Terrorismo

Suspeito de ser o principal operador do Hezbollah na Tríplice Fronteira é preso em Foz do Iguaçu

Assad Ahmad Barakat foi detido pela Polícia Federal. Grupo islâmico também teria negócios com o Primeiro Comando da Capital

O passaporte falsificado de Barakat.
O passaporte falsificado de Barakat.

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O libanês teria laços com Hassan Nasrallah e Hussein Fadlallah (morto em 2010), respectivamente secretário-geral e principal guia espiritual do Hezbollah, grupo do qual se dizia "apenas um simpatizante". O ministro do Interior paraguaio, Juan Ernesto Villamayor, comemorou a captura, e destacou que seu país havia sido o responsável por emitir a ordem de prisão contra o libanês por uso de um passaporte de nacionalidade paraguaia falsificado. Ele mora em Foz desde 1987, e veio para a América do Sul no início dos anos de 1980, fugindo da guerra civil que tomou conta de sua terra natal. Barakat tem ao menos três filhos de nacionalidade brasileira, e já havia sido preso em 2001 no Brasil pelos crimes de associação ilícita, sonegação de impostos e instigação ao crime. Posteriormente o libanês foi extraditado para o Paraguai, onde cumpriu pena até 2009. Desde então seu paradeiro era desconhecido das autoridades.

O libanês ganhou os holofotes em 2001, quando os Estados Unidos, à sombra da paranoia que tomou conta do país após ataques de 11 de Setembro, o acusaram de ser um dos grandes nomes do terrorismo islâmico na região. Barakat seria dono de ao menos duas empresas que, de acordo com o Departamento do Tesouro americano, seriam usadas em operações de financiamento envolvendo células do Hezbollah nas América do Sul e no Caribe: a Casa Apollo e a Barakat Import-Export Ltda. Em 2004 os EUA chegaram a colocar as duas em uma lista de companhias que apoiam o terrorismo. Segundo documento do Tesouro, comerciantes da região de origem árabe eram coagidos por Barakat a pagar uma taxa em dinheiro que seria destinada ao grupo islâmico.

Em outubro de 2001 a prisão de Sobhi Mahmoud Fayad em uma das sedes da Casa Apollo, de propriedade de Barakat, reforçou a suspeita de que o Hezbollah atuaria na região da tríplice fronteira: Fayad é considerado um dos especialistas em armamentos do grupo desde a década de 1980. Ele já havia sido detido anteriormente por conduzir "operações de vigilância" na embaixada dos EUA em Assunção.

As relações entre Barakat, o islã e o Hezbollah se misturam. Ele chegou a atuar como diretor financeiro da mesquita Husaniyya Iman AI-Khomeini em Foz do Iguaçu. Segundo o Tesouro dos EUA, após sua prisão em 2002 uma importante liderança do templo "proibiu que qualquer um que não fosse integrante do Hezbollah frequentasse o local".

Ao menos desde os anos 2000 promotores paraguaios apontam para evidencias concretas de seus laços com a milícia libanesa. À época foram localizadas transferências bancárias feitas por ele com destino ao Hezbollah. De acordo com o comerciante, o valor seria uma doação para ajudar os órfãos da ocupação israelense, e ele seria apenas "simpatizante" do grupo islâmico - que além do braço armado e político também realiza ações sociais. Segundo entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, "existe uma grande ignorância do Ocidente sobre o mundo islâmico (...) é essa ignorância que me coloca como terrorista", disse Barakat. A reportagem não conseguiu entrar em contato com os advogados do comerciante.

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