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Butches, mulheres livres de padrões

Butches, mulheres livres de padrões

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“Eu sempre preferi usar as roupas que são consideradas masculinas, e é um erro definir as roupas por gêneros”, disse Nate Castro, fotógrafa que registrou 18 'butches', mulheres lésbicas que se negam a exibir feminilidade

  • Mulheres homossexuais são ainda hoje, mesmo com o avanço das pautas LGBTs e feministas, sexualizadas e limitadas em sua existência. "Pode até ser lésbica, mas não precisa querer se vestir que nem homem", dizia um post no Facebook que inspirou a fotógrada Nate a criar o projeto que não só dá visibilidade as 'butches'. Na foto, Bianca.
    1Mulheres homossexuais são ainda hoje, mesmo com o avanço das pautas LGBTs e feministas, sexualizadas e limitadas em sua existência. "Pode até ser lésbica, mas não precisa querer se vestir que nem homem", dizia um post no Facebook que inspirou a fotógrada Nate a criar o projeto que não só dá visibilidade as 'butches'. Na foto, Bianca.
  • Segundo o dicionário informal, o termo "butch" significa lésbica masculina, em oposição a "femme", lésbica feminina. Entretanto, essas definições são consideradas ultrapassadas porque partem do pressuposto que, mesmo dentro de um relacionamento homossexual, é necessário reproduzir a ideia de feminino e masculino, homem e mulher. Na foto, Marina dos Santos Sodré.
    2Segundo o dicionário informal, o termo "butch" significa lésbica masculina, em oposição a "femme", lésbica feminina. Entretanto, essas definições são consideradas ultrapassadas porque partem do pressuposto que, mesmo dentro de um relacionamento homossexual, é necessário reproduzir a ideia de feminino e masculino, homem e mulher. Na foto, Marina dos Santos Sodré.
  • Depois de se tornar fotógrafa, Isabelle (na foto) passou a refletir ainda mais sobre o quanto está dentro ou fora da feminilidade. Ela explica que quando se nasce mulher é definido que para ser bonita precisa ser feminina. "Quanto mais fora da feminilidade você está, mais as pessoas te veem como alguém que não se cuida", conta ela que se sente bem cuidada por si mesma e bonita ao usar roupas que, a princípio, não foram feitas para corpos femininos.
    3Depois de se tornar fotógrafa, Isabelle (na foto) passou a refletir ainda mais sobre o quanto está dentro ou fora da feminilidade. Ela explica que quando se nasce mulher é definido que para ser bonita precisa ser feminina. "Quanto mais fora da feminilidade você está, mais as pessoas te veem como alguém que não se cuida", conta ela que se sente bem cuidada por si mesma e bonita ao usar roupas que, a princípio, não foram feitas para corpos femininos.
  • Para as lésbicas a definição de butches como "mulher macho" invisibiliza a lésbica que se identifica como mulher, mas não se reconhece dentro dos padrões estéticos e comportamentais impostos para as mulheres por conta da feminilidade. Na foto, Taynã Araújo.
    4Para as lésbicas a definição de butches como "mulher macho" invisibiliza a lésbica que se identifica como mulher, mas não se reconhece dentro dos padrões estéticos e comportamentais impostos para as mulheres por conta da feminilidade. Na foto, Taynã Araújo.
  • Nate, que conhece o termo "butch" há 15 anos, relata que naquela época não havia questionamento sobre o gênero das roupas ou um número grande de mulheres que deixavam os pelos crescerem ou à mostra. Questionada se há um padrão estético também para as butches, a fotógrafa afirma que a série foi realizada de maneira livre e que as personagens foram fotografadas sem a intenção ou obrigação de performar masculinidade. "O projeto tem como intenção retratar mulheres reais repreendidas por se expressarem livremente", disse a fotógrafa. Na foto, Beth Souza.
    5Nate, que conhece o termo "butch" há 15 anos, relata que naquela época não havia questionamento sobre o gênero das roupas ou um número grande de mulheres que deixavam os pelos crescerem ou à mostra. Questionada se há um padrão estético também para as butches, a fotógrafa afirma que a série foi realizada de maneira livre e que as personagens foram fotografadas sem a intenção ou obrigação de performar masculinidade. "O projeto tem como intenção retratar mulheres reais repreendidas por se expressarem livremente", disse a fotógrafa. Na foto, Beth Souza.
