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Eleições 2018: calendário, debates e programa dos candidatos à presidência do Brasil

Terminou nesta quarta (15), o prazo para o registro de presidenciáveis no Tribunal Superior Eleitoral

O PT formalizou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva

A corrida eleitoral às Eleições 2018 começou oficialmente nesta quarta-feira (15), prazo final para que os presidenciáveis registrassem suas candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem até o dia 17 de setembro para avaliá-las.

Conheça os presidenciáveis e seus programas de Governo

- Alvaro Dias (PODE)

Líder do Podemos, Alvaro Dias foi governador do Paraná, mas conseguiu notoriedade durante seus quatro mandatos como senador, a maioria deles pelo PSDB – foi reeleito pela última vez em 2014, com quase 80% dos votos válidos. Ocupou cargos públicos durante 42 dos seus 73 anos por sete partidos diferentes – além de senador, atuou como vereador, deputado estadual e deputado federal. Ganhou destaque recentemente ao se apresentar para a disputa pelo Planalto com o maior número de seguidores no Twitter (350 mil). Segundo pesquisa do InternetLab, contudo, os seguidores seriam em sua maioria (mais de 60%) robôs programados para simular reações com a página. Como aspirante à presidência, Dias tenta se apresentar como uma alternativa ao centro e se escora na baixa rejeição em meio a adversários com altas taxas de reprovação – apenas 13% dos eleitores dizem que não votariam nele. Baixe aqui o Plano de Metas 19+1, pela refundação da República!

- Cabo Daciolo (Patriota)

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos se tornou conhecido em todo o Brasil em 2011 pela sua alcunha de bombeiro. Um cabo chamado Daciolo liderava a ocupação do Quartel Central do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro em protesto por melhores salários e condições de trabalho. Três anos depois, Cabo Daciolo era eleito pelo PSOL como deputado federal no Rio de Janeiro, mas a relação com o partido seria breve. Já em 2015, ele foi expulso depois de defender uma alteração de cunho religioso na Constituição. Desde então, o deputado só frequentou o noticiário por eventos inusitados, como o anúncio, no plenário da Câmara, da cura de uma colega tetraplégica e, mais recentemente, por mencionar em um debate a existência da URSAL, uma teoria da conspiração sobre um plano para criar a União das Repúblicas Socialistas da América Latina. Acabou se tornando candidato à presidência da República pelo Patriota como alternativa a Jair Bolsonaro, que optou pelo PSL. Baixe aqui o programa de Governo do Cabo Daciolo: Plano de nação para a colônia brasileira.

- Ciro Gomes (PDT)

Ao longo de mais de 30 anos de vida política, já foi filiado a sete partidos, iniciando pelo extinto PDS e passando por MDB, PSDB, PPS, PSB, PROS até chegar ao atual PDT. Durante sua pré-campanha, buscou apoio tanto na direita quanto na esquerda, utilizando-se de um discurso conciliador. Mas é justamente pela língua que ele pode se trair: conhecido por declarações impulsivas e truculentas, tropeça constantemente nas próprias palavras. Uma afirmação infeliz envolvendo sua ex-mulher, a atriz Patrícia Pillar, em 2002, até hoje lhe rende a pecha de machista. Não à toa, diz que aquele foi o pior erro de sua vida. A fama de estourado deve servir de preciosa munição para seus adversários. Ao seu favor, reafirma incansavelmente que não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção, tema central desta eleição. Baixe aqui as Diretrizes para uma estratégia nacional de desenvolvimento para o Brasil, de Ciro Gomes.

- Fernando Haddad (PT)

Fernando Haddad assumiu a tarefa de substituir Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à Presidência do Brasil pelo PT. Professor da Universidade de São Paulo (USP) e do Insper, Haddad foi ex-ministro da Educação (2005-2012), onde ficou conhecido pelo avanço de programas como Prouni, que oferecia bolsa de estudo para a população mais pobre. Foi eleito prefeito de São Paulo em 2003, vencendo José Serra (PSDB), mas a lua de mel com a cidade durou pouco. Em junho de 2013, viu surgir nas ruas de São Paulo um movimento contrário ao aumento de tarifas de transporte público que viria a se espalhar pelo país. Esse movimento foi o primeiro marco da crise política que culminou no impeachment de Dilma Rousseff e se arrasta até hoje. Haddad perdeu a reeleição no primeiro turno para o tucano João Doria. Se tornou alvo de denúncia do Ministério Público de São Paulo, acusado de receber 2,6 milhões de propina para pagar dívidas da campanha de 2012 à prefeitura; ele diz que a denúncia foi feita com base em uma delação sem qualquer prova. Leia o plano de governo da coligação O povo Feliz de Novo.

