Carl Nassib se torna o primeiro jogador em atividade do futebol americano a declarar sua homossexualidade

Defensor do Raiders anuncia nas redes sociais que é gay. A NFL e o seu time oferecem mensagens de apoio e solidariedade

Carl Nassib, jogador de defesa do Raiders, em um jogo contra o Atlanta em novembro de 2019. Em vídeo, sua publicação no Instagram. JOHN BAZEMORE / AP / VÍDEO: INSTAGRAM
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“Quero pegar um momento para dizer que sou gay.” Com essas palavras, Carl Nassib fez história na NFL, a liga de futebol americano dos EUA. O jogador de defesa do Raiders, de Las Vegas, causou alvoroço no seu país nesta segunda-feira com um vídeo em que revelava a notícia. “Vinha há muito tempo querendo dizer isto, mas não tinha encontrado o momento adequado para tirar isso do peito”, afirmou o atleta em sua casa, na localidade de West Chester, Pensilvânia. “A representação e a visibilidade são muito importantes. Espero que um dia vídeos como este para anunciar a saída do armário não sejam necessários”, acrescentou Nassib, de 28 anos.

O anúncio dele ocorre em pleno junho, o mês do orgulho para a comunidade LGBTI. “Tristemente, senti agonia por este momento nos últimos 15 anos”, admite Nassib, que se diz acolhido tanto na sua vida profissional como pessoal ao dar este passo adiante e sair do armário. “Só recentemente, e graças à minha família e aos meus amigos, me foi possível dizer publicamente e com orgulho que sou gay. Agradeço à NFL, aos meus treinadores e aos meus colegas por seu apoio”, escreveu o jogador em uma publicação do Instagram. Nassib chegou à divisão profissional em 2016 jogando pelo Browns, de Cleveland. Depois foi transferido para o Bucaneros de Tampa Bay. Seu contrato com o Raiders vale até março do ano que vem. Antes de ser profissional, ele havia jogado na liga estudantil, pela equipe da Universidade Estadual da Pensilvânia, seu Estado natal, onde ganhou em 2015 o reputado troféu Lombardi por seu trabalho defensivo.

Nassib ergue a voz numa liga onde o ativismo nem sempre é bem visto. Com seu anúncio, o atleta também revelou a doação de 100.000 dólares ao The Trevor Project, uma organização que há 23 anos trabalha para evitar o suicídio entre jovens menores de 25 anos que são lésbicas, gays, bissexuais, transgênero ou queer. “Fazem coisas realmente incríveis”, disse o esportista sobre a organização, que ganhou um Oscar em 1994 com um curta-metragem de ficção sobre um jovem gay de 13 anos.

“Estamos orgulhosos de você, Carl”, foi a resposta do Raiders no Twitter, minutos depois do anúncio do jogador. A isso se seguiu uma chuva de mensagens de solidariedade de atletas e times da liga, cujos jogos serão retomados em 9 de setembro. “Compartilhamos sua esperança de que algum dia, em breve, declarações como a sua já não sejam de interesse jornalístico, ao partirmos para a igualdade total para a comunidade LGBTQ”, escreveu Roger Goodell, dirigente da NFL, em nota. “A família da NFL está orgulhosa de você”, acrescentou a Liga em uma mensagem nas redes sociais.

As mensagens de apoio tornam ainda mais surpreendente o fato de Nassib ser apenas o primeiro atleta a sair do armário em uma das ligas esportivas mais populares dos EUA, que completou um século no ano passado. A MLS, de futebol, e a NBA, de basquete, já tiveram esportistas que se declararam gays. No futebol americano, o antecedente mais próximo havia sido o de Michael Sam, um jogador do Missouri, que saiu do armário pouco antes de ser escolhido no draft de 2014 pelo Rams, equipe que na época estava em Saint Louis e em 2016 voltou à Costa Oeste, em Los Angeles. O time acabou dispensando Sam depois dos treinos da pré-temporada. O jogador passou depois para o Dallas Cowboys, mas nunca entrou em campo numa partida da temporada regular. A acolhida dada em setembro a Nassib, que já jogou cinco temporadas, mostrará se os tempos mudaram na NFL.

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