Estados Unidos proibirão download dos aplicativos chineses TikTok e WeChat

A medida entra em vigor neste domingo se a ByteDance não chegar a acordo para vender o TikTok para uma empresa americana

Mark Schiefelbein (AP)
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O Governo de Donald Trump anunciou nesta sexta-feira que proibirá o download dos aplicativos chineses WeChat, de mensagens, e TikTok, de compartilhamento e vídeos, nos Estados Unidos a partir de domingo. O Departamento de Comércio assinalou em um comunicado que só revogará a ordem se a ByteDance, empresa proprietária do TikTok, fechar um acordo para a venda do aplicativo. Em uma escalada da tensão com Pequim, Trump assinou no início de agosto uma ordem executiva dando 90 dias de prazo à empresa asiática para encerrar suas operações nos EUA, alegando supostos riscos à segurança nacional representados pelo aplicativo, utilizado por cerca de 100 milhões de americanos, principalmente adolescentes.

O anúncio não significa que o TikTok vai parar de funcionar a partir deste domingo, nem que os usuários tenham que desinstalá-lo de seus celulares. O que a medida faz é proibir as operações de distribuição, manutenção e atualização desse aplicativo e do WeChat em qualquer plataforma de download, como as lojas digitais da Google (Play Store) e Apple (App Store) —uma medida que vale apenas para os Estados Unidos. No caso do WeChat, as ações são mais agressivas no curto prazo. O Departamento de Comércio também proibirá, a partir da data anunciada, a transferência de dinheiro ou a realização de pagamentos dentro do país através desse aplicativo.

O Governo americano busca “proteger a segurança nacional”, segundo o comunicado do Departamento de Comércio. “O Partido Comunista Chinês demonstrou os meios e motivos para utilizar esses aplicativos para ameaçar a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos. As proibições anunciadas hoje [...] eliminam o acesso a esses aplicativos e reduzem significativamente sua funcionalidade”, diz o comunicado, divulgado no início da manhã.

“O TikTok permanecerá intacto até 12 de novembro”, disse o secretário de Comércio, Wilbur Ross, à Fox Business Network. Esse prazo, além de dar um tempo adicional à ByteDance para alcançar um acordo com uma empresa americana, é posterior às eleições presidenciais dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. As negociações forçadas por Trump avançaram na última semana. No domingo passado, a ByteDance escolheu a Oracle como sua “parceira de tecnologia”, segundo a imprensa americana, deixando de lado a proposta da gigante Microsoft.

Se as conversações entre a ByteDance e a Oracle avançarem, elas criarão uma nova empresa nos EUA, chamada TikTok Global, com o objetivo de dissipar as preocupações do Governo de Trump sobre a segurança dos dados de seus usuários. Qualquer acordo alcançado pela empresa de tecnologia chinesa precisa contar com a aprovação de Trump para ser válido. Paralelamente, a rede social entrou com uma ação contra o Governo americano por querer proibir o aplicativo “sem evidências que justifiquem isso” e “colocando milhares de empregos em risco”. A empresa chinesa assinalou que a ordem executiva pode “privar de seus direitos os milhões de usuários da plataforma”.

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