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Em ‘Altered Carbon’, o futuro continua parecido com ‘Blade Runner’

Netflix estreia thriller de ficção científica estrelado por Joel Kinnaman e James Purefoy

Silvia Ayuso
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Duas regras básicas para o futuro: você não é seu corpo. Você é seu stack, um chip, o disco rígido onde está toda sua memória, sua consciência, sua essência como ser humano, que pode ser facilmente transferida para outro corpo. Se esse disco rígido é destruído, é o fim. Não há retorno da morte real. Mas o corpo é apenas uma roupa, uma armadura temporária. Você troca de corpo como uma serpente muda de pele. Mas a qualidade da “roupa” dependerá de sua conta corrente e status social. Porque no futuro, assim como no presente e no passado, o dinheiro e o poder continuam sendo tudo. Nisso, nada mudou. O resto é uma incógnita em Altered Carbon, a sombria nova série futurista da Netflix que estreia nesta sexta-feira.

De certa forma, os dilemas, o que move os personagens de Altered Carbon, baseada no romance homônimo ciberpunk de Richard K. Morgan, é tão velho como o mundo: poder, paixão, dinheiro, amor, morte. Quem tem poder e dinheiro, entretanto, pode agora driblar a morte neste mundo tão sinistro como Blade Runner. Mas nem sempre. Como o multimilionário e todo-poderoso Laurens Bancroft (James Purefoy), que faz com que um antigo soldado rebelde abatido 250 anos atrás reviva para que investigue um assassinato muito particular: o dele mesmo, Bancroft. Porque quem quis matá-lo — e conseguiu, só que a vítima foi revivida em um clone, privilegio ao alcance apenas dos mais ricos — pode tentar de novo. Bancroft pode ter sido assassinado por um inimigo desconhecido… ou por alguém de seu entorno. Ou será que foi um suicídio? Bancroft perdeu a memória imediata anterior à sua morte.

Quem deverá investigar, sob a ameaça de voltar ao limbo de quem não tem um corpo no qual recuperar sua consciência, é Takeshi Kovacs, interpretado por Joel Kinnaman. Ele é o único sobrevivente de um grupo de guerreiros interestelares de elite que fracassaram em sua insurreição contra a nova ordem mundial e a capacidade de alguns privilegiados de viver eternamente através de novos corpos. O debate ético sobre o que significa o ser humano e quais são os limites da ciência, assim como sobre o eterno abismo entre ricos e pobres, está presente desde o primeiro minuto de Altered Carbon.

“Este projeto te obriga a ter discussões existenciais e isso foi uma das coisas que me levaram a fazer esta série”, explica Kinnaman em uma conversa com o EL PAÍS em Paris. Embora reconheça que estava relutante em voltar a trabalhar tão cedo em outra série, depois de sua passagem por The Killing − Além de um Crime e House of Cards, ele acabou passando de “supercético a superentusiasta em cinco minutos”, assim que discutiu a trama em profundidade com a roteirista e produtora Laeta Kalogridis.

Algo semelhante aconteceu com Renee Elise Goldsberry, que interpreta Quell, a líder do grupo rebelde ao qual pertenceu Kovacs, e com o veterano Purefoy, que chegou a obrigar os roteiristas a explicar em um capítulo por que alguém tão capitalista como seu personagem escolheria reencarnar uma e outra vez no corpo de um homem que passou dos 50 anos e não em alguém mais jovem.

Porque outra das questões abordadas por esta ficção é a da identidade, explica Purefoy. “As identidades estão ligadas ao corpo em que vivemos, mas… e se não fosse assim? E se escolher um corpo fosse algo totalmente voluntário?”, diz o ator britânico, enquanto Goldsberry assente energicamente. “Eu adoro o fato de que esta série seja mais do que um mero entretenimento”, sorri a atriz. Altered Carbon “alimenta conversas profundas, e isso é algo que não acontece sempre”, conclui.

Sob a estética futurista, um drama como os de sempre

No fundo, Altered Carbon é um drama puro e intenso, por isso é eterno, atraente e atual, seja ele ambientado séculos atrás ou no futuro, afirma James Purefoy. "Os dramas nos fazem sentir menos sozinhos. Todos nós nos sentimos sozinhos no mundo, mas aí você vê um filme, uma série, vai ao teatro, e vê alguém se debatendo com os mesmos problemas que você, e pensa: 'Oh, não estou sozinho'. Por isso esta é uma grande experiência comum", sustenta.

A "experiência comum" de Altered Carbon dura, pelo menos por enquanto, apenas os 10 capítulos da primeira temporada. Haverá uma sequela, como no romance original? O protagonista da série da Netflix, Joel Kinnaman, afirma que só assinou contrato por uma temporada. Claro que, em Altered Carbon, seu corpo é apenas uma "roupa" que se pode trocar.

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