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Um dia sem compras contra a Black Friday

Renunciar ao ato de comprar durante um dia é uma ação simbólica, mas por trás dessa decisão está implícita toda uma filosofia que pretende mudar o mundo

Cartaz anunciando ofertas no Black Friday
Cartaz anunciando ofertas no Black Friday EFE

Quer evitar a Black Friday a todo custo? Na próxima sexta-feira será também o Buy Nothing Day, o dia sem compras, que começou a ser realizado em Vancouver (Canadá) em 1992 como forma de protesto contra o consumismo. É possível renunciar ao ato de comprar durante um dia? É uma ação simbólica, mas por trás dessa decisão está implícita toda uma filosofia que pretende mudar o mundo. Há quem pense que o consumismo desmedido em que nosso planeta está imerso desde a metade do século XX não só é ruim para o bolso como para o planeta e o espírito. “É necessário continuar alimentando a cultura do consumo sem limite? O planeta conseguirá suportá-lo?” afirma Kalle Lash, diretor da revista Adbusters, uma publicação canadense que analisa tendências de um ponto de vista crítico, obriga a pensar a partir de perspectivas ecológicas e convida à mudança de atitude em relação ao consumo. A Adbusters começou a promover o chamado ao Buy Nothing Day em 1994, apesar da iniciativa não ter partido da revista, mas de um homem em crise econômica: Ted Dave.

As origens do 'Buy Nothing Day'

Esse designer gráfico canadense, em pleno ataque de frustração pelo encarecimento da vida, cobriu Vancouver de cartazes em 1992 convocando ao Dia de Não Comprar Nada, uma ideia que lhe ocorreu como brincadeira, mas carregada de sentido. Seu objetivo era pedir o boicote ao comércio durante 24 horas “porque tudo ao nosso redor é concebido para nos incitar ao consumo e eu já não aguentava mais”. Era também uma forma de enviar um sinal aos cardeais da economia, alertando-os de que o verdadeiro poder econômico está nas mãos da população. “A ideia de votar com seu dinheiro é uma forma apolítica de procurar soluções a um problema político” explica Dave em seu site.

Dave colaborava com a revista e a redação pegou seu depoimento. “No começo os seguidores desse chamado eram fundamentalmente ecologistas radicais que consideravam que o excesso de consumo era negativo ao planeta. Mas no final do milênio começou a unir gente com uma base mais filosófica, pessoas saturadas pelo bombardeio de mensagens destinadas a estimular o consumo e que se uniram ao Buy Nothing Day para dizer ‘não aguento mais’. Após o 11 de Setembro adquiriu uma dimensão mais política: os atentados demonstraram que as diferenças econômicas são muito grandes e já não são sustentáveis e isso fez com que mais pessoas se unissem ao chamado. Além disso existem budistas, católicos, cristãos... todas as religiões pregam contra a avareza e a acumulação de bens materiais, de modo que entendem muito bem a mensagem do Buy Nothing Day”.

Doar para uma boa causa

Mas se em vez de fechar o bolso a sete chaves durante um dia você preferir dar dinheiro a uma boa causa, existem muitas outras possibilidades, como o Giving Tuesday. “O objetivo é dedicar um dia em todo o mundo a enaltecer a ação de dar, sejam alimentos, dinheiro, tempo (voluntariado), objetos de segunda mão”, entre outros como pode ser lido no site da iniciativa que, nesse ano, será realizada em 28 de novembro.

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