- José Maria Eymael (DC)

O candidato e um dos fundadores do Partido Social Democrata Cristão (PSDC), renomeado em 2017 de Democracia Cristã (DC), é um veterano das eleições. Concorre pela quinta vez à Presidência da República. Em 1985, Eymael foi candidato a prefeito de São Paulo, mas não se elegeu. O jingle de sua campanha, criado pelo alfaiate José Raimundo de Castro, cujo refrão era "Ey Ey Eymael, um democrata cristão", é, ainda hoje, bastante lembrado. Em 1986, o advogado e empresário foi eleito deputado federal constituinte, sendo reeleito em 1990. Neste ano, é esperado que o famoso jingle volte renovado (ele costuma ser levemente modificado a cada pleito). Leia aqui o programa de Governo de Eymael.

- Geraldo Alckmin (PSDB)

O candidato do PSDB parte para a sua segunda corrida presidencial após alcançar a hegemonia em São Paulo. Depois de governar o Estado mais rico do Brasil por quatro vezes – a primeira delas ao herdar o mandato de um enfermo Mário Covas, em janeiro de 2001 – o tucano tenta devolver a presidência da República ao PSDB, partido que ele comanda após o ocaso do senador Aécio Neves. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 numa campanha marcada por questionamentos ao modelo de privatizações tucana durante o Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2001), Alckmin entrou na corrida presidencial sem animar o eleitorado, com poucas intenções de voto nas pesquisas. Mas sua candidatura ganhou musculatura com a adesão de cinco partidos do Centrão, que vão lhe render um dos maiores tempos de campanha no rádio e na televisão. Baixe aqui as diretrizes do programa Geraldo Alckmin Presidente.

- Guilherme Boulos (PSOL)

Uma das maiores novidades no campo da esquerda, considerado por muitos como sucessor político do ex-presidente Lula, Guilherme Boulos vem liderando um dos principais movimentos sociais do Brasil, o MTST. Ele vem de uma família de classe média alta e se formou em filosofia e psicanálise, mas abriu mão de seus privilégios desde muito jovem quando entrou no movimento social. Já morou em uma ocupação e atualmente mora com sua esposa e filhos em um sobrado na periferia de São Paulo. Suas ocupações em imóveis e terrenos vazios podem causar certa polêmica, mas ele se tornou um dos principais interlocutores entre o poder público e famílias de sem teto, tendo influenciado programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida. Com sua candidatura à presidência pelo PSOL, aos 36 anos, estreia na arena partidária. Baixe aqui o programa da coligação Vamos sem medo de mudar o Brasil.

- Henrique Meirelles (MDB)

Atuou como uma espécie de curinga econômico para os três últimos presidentes do Brasil. Após iniciar a vida pública como deputado federal pelo PSDB, foi indicado por Luiz Inácio Lula da Silva para o comando do Banco Central, onde por sete anos imprimiu um modelo de gestão liberal a fim de apaziguar os mercados. Para Dilma Rousseff, já filiado ao PSD, coordenou o Conselho Público Olímpico, responsável pelos investimentos dos Jogos do Rio, entre 2011 a 2015 – trabalho que sequer mereceu menção em seu site institucional. Em 2016, montou para Michel Temer um ‘dream team’ para resgatar a economia, assumindo o Ministério da Fazenda e da Previdência Social. Filiado recentemente ao MDB, tem como desafio defender uma candidatura apoiada por um presidente com alto índice de rejeição e fazer chegar seu nome para além do público que lê as páginas econômicas dos jornais. Leia aqui a íntegra do programa Pacto pela confiança!

