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Incerteza italiana

Eleições de março podem confirmar a vitória populista em um dos grandes países da Europa

O presidente italiano, Sergio Mattarella, após sua reunião com o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, no Palácio do Quirinal, na última quinta-feira.
O presidente italiano, Sergio Mattarella, após sua reunião com o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, no Palácio do Quirinal, na última quinta-feira. EFE

A Itália começa o ano com uma corrida eleitoral que culminará em 4 de março em eleições legislativas cruciais não só para o país, mas para toda a Europa: pela primeira vez uma força populista tem condições de vencer na Itália, um dos grandes países da União Europeia.

O tema da instabilidade dos Governos italianos foi confirmado novamente durante a legislatura recentemente concluída. Houve três primeiros-ministros diferentes: Enrico Letta, Matteo Renzi e Paolo Gentiloni. É preciso acrescentar a essa situação que, com o descrédito da centro-direita, depois de anos de liderança de Silvio Berlusconi, e a implosão da centro-esquerda, apesar dos esforços de reforma feitos especialmente por Renzi, o Movimento 5 Estrelas terminou em uma posição privilegiada.

E isso apesar da profunda reforma eleitoral aprovada — uma inovadora mistura do sistema proporcional e uninominal — que favorece a criação de coligações, sendo que as forças políticas tradicionais contam com mais prática e possibilidades. No entanto, parece que nenhum candidato será capaz de alcançar maioria suficiente para governar com uma mínima estabilidade e, portanto, a possibilidade de que os resultados de março levem a uma nova paralisia política é real.

Mas, além disso, a Itália estará imersa em uma polêmica que inevitavelmente se tornará uma arma durante a campanha e as negociações pós-eleitorais. Trata-se de uma reforma legal para conceder automaticamente a cidadania a crianças nascidas na Itália que sejam filhos de imigrantes estrangeiros, uma medida não adotada por nenhum país da União Europeia. O Governo de Gentiloni tentou aprová-la, mas depois de duros confrontos — inclusive físicos — no Parlamento, decidiu retirar o projeto. A questão agora vai ficar com o próximo Executivo, mas antes, sem dúvida, vai se tornar o principal argumento da campanha.

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