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Caso Marielle Franco: testemunha envolve vereador e miliciano no assassinatos, diz jornal

Segundo 'O Globo', homem procurou a polícia para acusar Marcello Siciliano, do PHS, e o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo de planejar morte da vereadora do PSOL

Caso Marielle Franco
Marielle Franco na Cinelândia em janeiro deste ano. AP

Uma testemunha que trabalhou para uma milícia do Rio de Janeiro procurou a polícia para acusar, em troca de proteção, um vereador e um ex-policial de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), executada a tiros na noite de 14 de março. As informações são do jornal O Globo. Na ação, o motorista Anderson Gomes também foi atingido e morreu e uma assessora foi ferida por estilhaços.

Segundo a reportagem, o delator, cujo nome não foi revelado, afirmou que o vereador Marcello Sciliano, do PHS, e Orlando Oliveira de Araújo - um ex-PM que está preso acusado de comandar uma milícia - planejaram o assassinato da vereadora. Ele também informou os nomes de quatro homens escolhidos pela dupla para cometer o crime que, segundo a testemunha, começou a ser arquitetado em junho do ano passado. Procurado pelo O Globo, Siciliano disse não conhecer o ex-PM Orlando Oliveira e afirmou, ainda, que a informação se trata de uma notícia "totalmente mentirosa".

Em três depoimentos à Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil, o homem deu informações sobre datas, horários e até locais de reuniões entre o vereador e o miliciano. Ele teria presenciado pelo menos quatro conversas entre o político e o ex-PM. Segundo a testemunha, a desavença entre o vereador e Marielle foi motivada pela expansão das ações comunitárias da parlamentar do PSOL na Zona Oeste e sua crescente influência em áreas de interesse da milícia, mas que ainda seriam controladas pelo tráfico. Ainda de acordo com o delator, a vereadora passou a apoiar os moradores da Cidade de Deus e comprou briga com o ex-policial e o vereador, que tem uma parte do seu reduto eleitoral na região. Pelo menos dois homens foram mortos depois do assassinato de Marielle como queima de arquivo, segundo o relato da testemunha. Uma dessas vítimas teria sido Carlos Alexandre Pereira Maria, de 37 anos, morto em 8 de abril.

O homem contou à polícia que instalava equipamentos de TV e foi ameaçado de morte e obrigado a trabalhar para os milicianos. “Fui coagido: ou morria ou entrava para o grupo paramilitar. Virei uma espécie de segurança dele. Também ficava responsável por levar o filho para a escola; acompanhava a mulher de Orlando para compras em shoppings”, contou à Delegacia de Homicídios do Rio, segundo O Globo. A testemunha disse, ainda, que decidiu procurar a polícia para contar o que sabe porque está jurada de morte por Araújo, que cumpre pena em Bangu 9.  Segundo ele, o miliciano acredita que sua prisão é resultado de uma denúncia feita por ele.

Desde o assassinato de Marielle e Anderson, a polícia não prendeu nenhum suspeito do crime. A principal hipótese levantada pela Polícia Civil é de que o assassinato teve motivações políticas e foi encomendado por milicianos. Marielle trabalhou, em 2008, na CPI das milícias ao lado do seu companheiro do PSOL e deputado estadual Marcelo Freixo. Por não sofrer ameaças, ao contrário de Freixo, a vereadora não contava com um esquema de segurança pessoal e era um alvo fácil. Um total de 10 vereadores já prestaram depoimentos como testemunhas para a Divisão de Homicídios da Polícia Civil, inclusive o vereador Marcello Siciliano, apontado agora por essa nova testemunha de ser um dos mandantes do crime. O parlamentar do PHS já foi citado em um relatório da Polícia Civil sobre a influência das milícias em Jacarepaguá nas eleições de 2014.

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