  • Nate começou a fotografar depois de se formar em design gráfico e economizar para comprar sua primeira câmera. Busca em seus projetos registrar pessoas negras. Para ela a importância de registrar mulheres negras que não exibem feminilidade mora na possibilidade de registrar a pluralidade de corpos negros e vê-los ocupando diferentes espaços. Na foto, Mayara Pereira de Souza.
    6Nate começou a fotografar depois de se formar em design gráfico e economizar para comprar sua primeira câmera. Busca em seus projetos registrar pessoas negras. Para ela a importância de registrar mulheres negras que não exibem feminilidade mora na possibilidade de registrar a pluralidade de corpos negros e vê-los ocupando diferentes espaços. Na foto, Mayara Pereira de Souza.
  • Nas redes o projeto Butch já foi visto por 12 mil pessoas, segundo o Instagram. No mundo offline a série também chamou atenção. "Durante os ensaios percebi os olhares das pessoas quando observavam que as mulheres que estavam sendo fotografadas não eram modelos e fugiam completamente do padrão a que elas estão acostumadas", contou Nate. Na foto, Luz Martin.
    7Nas redes o projeto Butch já foi visto por 12 mil pessoas, segundo o Instagram. No mundo offline a série também chamou atenção. "Durante os ensaios percebi os olhares das pessoas quando observavam que as mulheres que estavam sendo fotografadas não eram modelos e fugiam completamente do padrão a que elas estão acostumadas", contou Nate. Na foto, Luz Martin.
  • Aline Almeida tem 29 anos e desde os 17 se reconhece como butch. Hoje para ela seu cabelo, suas peças de roupas, sua sexualidade são atos políticos de resistência, mas o trabalho para se autoafirmar é grande e arriscado. Aline, que conta já ter levado uma cusparada na cara por ser quem é, relata que a mulher que não exibe feminilidade está muito além da marginalidade que normalmente recaem aos LGBTQ+. "A lésbica masculina causa um imenso desconforto social nas pessoas. Vejo gays afeminados não causarem tamanho impacto. Creio que seja pela quebra do estereótipo de fetiche atribuído às lésbicas. Não é hype ser uma lésbica masculina. O preconceito por mim sofrido ocorreu dentro do meio LGBTQ+, quando muitas vezes ouvi que não precisava ser tão sapatão ou quando por diversas vezes fui questionada se não seria um homem trans".
    8Aline Almeida tem 29 anos e desde os 17 se reconhece como butch. Hoje para ela seu cabelo, suas peças de roupas, sua sexualidade são atos políticos de resistência, mas o trabalho para se autoafirmar é grande e arriscado. Aline, que conta já ter levado uma cusparada na cara por ser quem é, relata que a mulher que não exibe feminilidade está muito além da marginalidade que normalmente recaem aos LGBTQ+. "A lésbica masculina causa um imenso desconforto social nas pessoas. Vejo gays afeminados não causarem tamanho impacto. Creio que seja pela quebra do estereótipo de fetiche atribuído às lésbicas. Não é hype ser uma lésbica masculina. O preconceito por mim sofrido ocorreu dentro do meio LGBTQ+, quando muitas vezes ouvi que não precisava ser tão sapatão ou quando por diversas vezes fui questionada se não seria um homem trans".
  • "Minhas primeiras roupas 'masculinas' tive que comprar escondido e só pude usar mesmo quando saí da casa dos meus pais", contou Luciene Santos de Jesus, que sempre gostou das câmeras. "Mesmo com todo mundo tentando nos fazer sentir desajustadas, eu sempre amei. Participar desse projeto, e ver as outras meninas que participaram só me deu mais certeza de que eu amo quem sou, quem nós somos".
    9"Minhas primeiras roupas 'masculinas' tive que comprar escondido e só pude usar mesmo quando saí da casa dos meus pais", contou Luciene Santos de Jesus, que sempre gostou das câmeras. "Mesmo com todo mundo tentando nos fazer sentir desajustadas, eu sempre amei. Participar desse projeto, e ver as outras meninas que participaram só me deu mais certeza de que eu amo quem sou, quem nós somos".