- Jair Bolsonaro (PSL)

Formou-se em 1977 na Academia Militar dos Agulhas Negras e, em 1988, entrou para a reserva no posto de capitão porque decidiu se candidatar a vereador no Rio de Janeiro. Voraz defensor da ditadura militar (1964-1985) e de alguns e seus torturadores, chegou a ser preso administrativamente em 1986, quando escreveu um artigo no qual se queixava dos baixos salários para os militares. O fato o transformou uma espécie de guia entre os representantes das Forças Armadas. Com base nessa liderança, foi eleito vereador e, posteriormente, deputado federal por sete vezes. Apontado como um político de extrema direita, conseguiu aprovar apenas dois projetos de lei e uma proposta de emenda constitucional em quase 28 anos como deputado. Raramente participa de comissões parlamentares relevantes. No período, filiou-se a nove partidos diferentes e usou de seu sobrenome para eleger três de seus cinco filhos para cargos eletivos. O discurso radical, a incapacidade de constituir alianças com outras legendas e o baixo tempo de propaganda no rádio e na TV são alguns de seus empecilhos na disputa eleitoral. Baixe aqui as diretrizes do programa O caminho da prosperidade, de Jair Bolsonaro.

- João Amoêdo (NOVO)

Único candidato na corrida presidencial sem um passado na política, com uma carreira desenvolvida no mercado financeiro, onde chegou a ocupar a vice-presidência do Unibanco. Em 2010, junto com outras 180 pessoas, decidiu fundar o Novo, um partido que faz processo seletivo para definir candidatos e se mantém apenas com doações voluntárias de apoiadores, sem recursos públicos. Amôedo se tornou o garoto propaganda dos valores do partido, que aposta em utilizar a experiência da iniciativa privada para melhorar serviços públicos com boa gestão, meritocracia e transparência. O discurso liberal na economia, no entanto, escorrega quando aplicado aos costumes. Cético com relação à leis e políticas voltadas para mulheres, negros e população LGBT, Amôedo ainda mostra dificuldade em falar de temas fora da área econômica, um entrave importante para quem precisa ultrapassar a barreira dos 1% mais ricos e dialogar com todas as esferas do país. Baixe aqui as diretrizes do programa de Governo de João Amoêdo. Conheça aqui o programa de Governo do NOVO.

- João Goulart Filho (PPL)

Filho do ex-presidente da República João Goulart, que foi deposto pela ditadura, é candidato do Partido Pátria Livre (PPL) à presidência. Goulart Filho foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao lado do seu tio Leonel Brizola. Pelo PDT, exerceu mandato de deputado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, mas deixou o partido em 2017, por ser contrário ao apoio dado pelo partido ao então governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que foi contra a construção de um memorial em homenagem a seu pai. É autor do livro Jango e eu - Memórias de um exílio sem volta, da editora Civilização Brasileira, além de fundador e atual presidente do Instituto João Goulart. Baixe aqui o programa de governo de João Goulart Filho.

- Marina Silva (REDE)

É a pessoa que nos últimos anos mais chegou perto de romper a polarização histórica entre PT e PSDB, que marca a política brasileira desde 1994. Seu principal desafio será reeditar neste ano o desempenho da campanha de 2014, mas desta vez com uma estrutura partidária muito menor. Naquele ano, a ex-ministra do Meio Ambiente foi alçada à cabeça da chapa do PSB depois da trágica morte de Eduardo Campos num acidente aéreo e terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com mais de 22 milhões de votos. Marina adotou um perfil recluso nos últimos quatro anos, mas voltou aos holofotes com a nova campanha presidencial. E num pleito altamente fragmentado, o potencial de votos que pode ser conquistado pela ex-senadora a coloca como uma séria candidata a passar para o segundo turno. Veja aqui o programa de Governo da REDE.

- Vera (PSTU)

Militante do PT até 1992, quando foi expulsa junto a outros companheiros do grupo político Convergência Socialita, Vera Lúcia Salgado participou da fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) em 1994. Natural de Inajá, Pernambuco, ela começou a trabalhar aos 14 como garçonete. Foi ainda faxineira e datilógrafa antes de tornar-se operária da indústria de calçados, quando começou na militância sindical. Formada em sociologia, Vera já foi candidata a deputada federal e a prefeita de Aracaju. Crítica dos Governos petistas, Vera divulgou um programa socialista com 16 pontos contra a crise capitalista no Brasil. Baixe aqui o programa 16 pontos de um programa socialista para o Brasil contra a crise capitalista

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