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A última linha chavista

Se Maduro colocar a oposição na ilegalidade vai transformar formalmente a Venezuela em uma ditadura

Nicolas Maduro e o presidente de Cuba, Raúl Castro.
Nicolas Maduro e o presidente de Cuba, Raúl Castro. REUTERS

A implementação de um mecanismo administrativo que vai proibir os partidos de oposição de se apresentar nas eleições presidenciais que a Venezuela vai realizar no próximo ano constitui um ato ilegal cujo único objetivo é perpetuar o chavismo no poder na pessoa de Nicolás Maduro, deixando a oposição fora da lei.

A chamada Assembleia Constituinte venezuelana – organismo escolhido em uma eleição sem as devidas garantias e que usurpou as funções do legislativo legítimo, a Assembleia Nacional – aprovou um decreto pelo qual todos os partidos políticos que não concorreram nas eleições municipais do último dia 10 de dezembro devem se submeter a um processo de legalização.

Como a maioria da oposição democrática se recusou a participar destas eleições pela falta de transparência do sistema concebido pelo chavismo, isso significa que todas as formações envolvidas – entre as quais está Vontade Popular de Leopoldo López, Primeiro Justiça de Henrique Capriles, e Ação Democrática de Henry Ramos – deveriam passar por um processo de legalização para poder apresentar um candidato presidencial. Se for negado o pedido, o resultado não será apenas que Maduro poderia concorrer à reeleição praticamente sozinho, mas que os principais partidos da oposição democrática seriam colocados na ilegalidade definitivamente.

E enquanto isso acontece no interior, o isolamento exterior está crescendo. O último episódio aconteceu na quinta-feira quando os membros do Mercosul – organização que suspendeu a Venezuela por sua deterioração democrática – exigiram que Maduro liberasse os opositores presos e respeitasse a democracia e os direitos humanos.

Se Maduro colocar a oposição na ilegalidade vai transformar formalmente a Venezuela em uma ditadura. E ele será o ditador.

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