  • Nate dedicou o mês de janeiro inteiro para fotografar o projeto que enaltece mulheres fora dos padrões de feminilidade. Na foto, Vasconcelos de Almeida.
    10Nate dedicou o mês de janeiro inteiro para fotografar o projeto que enaltece mulheres fora dos padrões de feminilidade. Na foto, Vasconcelos de Almeida.
  • O cenário do projeto de Nate é São Paulo, a cidade que no primeiro semestre de 2018 registrou 126 denúncias de violência contra LGBTs, segundo levantamento realizado pelo Ministério dos Direitos Humanos. Na foto, Bruna Calazans de Andrade.
    11O cenário do projeto de Nate é São Paulo, a cidade que no primeiro semestre de 2018 registrou 126 denúncias de violência contra LGBTs, segundo levantamento realizado pelo Ministério dos Direitos Humanos. Na foto, Bruna Calazans de Andrade.
  • Para Nate, a fotografia é arte e também ferramenta de empoderar mulheres e a comunidade negra. Na foto, Bárbara Nunes Lopes.
    12Para Nate, a fotografia é arte e também ferramenta de empoderar mulheres e a comunidade negra. Na foto, Bárbara Nunes Lopes.
  • "Eu escolhi fazer trabalhos fotográficos que dão mais visibilidade aos meus", disse a fotógrafa. Na foto, Rúbia.
    13"Eu escolhi fazer trabalhos fotográficos que dão mais visibilidade aos meus", disse a fotógrafa. Na foto, Rúbia.
  • O projeto de Nate fez tanto sucesso entre as butches que mesmo após o fechamento, no final de janeiro, a fotógrafa ainda recebe o contato de mulheres que desejam ser registradas. Na foto, Kaliane Reis.
    14O projeto de Nate fez tanto sucesso entre as butches que mesmo após o fechamento, no final de janeiro, a fotógrafa ainda recebe o contato de mulheres que desejam ser registradas. Na foto, Kaliane Reis.
  • Nate afirma que a parte mais importante de seu trabalho não está nos números, mas na potência de alcançar mulheres que, como ela, se sentiam incomodadas ao não se reconhecer nos poucos padrões de lésbica que chegam até a mídia. Na foto, Iasmin.
    15Nate afirma que a parte mais importante de seu trabalho não está nos números, mas na potência de alcançar mulheres que, como ela, se sentiam incomodadas ao não se reconhecer nos poucos padrões de lésbica que chegam até a mídia. Na foto, Iasmin.
  • "Eu esperava, sim, que o projeto tivesse um resultado positivo", diz a fotógrafa, que comemora a repercussão nas redes. Na foto, Rafa Aquino Moura.
    16"Eu esperava, sim, que o projeto tivesse um resultado positivo", diz a fotógrafa, que comemora a repercussão nas redes. Na foto, Rafa Aquino Moura.
  • Para além da visibilidade que o projeto deu à sua carreira, Nate espera que a série Butches dê visibilidade a todas que participaram. "Principalmente para aquelas que ainda não se sentem confortáveis e sofrem preconceito", afirma. Na foto, Marina Lopes de Oliveira.
    17Para além da visibilidade que o projeto deu à sua carreira, Nate espera que a série Butches dê visibilidade a todas que participaram. "Principalmente para aquelas que ainda não se sentem confortáveis e sofrem preconceito", afirma. Na foto, Marina Lopes de Oliveira.
  • Ao todo, durante o projeto 18 mulheres foram fotografadas. Na foto, Rafaela Erre.
    18Ao todo, durante o projeto 18 mulheres foram fotografadas. Na foto, Rafaela Erre.
  • Embora o projeto tenha sido encerrado em janeiro, a fotógrafa diz que pode retomá-lo a qualquer momento, no Instagram (@natecastrofotografia). Na foto, Sara Santana.
    19Embora o projeto tenha sido encerrado em janeiro, a fotógrafa diz que pode retomá-lo a qualquer momento, no Instagram (@natecastrofotografia). Na foto, Sara Santana.

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