JOGOS OLÍMPICOS

Fernando Scheffer, a medalha de bronze nos 200m livre da natação que superou o fechamento do clube e o treino em açude na pandemia

Com o resultado, Scheffer conseguiu em sua primeira participação em Jogos Olímpicos se aproximar de Gustavo Borges, medalha de prata em 1996. Ele ficou atrás dos britânicos Duncan Scott e Tom Dean

O nadador brasileiro Fernando Scheffer compete nesta segunda-feira, 26 julho, nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
O nadador brasileiro Fernando Scheffer compete nesta segunda-feira, 26 julho, nos Jogos Olímpicos de Tóquio.OLI SCARFF / AFP

O Brasil ganhou uma nova referência na natação nestes Jogos Olímpicos de Tóquio. Seu nome é Fernando Scheffer, de 23 anos. Ele ficou em terceiro lugar nos 200 metros livres nesta segunda-feira, 26 de julho, conquistando a medalha de bronze nas Olimpíadas. Com o resultado, Scheffer conseguiu em sua primeira participação nos Jogos Olímpicos se aproximar do nadador Gustavo Borges, que conquistou a medalha de prata nos 200 metros livre em Atlanta 1996 —o veterano também foi prata nos Jogos de Barcelona, quatro anos antes, mas no 100 metros livres. Com o resultado, o Brasil conquista a sua quarta medalha em Tóquio e ocupa a 27ª posição na classificação geral.

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Na disputa, Scheffer fez o tempo 1m44s66, ficando atrás dos britânicos Duncan Scott (1m44s26) e Tom Dean (1m44s22). O brasileiro largou bem e cruzou a marca dos 50 metros entre os quatro primeiros. Depois, bateu os 100 metros em terceiro lugar, avançando a uma velocidade de 1 metro e 72 centímetros por segundo. E acelerou. Nos últimos 50 metros estava em segundo lugar a uma velocidade de 1 metro e 80 centímetros por segundo. Acabou ultrapassado por Scott nos últimos metros da piscina, ficando com a medalha de bronze.

O caminho de Scheffer até a conquista não foi fácil durante o último de pandemia. Seu clube, o Minas Tênis Clube, fechou as portas no ano passado e ele teve de ficar três meses fora das piscinas —tendo que recorrer a uma bicicleta ergométrica alugada e a halteres para não deixar o corpo parado. A flexibilização das medidas aconteceu ainda em 2020, mas o clube se manteve parcialmente fechado. Os atletas da natação precisaram então ir para uma academia com uma piscina de 25 metros —e não o padrão olímpico de 50 metros— para retomar a rotina de treinamentos. Uma vez lá, precisavam alternar horários. “Só podíamos treinar uma hora por dia, mais ou menos, e quem é do meio sabe que isso é pouco para o alto rendimento”, contou à TV Globo.

No ano seguinte, com o recrudescimento da pandemia, ele e cinco colegas de equipe partiram para um sítio em Minas Gerais de outro nadador. Precisaram treinar num açude. “Foi um período bem complicado, onde a gente aprendeu muito”, relatou na mesma entrevista. As provas classificatórias para as Olimpíadas ocorreram em abril deste ano. Mesmo com um rendimento aquém do esperado, garantiu sua vaga nos Jogos de Tóquio.

Scheffer não era tido como favorito para conquistar a medalha nesta segunda-feira. Mas o quadro mudou neste domingo durante a semifinal, quando, na primeira prova, ele arrancou na frente nos cem primeiros metros. No final acabou sendo ultrapassado e terminou essa primeira etapa em 1m45s71, o terceiro melhor tempo. Na segunda etapa, ficou com o oitavo tempo, o suficiente para se classificar para a final.

O último nadador brasileiro a ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos havia sido César Cielo, ouro em Pequim 2008 nos 50 metros livre e bronze nos 100 metros livre, além de bronze nos 50 metros livre em Londres 2012. Nos 200 metros livre, modalidade disputada nesta segunda-feira por Scheffer, o último nadador a conquistar ao menos uma medalha havia sido Gustavo Borges, em Atlanta 1996.

Nascido em 1998 no município de Canoas, no Rio Grande do Sul, Scheffer foi convocado pela primeira vez para seleção brasileira em 2016. Começou a se destacar dois anos depois, quando ganhou três medalhas nos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba (Bolívia): prata no revezamento 4 x 100 metros livres, ouro no revezamento 4 x 200 metros livres e mais um ouro nos 200 metros livres. Em abril daquele ano, o gaúcho também quebrou o recorde dos 200 metros livres no Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Em agosto, quebrou outro recorde sul-americano, dessa vez nos 400 metros livres, durante o Troféu José Finkel, em São Paulo.

No ano seguinte, em 2019, teve uma participação de destaque nos Jogos Pan-Americanos de Lima e acumulou mais três conquistas, ao levar a medalha de prata nos 400 metros livre e dois ouros no revezamento 4 x 200 metros livres (quebrando o recorde do torneio) e também nos 200 metros livres.

Ao passar para a final do 200 metros livres, sua prova favorita, Scheffer disse que esperava “seguir a tradição do Gustavo Borges” e garantir seu lugar no pódio. Garantiu. Realizou o sonho que alimentava desde quando dava seus primeiros mergulhos. “Meu sonho de criança era entrar para um time olímpico”, contou à TV Globo. Para ele, os Jogos de Tóquio se caracterizam pela “incerteza”, por não se saber “o dia de amanhã” depois de todas as dificuldades da pandemia. “Mas o brasileiro é um povo bom de passar por perrengues. Um povo que passa por tantos que quando chega a hora de cair na água parece fichinha. Vamos olhar para os gringos e falar: ‘esse cara não passou pelo que eu passei’”.

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