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Padrões violentos

É preocupante que um em cada quatro jovens espanhóis considere normal a violência nas relações conjugais

Manifestação em Elda contra a violência de gênero, após o assassinato de uma mulher nessa localidade
Manifestação em Elda contra a violência de gênero, após o assassinato de uma mulher nessa localidadeManuel Lorenzo / EFE

É muito preocupante que um em cada quatro jovens espanhóis de 15 a 19 anos ache normal que exista violência de gênero em casais. Foi o que disseram 27,4% dos 1.247 entrevistados numa pesquisa realizada em 2017 pelo projeto Scopio da Fundação de Ajuda contra a Dependência de Drogas (FAD). Embora a conscientização sobre a violência machista tenha aumentado entre os jovens – 87% deles consideram que é um problema social grave –, um em cada cinco está muito ou bastante de acordo com a noção de que “a violência machista é um tema politizado que tem sido muito exagerado”.

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Os dados confirmam outros estudos que já haviam advertido sobre a permanência, ou até mesmo o aumento, de algumas condutas machistas entre os jovens. A Macropesquisa Sobre Violência Contra a Mulher de 2015 constata que as jovens de 16 a 25 anos sofrem violência psicológica por parte de seus namorados ou cônjuges, incluindo o controle, numa proporção maior que a sofrida pelas mulheres das outras faixas etárias. Concretamente, 21,1% contra 9,65% do conjunto de mulheres entrevistadas. Isso vincula-se a um padrão cultural muito arraigado: 33% dos espanhóis pensam que o ciúme é uma prova de amor. Essa ideia continua viva entre muitos jovens de ambos os sexos.

O controle é uma das primeiras manifestações de um comportamento que pode desembocar na violência de gênero. No segundo trimestre de 2017, a Espanha registrou 42.600 denúncias por esse motivo. Dos 38 casos que figuram no registro oficial de mulheres assassinadas neste ano até agora, sete correspondem a menores de 30 anos; também eram jovens cinco dos agressores. O pacto selado recentemente pelas forças políticas espanholas enfatiza especialmente as medidas educativas e de prevenção. Esses dados mostram que ainda é preciso fazer muito para erradicar padrões culturais que os jovens reproduzem sem questionar sua origem e suas consequências.

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