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Facebook volta a despencar na Bolsa e perde 12% do seu valor em dois dias

Mark Zuckerberg teve sua fortuna reduzida em quase sete bilhões de dólares desde segunda-feira

Cotação do Facebook na Nasdaq.
Cotação do Facebook na Nasdaq.EMMANUEL DUNAND (AFP)

O Facebook atravessa sua pior crise desde que começou a negociar ações em Wall Street, há seis anos. O escândalo decorrente do vazamento de dados com fins políticos pode colocar em xeque o lucrativo modelo de negócios da maior rede social da Internet, e isso fez com que suas ações chegassem a cair quase 6% nesta terça-feira, depois desabarem no dia anterior. Em apenas duas jornadas, essa empresa do setor tecnológico perdeu 12% do seu valor de mercado, arrastando consigo as ações de concorrentes como Twitter, Snap e Google.

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A companhia do Vale do Silício deixou mais de 50 bilhões de dólares (165,3 bilhões de reais) pelo caminho nesta semana, o que equivale à capitalização total da fábrica de veículos Ford Motors ou da companhia aérea Delta. Há dois motivos para essa repentina correção nas Bolsas: por um lado, os investidores temem que as autoridades reguladoras nos Estados Unidos e na Europa criem novas regras para proteger os dados de seus usuários, reduzindo sua margem de lucro; por outro, há o receio de que esse caso leve os usuários a desconfiarem da gestão de seus dados pessoais e decidam abandonar a rede social, cujos lucros estão ligados à publicidade e ao seu alcance.

Privacidade e publicidade

As autoridades de ambos os lados do Atlântico insistem em que o Facebook deve demonstrar que é capaz de provar que se trata de uma empresa madura, que assume suas responsabilidades. Do contrário, passarão à ação. Embora o escândalo tenha como estopim a consultoria política Cambridge Analytica, os analistas da Allianz anteveem que a nova legislação de proteção à privacidade terá efeitos em plataformas rivais.

Diante do medo de que os usuários deixem maciçamente a rede social ou simplesmente optem por lhe dedicar menos tempo, conforme alerta o Morgan Stanley, o risco é de que os anunciantes parem de colocar recursos na plataforma ou passem a exigir preços mais baixos para as publicidades, que triplicaram nos últimos anos.

A queda nas ações do Facebook se moderou para 2,5% no encerramento do pregão. Zuckerberg controla aproximadamente 400 milhões de ações da companhia. Usando-se como referência o preço negociado na sexta-feira passada, sua fortuna teve uma redução superior a sete bilhões de dólares (23 bilhões de reais) desde o começo da semana. Apesar desse estrago em apenas dois dias, o Facebook ainda mantém uma avaliação próxima de 485 bilhões de dólares, e o fundador conserva um patrimônio de 70 bilhões.