Moderna pede autorização para vender sua vacina após anunciar eficácia de 100% contra a covid-19 grave

Laboratório norte-americano comunica que não detectou nenhum efeito adverso importante entre os voluntários do ensaio clínico

Voluntária participa do ensaio clínico da vacina da Moderna, em 5 de agosto, em Detroit (EUA).
Voluntária participa do ensaio clínico da vacina da Moderna, em 5 de agosto, em Detroit (EUA).- (AFP)

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A pandemia de covid-19 chegou a um ponto de inflexão em que as boas notícias se acumulam, após quase um ano de tragédias causadas pela nova doença, que matou mais de 1,3 milhão de pessoas no mundo. A empresa norte-americana Moderna confirmou nesta segunda-feira que a eficácia de sua vacina experimental supera 94%, chegando inclusive a 100% na proteção contra casos graves de covid-19, segundo a primeira análise completa de seu ensaio clínico com 30.000 participantes. O laboratório, que desenvolveu sua vacina junto com os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês), já havia comunicado resultados preliminares semelhantes há duas semanas. Não foram detectados efeitos adversos graves nos vacinados, após um acompanhamento médio de dois meses.

A Moderna anunciou que solicitará ainda nesta segunda à Agência Europeia de Medicamentos uma autorização de comercialização condicional, que costuma ser concedida quando as autoridades sanitárias ainda estão analisando se o benefício à saúde pública é superior à incerteza pela limitação de dados disponíveis. A empresa, fundada há 10 anos em Cambridge (EUA), também informou que solicitará uma autorização para um uso emergencial da vacina à FDA (agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos).

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A companhia norte-americana e os NIH começaram em julho seu ensaio com 30.000 voluntários. Metade deles recebeu duas doses da vacina experimental, com um intervalo de um mês, e a outra metade dos participantes recebeu duas injeções de água e sal, como placebo. Os cientistas detectaram 196 casos de covid-19, dos quais 185 em pessoas que não receberam a vacina real. Todos os casos graves da enfermidade ― um total de 30, incluído um óbito ― foram observados em voluntários do grupo do placebo.

A empresa disse em nota à imprensa que a eficácia observada se manteve em todos os grupos de “idade, raças e etnias”, e também em homens e mulheres. Dos 196 voluntários infectados pelo coronavírus no decorrer do ensaio, 33 eram pessoas maiores de 65 anos, mas nenhuma delas desenvolveu a forma grave da doença.

A vacina experimental da Moderna é uma das três mais avançadas entre as 48 candidatas que estão sendo testadas em humanos. As outras duas destacadas são a desenvolvida em parceria pela empresa alemã de biotecnologia BioNTech e o laboratório norte-americano Pfizer, com um conceito semelhante ao da vacina da Moderna, e a produzida pela Universidade de Oxford com o laboratório britânico AstraZeneca. As diferenças entre elas são substanciais. A vacina experimental da Moderna, por exemplo, custará o equivalente a 133 reais por dose, frente aos 96 da vacina da Pfizer e apenas 19 da injeção da AstraZeneca, que prometeu fornecer o produto sem fins lucrativos enquanto durar a pandemia.

A Pfizer também anunciou neste mês uma eficácia de 95% da sua vacina experimental, elaborada com material genético (RNA) do novo coronavírus, como o da Moderna. A candidata da dupla Oxford/AstraZeneca, entretanto, consiste em uma versão enfraquecida de um adenovírus do resfriado dos chimpanzés, modificado com informação genética do vírus da covid-19 para treinar sem risco as defesas do corpo humano. Os dois parceiros britânicos anunciaram há uma semana que a eficácia de sua vacina varia entre 62% e 90% em função da dose, embora os resultados mais promissores por enquanto tenham sido observados apenas em um pequeno grupo de pessoas menores de 55 anos. A melhor noticia é que todas parecem ser muito seguras, sem grandes efeitos adversos.

O Instituto Gamaleya de Moscou também garantiu há uma semana que sua vacina experimental, batizada de Sputnik V, baseada no adenovírus humano do resfriado, tem uma eficácia preliminar de 95%, com um preço por dose de pouco mais de oito euros. Os dados russos ainda são provisórios, com base na análise de apenas 39 casos cobiçosos em um ensaio com 19.000 participantes, número ainda insuficiente para tirar conclusões.

No Brasil, a grande expectativa é pelos resultados da Coranavac, a vacina do laboratório chinês Sinovac, que será produzida pelo Instituto Butantan. Os primeiros dados da imunização mostram que ela é segura e capaz de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos. Os resultados finais das pesquisas são aguardados para o início de dezembro.

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