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Análise
Exposição educativa de ideias, suposições ou hipóteses, baseada em fatos comprovados (que não precisam ser estritamente atualidades) referidos no texto. Se excluem os juízos de valor e o texto se aproxima a um artigo de opinião, sem julgar ou fazer previsões, simplesmente formulando hipóteses, dando explicações justificadas e reunindo vários dados

O dilema da defesa das ideias no vale de lama das redes

Os globalistas sofrem em um ambiente que privilegia as mensagens simples dos populistas e estimula a tentação de evitar esse combate

Andrea Rizzi
Matteo Salvini, vice primeiro-ministro da Itália, em setembro em Viena.
Matteo Salvini, vice primeiro-ministro da Itália, em setembro em Viena.Ronald Zak (AP)
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Em uma poderosa coincidência sob a sombra do zeitgeist político, nesta segunda-feira, em uma mesma manhã, o líder do movimento italiano 5 Estrelas ofereceu apoio – especialmente o conhecimento de organização em redes sociais – aos coletes amarelos franceses, enquanto um dos dirigentes dos Verdes alemães anunciou que ia descer do carro Twitter e Facebook. Os movimentos que expressam antagonismo ao sistema surfam nas ondas das redes; os defensores do sistema se afundam ou renunciam.

A sinergia entre os amarelos italianos e franceses é apenas o desdobramento mais recente da estratégia bem afinada de populistas que querem falar diretamente com os povos, evitando o filtro da mídia profissional, e de pessoas que querem se organizar de forma eficaz e sem as estruturas hierárquicas tradicionais. A simplicidade das mensagens populistas se adapta perfeitamente ao ambiente das redes. A complexidade, por sua vez, sangra.

Trump tem 57 milhões de seguidores no Twitter. Salvini é um autêntico mestre do Facebook Live; Bolsonaro venceu as eleições brasileiras substancialmente nas plataformas digitais.

Diante disso, os defensores da ordem liberal sofrem terrivelmente. Alguns lutam nessa trincheira, como Macron (3,5 milhões no Twitter), que às vezes dá sintomas de habilidade – "torne o nosso planeta grande outra vez", lançou rápido, quando Trump se retirou do Acordo de Paris –, ou, antes, Renzi (3,3 milhões). Outros, como Merkel, se esquivam desse combate. E agora, o chamativo gesto de Robert Habeck na Alemanha, que ali estava, e não mais. Resta ver se vai iniciar uma tendência.

Como argumento, Habeck lamenta a agressividade propiciada por uma rede como o Twitter. Lamenta a desconcentração, a falta de profundidade que esses formatos involuntariamente encorajam. Em suma, como muitos outros, Habeck se rebela diante de um tempo que privilegia a horizontalidade – a rapidez, a volatilidade, conectividade, bicando aqui e ali – em detrimento da verticalidade que impulsionou a humanidade durante séculos – concentração, especialização do trabalho, aprofundamento como uma ferramenta para transcender e chegar às alturas.

E curiosamente, Luigi Di Maio, líder do 5 Estrelas, usa precisamente a palavra "horizontal" no post em que oferece apoio aos coletes amarelos para dar impulso a seu movimento.

Obviamente, as redes em si mesmas são um instrumento neutro que também exerce um poderoso efeito disseminador de conhecimento. E de controle sobre templos que frequentemente são corruptos e autorreferenciais. Mas também é evidente que na vida real costumam propiciar a superficialidade, distração, instintos agressivos.

Desponta aqui, portanto, um grande dilema existencial do nosso tempo. O mundo gira em direção ao eixo horizontal a passos gigantes. É preciso defender a verticalidade se embrenhando nela e lutando também no eixo que se execra? Cada um terá sua resposta, mas é claro que as redes são formidáveis coletoras de votos e que a verticalidade tem que fazer um grande esforço para aprumar seu relato, seja enrolada em si mesma ou desdobrada em território adverso. A horizontalidade avança.

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