Oscar 2019: seitas, drogas e bancarrota: o currículo secreto dos indicados

Glenn Close cresceu numa comunidade religiosa estrita, Bradley Cooper pôs sua vida em perigo por causa dos entorpecentes, e Amy Adams ganhava a vida como garçonete sexy... Estes são os episódios mais insólitos dos aspirantes ao Oscar

Antes de serem protagonistas dos tapetes vermelhos, estes intérpretes passaram por momentos menos glamourosos.
Antes de serem protagonistas dos tapetes vermelhos, estes intérpretes passaram por momentos menos glamourosos.GETTY

MAIS INFORMAÇÕES

Na deste domingo, as atenções do mundo do entretenimento se voltarão para alguns poucos escolhidos. Quando os intérpretes indicados na 91ª edição do Oscar levitarem pelo tapete vermelho vestidos com as mais importantes grifes da moda internacional e se sentarem em sua poltrona reservada do Dolby Theatre, finalmente terão completado o sonho de toda uma vida e de todo aspirante a ator. Mas, para levar a cobiçada estatueta, este leque de privilegiados liderados por Bradley Cooper, Glenn Close e Amy Adams terá tido que superar obstáculos tão grandes como a bancarrota, a dependência de drogas e trabalhos que distam muito do glamour hollywoodiano. Aqui está o que os indicados quiseram apagar do seu currículo.

Glenn Close passou a adolescência numa seita

Sete indicações parecem mais do que suficientes para que Close, toda uma lenda do cinema, finalmente leve uma estatueta para casa. Seu papel em A Esposa fez dela a favorita na categoria de melhor atriz, e uma hipotética vitória seria o apogeu de uma trajetória dificilmente superável. A carreira de Close é um exemplo de superação que se estende até a própria adolescência, que transcorreu com ela encerrada numa seita religiosa. Conforme contava numa entrevista à The Hollywood Reporter em 2014, dos 7 aos 22 anos ela participou do grupo radical cristão Moral Re-Armament, ao qual seu pai, doutor por Harvard, havia aderido. “Basicamente não lhe permitiam fazer nada, ou lhe faziam se sentir culpada por qualquer desejo antinatural”, contou.

Os vícios levaram Bradley Cooper ao limite

Jackson Maine, o cantor country alcoólatra que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor ator, não é importante para Bradley Cooper apenas por ser o protagonista de seu primeiro filme como diretor, mas também por sua própria trajetória de vida. O protagonista de A Ressaca sofreu uma forte dependência de drogas e álcool no começo da sua carreira. “Se continuasse iria sabotar toda a minha vida”, disse o intérprete, que certa vez chegou a bater a cabeça deliberadamente e acabou internado. Cooper deixou de consumir álcool e drogas aos 29 anos, coincidindo com seu salto ao estrelato, e diz se manter sóbrio desde então.

Amy Adams trabalhou no polêmico restaurante Hooters

Hooters é uma rede de fast-food norte-americana famosa por dois elementos: as asinhas de frango e as garçonetes exuberantes com decotes pronunciados. Essa identidade sexista lhe rende críticas de todo tipo e boicotes na inauguração de algumas franquias. Uma das atrizes mais disputadas do momento, Amy Adams, trabalhou como garçonete num dos restaurantes da rede quando tinha 18 anos. “Recém-saída do colégio, era um grande trabalho. Era uma boa maneira de ganhar dinheiro para comprar um carro”, declarou a indicada ao Oscar por Vice.

Adam Driver não foi à guerra do Iraque por um acidente

Antes de ficar famoso na indústria com a série Girls, de saltar à fama internacional dando vida a Kylo Ren em Star Wars e de ser indicado ao Oscar por seu papel em Infiltrado na Klan, Driver integrou o corpo de Marines norte-americano. Alistou-se como resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 e esteve prestes a ir à guerra do Iraque no corpo de infantaria, mas fraturou o osso esterno num acidente de bicicleta numa estrada de montanha, o que o obrigou a permanecer nos EUA. Depois disso, sofreu uma crise de identidade que, para sorte dos espectadores, foi o estopim de sua aproximação com a interpretação.

