalha de sua carreira em cinco provas disputadas, aos 27 anos. No Rio de Janeiro, em 2016, ele se tornou o primeiro brasileiro a conquistar três medalhas em uma edição olímpica: prata no C1 1.000 metros, prata no C2 1.000 metros e bronze no C1 200 metros. O feito só não era possível de ser repetido em Tóquio porque a última prova foi retirada do cronograma olímpico. Mas, no fim, Isaquias também não repetiu o desempenho a C2 1.000 metros, na qual remou ao lado de Jacky Godmann e terminou em quarto lugar. Sobrou a modalidade individual para o baiano entrar na história. “Não quero sair daqui sem um ouro. O sonho não acabou”, declarou depois do primeiro resultado.

Nascido em Ubaitaba, cidade baiana localizada 370 quilômetros ao sul de Salvador, Isaquias teve uma infância difícil. Perdeu seu pai aos dois anos de idade e viu sua mãe, dona Dilma, criar sozinha sete irmãos de sangue e quatro adotados. A mãe, que trabalhava na rodoviária da cidade para sustentar os filhos, por muitas vezes deixava-o trancado em casa para evitar que o filho saísse sem vigia. A preocupação era justificada pelas aventuras do jovem Isaquias, que renderam a ele duas experiências de quase morte. Quando tinha três anos, uma jovem cuidadora virou uma panela de água fervente em cima dele, sem querer, e o obrigou a passar um mês internado com graves queimaduras. Já aos 10, ele estava sozinho quando resolveu subir em uma mangueira para ver uma cobra morta. Acabou caindo em cima de uma pedra e tendo uma hemorragia interna. Precisou ser operado na UTI para retirar um dos rins. Desde então, virou o “Sem Rim” na sua cidade natal.

Isaquias conheceu a canoagem um ano após o acidente, em um projeto social do Ministério do Esporte. Um destino natural para uma cidade cujo nome, no dialeto tupiniquim, é a união das palavras “canoa pequena” (ubá), “rio” (y) e “aldeia” (taba). Ubaitaba é cortada pelo Rio das Contas, que deságua na turística Itacaré e foi o local das primeiras remadas dos atleta. Ele foi campeão mundial júnior em 2011, adulto em 2013 e pan-americano em 2015. Em 2016, a fama veio com as inéditas três medalhas no Rio.

Desde então, sua vida mudou. Isaquias casou e teve um filho, Sebastian, que tem hoje quatro anos. Seu nome é em homenagem a Sebastian Brendel, atleta alemão que o derrotou na final olímpica de 2016. Por outro lado, o brasileiro perdeu seu segundo pai em novembro de 2018. O treinador espanhol Jesús Morlán morreu aos 52 anos após dois anos lutando contra um tumor no cérebro. Ele foi conhecido por revolucionar a canoagem brasileira e trabalhava com Isaquias desde 2013. “Não foi um técnico, foi um pai. Vai ficar para sempre na minha memória”, escreveu na época. Certamente estava na memória do atleta ao cruzar a linha de chegada nesta sexta-feira.

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