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O Trump mais desumano

A ameaça de deportação de 200.000 refugiados salvadorenhos é inaceitável

Donald Trump em Camp David
Donald Trump em Camp David REUTERS

A decisão de Donald Trump de revogar o Status de Proteção Temporária de 200.000 salvadorenhos residentes nos EUA constitui uma gravíssima agressão aos direitos de centenas de milhares de pessoas que foram acolhidas em estado de extrema necessidade, ao mesmo tempo em que abre caminho para uma das maiores e mais vergonhosas deportações em massa do país norte-americano.

O programa de Proteção Temporária foi criado em 1990 para conceder vistos extraordinários a cidadãos afetados por guerras ou desastres naturais, isto é, pessoas cujas vidas corriam um risco real. O status de proteção tem caráter individual e é concedido caso a caso: assim foi reconhecido pelas autoridades dos EUA a refugiados a quem agora se diz, pura e simplesmente, que Washington mudou de ideia. Essa não é, obviamente, uma forma de ganhar o respeito da comunidade internacional, onde o cumprimento dos compromissos adquiridos é a pedra angular das relações entre países, algo que, ao que parece, Trump não entende.

Como infelizmente vem acontecendo desde que Trump irrompeu na Casa Branca – por exemplo, com o polêmico veto à imigração – a decisão tem numerosos desdobramentos que ameaçam ampliar a tragédia dos próprios norte-americanos. Existem milhares de cidadãos dos EUA – boa parte deles menores de idade – filhos de salvadorenhos acolhidos no Status de Proteção Temporária que podem ver seus pais serem deportados em setembro de 2019. O mesmo ocorre com norte-americanos casados com salvadorenhos, que correm o risco de ter seus cônjuges expulsos.

Trump já atuou antes com a mesma inaceitável desumanidade contra haitianos e nicaraguenses. Mas a magnitude do número de afetados no caso de El Salvador exige pronta retificação da Casa Branca.

 

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