Melissa McCarthy passou vários anos falida

Hoje é uma das atrizes mais bem pagas da Meca do cinema, com renda anual próxima de 76 milhões de reais segundo a revista Forbes, mas os começos em Hollywood nunca são fáceis para ninguém. McCarthy, indicada a melhor atriz pelo filme Poderia Me Perdoar?, contou numa entrevista à edição norte-americana da Glamour que, quando se mudou para Nova York para iniciar sua carreira, “não tinha nem cinco dólares no banco”. A comediante subsistiu pedindo dinheiro aos pais para comer e pagar o aluguel, até que conseguiu um trabalho como coordenadora de produção. Em 2000, com sua aparição na série Gilmore Girls, sua sorte mudou para sempre.

Rami Malek teve aula com outras celebridades

Difícil encontrar mais talento adolescente por metro quadrado. No final dos anos noventa, no colégio californiano Notre Dame, o hoje favorito ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody dividia sala de aula com outras duas futuras estrelas de Hollywood. Rachel Bilson, conhecida pela série The O.C., e Kirsten Dunst (de Spider Man) coincidiram com Malek em disciplinas como teatro musical, e ainda hoje mantêm uma grande amizade. O ator disse ter sido apaixonado por Dunst, mas a protagonista de Maria Antonieta preferiu sair com um de seus melhores amigos.

A verdadeira vocação de Mahershala Ali era o basquete

O ganhador do Oscar de melhor coadjuvante por Moonlight, favorito a repetir estatueta por seu papel de virtuoso pianista em Green Book, não tinha nenhuma intenção de aparecer diante de uma câmera se não fosse para imortalizar suas enterradas e arremessos de três pontos. O ator foi um astro do basquete colegial, compartilhando equipe e posição (ele era o reserva) com a posterior lenda da NBA Jason Kidd, e inclusive obteve uma bolsa universitária graças a seu talento como esportista. Uma vez na faculdade, Ali preferiu se inscrever em aulas de arte dramática em lugar de espanhol, porque achou que seria mais fácil ter boa nota. Essa decisão detonaria uma das carreiras mais brilhantes na indústria do cinema neste século.

Olivia Colman começou dublando um gorila

Colman é a rainha indiscutível de 2019. Por sua interpretação da rainha Ana em A Favorita, que lhe valeu a indicação ao Oscar de melhor atriz, e por seu iminente trabalho como a rainha Elizabeth II na terceira temporada de The Crown. Mas, antes de tudo isso, a já considerada grande dama do cinema britânico teve que desempenhar papéis menos apetitosos. Colman foi um dos rostos habituais da publicidade televisiva nas ilhas, tendo realizado trabalhos como o de dublar o gorila protagonista dos anúncios de uma marca de perfumes.

Richard E. Grant realizou o sonho de sua infância

Talvez seja um dos indicados ao Oscar menos conhecidos do grande público, mas em sua defesa diremos que tem mais de cem filmes nas costas e é amigo do príncipe Charles da Inglaterra. Grant, além de bordar seu papel em Poderia Me Perdoar?, também é o protagonista da melhor história hollywoodiana dos últimos tempos. O ator é um fã entusiasmado de Barbra Streisand desde tempos imemoriais e aos 14 anos escreveu uma carta em que convidava a artista a passar férias com ele em sua casa da Suazilândia, seu país de origem. O que o ator não esperava é que, 47 anos depois daquilo, Streisand lhe respondesse através do Twitter para lhe agradecer a missiva e lhe parabenizar por seu trabalho no filme. Grant compartilhou o momento na rede social com várias imagens nas quais aparecia completamente emocionado, à beira das lágrimas. Com a presença da Barbra à cerimônia já confirmada, estamos convencidos de que o encontro entre ambos será um dos momentos mais virais da cerimônia.