General Santos Cruz é demitido e vira terceiro ministro a deixar o Governo Bolsonaro

Militar comandava a Secretaria de Governo do Planalto e era alvo de ataques de Olavo de Carvalho e de Carlos, filho do presidente. Cruz será substituído por outro militar

O general Santos Curz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro.
O general Santos Curz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro. Marcelo Camargo (Ag. Brasil)

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou o Governo nesta quinta-feira. Desde janeiro, o oficial ocupava um cargo estratégico no Planalto à frente da Secretaria de Governo, mas vinha sofrendo desgaste após se envolver em uma crise com o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, e o escritor Olavo de Carvalho, de quem foi alvo diversas vezes. Assim, Santos Cruz é o terceiro ministro a deixar o Governo. O general Luiz Ramos Baptista Pereira, atual chefe do comando Militar Sudeste, será o substituto no cargo.

No início de abril, Santos Cruz havia dado uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo em que afirmou que as redes sociais deveriam ter algum tipo de regulamentação. "Isso tem de ser feito. Mas tem de usar com muito cuidado, para evitar distorções, e que vire arma nas mãos de grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra", afirmou o então ministro. "Tem de ser disciplinado, até a legislação tem de ser aprimorada, e as pessoas de bom senso têm de atuar mais para chamar as pessoas à consciência de que a gente precisa dialogar mais, e não brigar". A resposta, no entanto, provocou a fúria do escritor Olavo de Carvalho, tido como o padrinho de ministros que não compõem a ala militar do Governo Bolsonaro. O escritor afirmou que Santos Cruz "fofoca e difama pelas costas", e escreveu, nas redes sociais: "Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu m...". Santos Cruz reagiu, atribuindo a Olavo uma "personalidade histérica".

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Durante a troca de farpas entre o guru e o general, o presidente em momento algum saiu em defesa de seu ministro, que deixa o Planalto às vésperas da data em que ganharia ainda mais poder no Governo. Isso porque passará a valer a partir do final deste mês, dia 25, o decreto que institui o Sistema Integrado de Nomeações e Consultas (Sinc). A plataforma fará com que todas as indicações para qualquer cargo institucional passe previamente pela Secretaria de Governo, que ele chefiava, e Casa Civil, comandada pelo ministro Onyx Lorenzoni.

A notícia sobre a queda do ex-ministro passou a ser veiculada pouco depois que o presidente desembarcou em Belém. Na capital paraense, Bolsonaro onde participará das comemorações dos 108 anos da Assembleia de Deus e da entrega de imóveis do programa Minha Casa Minha Vida.

Santos Cruz fazia parte da ala militar do Governo Bolsonaro e, assim como outros oficiais, comandou as tropas em missão no Haiti, de janeiro de 2007 a abril de 2009. Na bagagem, ele tem também passagem pela República Democrática do Congo, onde liderou milhares de soldados entre 2013 e 2015, em outra missão de paz da ONU. Fora convocado para liderar essa missão quando já estava na reserva, mas decidiu aceitar o convite e voltar à ativa, em 2012. No centro dos holofotes em meio a uma missão internacional, virou o personagem central do documentário Congo and the General (O Congo e o general), produzido pela TV árabe Al Jazeera sobre a operação no país africano.

Essa prontidão para missões especiais também transpareceu no ano passado, mas para uma missão civil. Santos Cruz não titubeou ao deixar a Secretaria Nacional de Segurança Pública, que ele comandava desde 2017, para fazer campanha para Bolsonaro, ainda em um momento em que o capitão era considerado um azarão. Na época, além de chefiar a Secretaria, o general era também o secretário-executivo do Ministério da Segurança Pública, segundo posto mais importante da pasta, atrás somente do ex-ministro Raul Jugmann.

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