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Russos com tiara? Como o ‘kokóshnik’, um tradicional acessório feminino, virou ícone da Copa

Confeccionado com materiais nobres e pedraria, este caro acessório era parte do dote das noivas. Seu preço aumentou durante o mundial

kokóshnik Copa Rússia 2018
Duas pessoas posam para uma foto durante a Copa do Mundo Rússia 2018. REUTERS

A Copa do Mundo Rússia 2018 serviu para tirar o pó de um antigo acessório típico russa: o kokóshnik. Essa peça feminina, que consiste de uma diadema decorada artisticamente, tornou-se um ícone e voltou à moda como modelo unissex, porque os homens também têm sido adornados com elas, demonstrando alguma capacidade para a autoironia.

Espalhou-se por toda a Rússia a imagem de três torcedores com alguns quilos extra (dois homens e uma mulher) que, com a bandeira da Espanha pintada nas bochechas e usando kokóshniks, desfrutam comendo um cachorro-quente no jogo entre as seleções espanhola e russa. Os três indivíduos mais tarde se tornaram protagonistas de um graffiti, mas com uma licença patriótica, já que a bandeira espanhola no rosto dos torcedores foi substituída pelas cores do país anfitrião.

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Reuters

A palavra kokóshnik foi detectada pela primeira vez em documentos do século XVII e vem do termo Kokosh, que significa broche de galinha. Essa diadema, feita por mestres artesãos com materiais finos e pedras preciosas, foi inicialmente usado por mulheres casadas como um caro acessório das roupas de festa e fazia parte do dote das noivas.

Em sua ânsia de modernidade, o czar Pedro I proibiu o kokóshniki, assim como outras vestimentas tradicionais russas. Nos tempos de Yekaterina II, eles foram resgatados como um acessório para os trajes da corte, e com Nicolás I, no século 19, eles voltaram para o guarda-roupa das mulheres. Seu momento de estrela chegou em 1903, no baile de fantasias dedicado ao 290º aniversário da dinastia Romanov, realizada no Palácio de Inverno em São Petersburgo.

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Efe

Os participantes deste grande evento social serviram de inspiração para um baralho de cartas que foi publicado em 1913 para comemorar o 300º aniversário da dinastia reinante até 1917. As mulheres que fugiram da Revolução Bolchevique que, para ganhar a vida, costuravam ou abriam ateliers de moda no exílio. O designer Karl Lagerfeld os incluiu mais tarde em sua coleção Paris-Moscou (2008-2009).

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AFP

Atualmente, são publicadas nas redes sociais frases como: "O kokóshnik é o penhor do patriota russo" ou "O kokóshnik, o novo elemento de coesão da Rússia". Também tem circulado nas redes uma fotomontagem em que o presidente Vladimir Putin e o primeiro-ministro Dmitry Medvedev aparecem usando kokóshniks. Durante a Copa, a venda desse acessório quintuplicou, especialmente nas cidades que têm sediado os jogos, sendo o modelo vermelho com fitas o mais popular, de acordo com a agência de notícias RBK, citando fontes fiscais. Os preços médios também subiram, de 330 rublos em junho (cerca de R$ 20) para 910 rublos em julho.

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