Paul Allen, cofundador da Microsoft, morre aos 65 anos

Bilionário, filantropo e dono de equipes da NBA e a NFL revelou há duas semanas que havia sofrido uma recaída no câncer que tratou em 2009

Paul Allen, em 2003, no centro de Ciências de Computação que leva seu nome na Universidade de Washington, em Seattle
Paul Allen, em 2003, no centro de Ciências de Computação que leva seu nome na Universidade de Washington, em Seattle

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Paul Allen, cofundador da Microsoft e um dos grandes nomes dos primórdios da revolução tecnológica, morreu nesta segunda-feira, 15, em Seattle, aos 65 anos, devido a um câncer. O falecimento foi comunicado em nome da família pela Vulcan, empresa através da qual Allen canalizava seus investimentos e filantropia. O sucinto comunicado cita como causa da morte “complicações do linfoma não-Hodgkins”.

O nome de Paul Allen é parte da lenda dos pioneiros da Internet e da revolução digital. Fundou a Microsoft em 1975 com Bill Gates. Conheceram-se em um colégio privado de Seattle alguns anos antes. Ele tinha 22 anos, e Gates, 19. Allen abandonou a companhia em 1983 devido à sua enfermidade, antes que se tornasse o gigante que dominou a informática nos anos noventa, mas manteve parte da propriedade da empresa, o que acabou sendo a origem de sua fortuna. No ano passado, a Forbes calculava a fortuna de Allen em 20 bilhões de dólares (74,7 bilhões de reais) e o situava na 21ª. colocação na lista dos homens mais ricos dos Estados Unidos.

Bill Gates reagiu com um comunicado em que diz: “Tenho o coração partido pela morte de Paul Allen, um de meus amigos mais antigos e mais queridos”.

Allen dedicou boa parte de sua fortuna à filantropia e à pesquisa. O mesmo relatório afirma que ao longo de sua vida doou dois bilhões de dólares a diversas causas, incluindo 500 milhões ao Instituto Allen para a Ciência do Cérebro, fundado há 15 anos. Allen foi um dos primeiros signatários da iniciativa The Giving Pledge, criada por Bill e Melinda Gates em parceria com Warren Buffett, em que pessoas extremamente ricas se comprometem a doar em vida a maior parte da sua fortuna a causas filantrópicas.

Além disso, Allen foi um importante investidor no esporte dos Estados Unidos. Era dono de um time de basquete da NBA, os Portland Trail Blazers, outro da NFL (futebol americano), os Seattle Seahawks, e outro da MLS (a liga de futebol nacional), os Seattle Sounders. Através da Vulcan também investiu no campo imobiliário, em documentários e filmes independentes.

“Paul Allen foi a força impulsora para manter a NFL no Pacífico noroeste”, declarou o comissário dessa liga, Roger Goodell, através de um comunicado citado pela EFE. “Sua visão levou à construção do CenturyLink Field e de uma equipe que jogou 12 vezes os playoffs e três o Super Bowl”, dos quais ganharam uma. “Içar a bandeira do ‘12º jogador’ no início de todas as partidas dos Seahawks em casa foi um tributo de Paul à extraordinária torcida na comunidade de Seattle. Trabalhou incansavelmente junto aos nossos assessores médicos para identificar novas formas de tornar o jogo mais seguro e proteger nossos jogadores de riscos desnecessários”, destacou Goodell em seu comunicado.

Allen tinha tratado o linfoma em 2009 e tinha conseguido sua remissão. Já neste mês de outubro, dizia ter a intenção de lutar contra a recaída com todas as suas forças. “Meu irmão era um indivíduo extraordinário em todos os níveis”, disse sua irmã, Jody Allen, em nome da família em um comunicado citado pela CNN. “Era um irmão e tio muito querido e um amigo excepcional.”

Sua autobiografia, publicada em 2011, intitulava-se Idea Man (“o homem-ideia”). Nesse livro, definia-se como a pessoa que tinha as ideias na relação com Gates, ideias que o tino empresarial de Gates conseguiu pôr em todas as casas do mundo através da Microsoft. Na biografia, recordava o momento de 1983 em que, depois de ter a doença diagnosticada – a mesma que acabou com sua vida nesta segunda-feira –, decidiu deixar a empresa que ele tinha ajudado a criar e que mudaria para sempre a relação do mundo com os computadores. “Se recaísse, não faria sentido, além de ser perigoso, voltar para o estresse da Microsoft. Se me recuperasse, já tinha compreendido que a vida era muito curta para gastá-la sendo infeliz.”