Copa Libertadores 2018

Revenda multiplica por 70 preços das entradas para a superfinal entre Boca e River

Os preços saltam de 260 reais para quase 19.000 reais no mercado negro

Torcedores do Boca incentivam a equipe em uma partida contra o River disputada em 2016, na Bombonera.
Torcedores do Boca incentivam a equipe em uma partida contra o River disputada em 2016, na Bombonera. (EFE)

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Quanto um torcedor argentino está disposto a pagar pela maior final de todos os tempos? Em meio a uma dura recessão econômica, 180.000 pesos (18.500 reais) parecem uma loucura. Com esse dinheiro, um casal com dois filhos pode viver nove meses, de acordo com o valor mínimo da cesta básica total calculada pelo Governo argentino. Mas a distância entre a demanda de ingressos e o número de cadeiras disponíveis levou às nuvens a revenda para o primeiro jogo entre Boca Juniors e River Plate pela Taça Libertadores, marcado para este sábado. Sites de venda online pedem descaradamente até 70 vezes mais do que o preço oficial por ingressos de origem incerta.

Para muita gente os jogos de ida e volta da final que definirá entre o Boca e o River o campeão do sul-americano de futebol são o evento esportivo do século. E só há lugar para alguns. Menos no Boca, onde será disputada neste sábado a partida da ida, do que no River, sede da partida final, em 24 de novembro. As restrições são muitas. Os estádios estarão fechados ao público visitante e só haverá lugar para os sócios. Mas ainda assim não chegará para todos. O Boca tem 180.000 sócios e 49.000 lugares na Bombonera. O River tem 100.000 sócios e 66.000 lugares no Monumental.

Os clubes já começaram a vender ingressos em seus respectivos sites. Terão preferência os proprietários de assinaturas anuais e, em seguida, os sócios aderentes (usuário do clube, mas sem direito automático a ingressos). Entre eles será dada prioridade para os que demonstraram maior fidelidade durante os jogos da Libertadores. Ou seja, um torcedor que se lembrou de ver seu time apenas na final não passa pelo filtro do torcedor perfeito e terá de ceder seu lugar. Os preços dos ingressos são altos, mas não inatingíveis: variam entre 1.300 pesos (135 reais) e 2.700 pesos (278 reais).

Um site de revenda oferece entradas para o Boca x River por 180.00 pesos (18.500 reais)
Um site de revenda oferece entradas para o Boca x River por 180.00 pesos (18.500 reais)

Para quem fica de fora, a realidade é bem diferente. O site de vendas internacionais viagogo.com, dedicado, segundo dizem seus donos, à venda de "ingressos para esportes, música e entretenimento", oferece há uma semana ingressos por preços bem acima dos oficiais. Na quarta-feira, no auge da febre pelo superclássico, as cadeiras nas plateias altas variaram de 63.000 pesos (6.370 reais) a 120.000 pesos (12.800 reais). Para comprar na plateia baixa eram necessários 180.000 pesos. Na sexta-feira, os preços caíram, e muito, mas ainda eram exorbitantes: até 45.000 pesos (4.480 reais). Para o jogo de volta, no campo do River, os valores são semelhantes.

A revenda é uma prática obscura e ninguém sabe muito bem de onde vêm esses ingressos fantasmas. Os suspeitos de costume são os barras (os agrupamentos de torcedores conhecidos por seu fanatismo), mas também não fica muito claro como desta vez puderam ter acesso a lugares legítimos antes que os clubes os colocassem à venda. A hipótese de que sócios compraram para revender é pouco provável. Existe um torcedor do Boca ou do River que esteja disposto a fazer negócios com seu ingresso e assim perder o jogo da sua vida? Como as perguntas não têm resposta certa, os dirigentes do Boca decidiram levar a questão aos tribunais.

"O clube pediu mais uma vez à Justiça a abertura de uma investigação, até as últimas consequências, para identificar os autores da contravenção e puni-los", disse a direção do Boca em um comunicado. O clube quer que o Ministério Público controle os sites de vendas online como o viagogo.com, além de empresas de turismo que estão oferecendo por 3.300 dólares (12.350 reais) pacotes com ingressos inclusos e os responsáveis por redes de WhatsApp com ofertas de lugares. A verdade é que, a três dias da primeira final, na revenda há para todos os gostos.

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