Obama recorda a Alemanha nazista para advertir sobre a fragilidade da democracia

“Ficamos complacentes e achamos que as coisas vão continuar como foram até agora, simplesmente de forma automática, e não é assim”, alertou esta semana num ato em Chicago

Barack Obama, em 5 de dezembro em um ato público em Chicago.
Barack Obama, em 5 de dezembro em um ato público em Chicago.SCOTT OLSON (AFP)

O ex-presidente Barack Obama prometeu não se intrometer muito na política do dia a dia. Mas a administração de seu sucessor, Donald Trump, antagonista do democrata em tantas ideias e ações, o levou a tomar atitudes em várias ocasiões desde que deixou a Casa Branca em 20 de janeiro. Nesta semana, num ato em Chicago, recordou um capítulo tão obscuro da história europeia quanto a Alemanha nazista para advertir os norte-americanos de que os valores democráticos não estão livres de riscos.

"Ficamos complacentes e achamos que as coisas vão continuar como foram até agora, simplesmente de forma automática, e não é assim", afirmou Obama, em 5 de dezembro numa conferência em Chicago, cujos comentários foram citados pela AFP. Sem mencionar Trump nem a situação política de nenhum país, o ex-mandatário ressaltou a necessidade de cuidar do "jardim da democracia", já que, do contrário, as coisas desmoronam "com rapidez".

"Agora, imaginem um baile em Viena no final dos anos vinte ou nos anos trinta, bastante sofisticado. Era como se [esse baile], cheio da música, da arte, da literatura e da ciência que despontavam na época, continuasse de maneira perpétua", afirmou o ex-presidente, para concluir: "E então 60 milhões de pessoas morreram. O mundo inteiro mergulhou no caos." Em seguida, pediu para que as pessoas prestassem atenção e votassem.

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Foi o mesmo pedido que ele repetiu à exaustão durante a última campanha presidencial, quando percorreu os Estados Unidos com atos políticos em apoio à candidata democrata Hillary Clinton, que perdeu a disputa. Quando o público vaiava algumas das declarações ou ideias de Trump, Obama costumava replicar: "Não façam 'uuuu'... votem!", num jogo de palavras em inglês que dizia "Don't boo, vote!".

Obama tem criticado políticas concretas de Trump, como sua ameaça ao futuro dos chamados dreamers (sonhadores) – os migrantes que foram trazidos ainda crianças de forma ilegal aos EUA e que cresceram no país. Com a Presidência e o Partido Republicano, porém, ele manteve a tradição de não entrar no corpo a corpo uma vez fora do Governo. Mas enviou algumas indiretas ao novo presidente. "Na política [...] e em todos os âmbitos, vemos o risco de cairmos no refúgio da tribo, do clã e da má vontade com aqueles que não são como nós. Nesses momentos, é preciso coragem. Precisamos de coragem para enfrentar o ódio não apenas contra nós, mas também em nós. Nestes momentos, precisamos de coragem para enfrentar o dogma", disse Obama em maio.

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