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JR, um olhar da sua arte ao redor do mundo

O artista francês deixou sua marca no Rio, mas também no Quênia, França, Estados Unidos ou Palestina

  • JR pisou no morro da Providência pela primeira vez em 2008, em busca de um lugar para expandir seu projeto 'Women are Heroes' (Mulheres são Heroínas), que já tinha intervenções na Libéria e no Quênia. Semanas antes de sua chegada, três meninos do bairro haviam sido sequestrados por militares e entregues como troféu a traficantes de uma favela rival. Foram torturados e assassinados. O clima não era propício para falar de fotos e instalações artísticas. JR recebeu vários 'nãos' antes dos moradores da favela abrirem as portas de suas casas para contar suas histórias.
    1JR pisou no morro da Providência pela primeira vez em 2008, em busca de um lugar para expandir seu projeto 'Women are Heroes' (Mulheres são Heroínas), que já tinha intervenções na Libéria e no Quênia. Semanas antes de sua chegada, três meninos do bairro haviam sido sequestrados por militares e entregues como troféu a traficantes de uma favela rival. Foram torturados e assassinados. O clima não era propício para falar de fotos e instalações artísticas. JR recebeu vários 'nãos' antes dos moradores da favela abrirem as portas de suas casas para contar suas histórias.
  • O artista francês frente à Casa Amarela, seu projeto social no morro da Providência, a primeira favela do Rio de Janeiro.
    2O artista francês frente à Casa Amarela, seu projeto social no morro da Providência, a primeira favela do Rio de Janeiro.
  • A Casa Amarela acaba de ganhar um novo espaço: um quarto em forma de lua para receber artistas convidados a darem aulas às crianças da comunidade.
    3A Casa Amarela acaba de ganhar um novo espaço: um quarto em forma de lua para receber artistas convidados a darem aulas às crianças da comunidade.
  • A Casa Amarela, situada na fronteira invisível disputada por traficantes e policiais, oferece aulas de inglês, arte, música e leitura para as crianças da comunidade.
    4A Casa Amarela, situada na fronteira invisível disputada por traficantes e policiais, oferece aulas de inglês, arte, música e leitura para as crianças da comunidade.
  • A primeira foto com crianças da comunidade que JR colou num muro do morro da Providência foi arrancada logo em seguida. As crianças estavam testando o artista. Ele fingiu não se importar. "Aquilo era para eles, esse era o objetivo do projeto, eu não tinha como dizer nada. Sabia que era um teste", lembra o artista. Quase uma década depois, os meninos da imagem cresceram. Um morreu, outro virou traficante, mas outros trabalham e colaboram com o projeto do francês.
    5A primeira foto com crianças da comunidade que JR colou num muro do morro da Providência foi arrancada logo em seguida. As crianças estavam testando o artista. Ele fingiu não se importar. "Aquilo era para eles, esse era o objetivo do projeto, eu não tinha como dizer nada. Sabia que era um teste", lembra o artista. Quase uma década depois, os meninos da imagem cresceram. Um morreu, outro virou traficante, mas outros trabalham e colaboram com o projeto do francês.
  • Uma primeira intervenção, interrompida temporariamente por um tiroteio, mudou tudo. JR e sua equipe cobriram a enorme escada que atravessa a parte alta da favela, território de disputa entre traficantes e policiais, com a imagem da avó de um dos meninos assassinados. Os moradores a reconheceram e entenderam o poder do papel e da cola. Eles, na verdade, queriam falar e ninguém parecia dar atenção. Até os traficantes permitiram que o francês passasse 25 dias cobrindo suas fachadas de tijolo com os rostos doloridos das mães, amigas e avós daqueles meninos — mulheres anônimas que só queriam um bairro melhor.
    6Uma primeira intervenção, interrompida temporariamente por um tiroteio, mudou tudo. JR e sua equipe cobriram a enorme escada que atravessa a parte alta da favela, território de disputa entre traficantes e policiais, com a imagem da avó de um dos meninos assassinados. Os moradores a reconheceram e entenderam o poder do papel e da cola. Eles, na verdade, queriam falar e ninguém parecia dar atenção. Até os traficantes permitiram que o francês passasse 25 dias cobrindo suas fachadas de tijolo com os rostos doloridos das mães, amigas e avós daqueles meninos — mulheres anônimas que só queriam um bairro melhor.
  • No momento em que o trabalho do artista, um mosaico de olhares e barracos, pôde ser visto do asfalto rico da cidade, o morro da Providência passou a ganhar espaço nas manchetes que iam além da violência e da miséria. Mas quando os jornais quiseram saber o que era aquilo, JR já estava longe: havia deixado todo o protagonismo para as mulheres sem voz da comunidade. “A narrativa delas é muito mais interessante que a minha”, diz. “A cidade via este lugar como um local violento, viam seus moradores como monstros. O poder da arte é mudar a percepção das coisas. Não dá respostas, mas gera muitas perguntas”.
    7No momento em que o trabalho do artista, um mosaico de olhares e barracos, pôde ser visto do asfalto rico da cidade, o morro da Providência passou a ganhar espaço nas manchetes que iam além da violência e da miséria. Mas quando os jornais quiseram saber o que era aquilo, JR já estava longe: havia deixado todo o protagonismo para as mulheres sem voz da comunidade. “A narrativa delas é muito mais interessante que a minha”, diz. “A cidade via este lugar como um local violento, viam seus moradores como monstros. O poder da arte é mudar a percepção das coisas. Não dá respostas, mas gera muitas perguntas”.
  • Um dos primeiros grandes projetos de JR colocou a mira nos subúrbios de Paris. Jovens das periferias vistos como criminais pela burguesia parisiense viraram protagonistas de cartazes gigantes nos bairros ricos da cidade.
    8Um dos primeiros grandes projetos de JR colocou a mira nos subúrbios de Paris. Jovens das periferias vistos como criminais pela burguesia parisiense viraram protagonistas de cartazes gigantes nos bairros ricos da cidade.
  • Em 2009, JR viajou até Kabira, uma favela de Quênia. A comunidade abriu suas portas ao artista. A intervenção combinou imagens na ladeira, no trem de passageiros que passa pela comunidade, e nas casas. O projeto em Kabira cubriu 2.000 metros quadrados de telhados com as imagens de suas mulheres, protegendo os moradores das chuvas. Anos depois, descobriu-se que uma agência de publicidade americana estava roubando as imagens para serem vendidas e reverter o dinheiro em obras de saneamento. Uma iniciativa que muitos moradores e o próprio JR desaprovaram.
    9Em 2009, JR viajou até Kabira, uma favela de Quênia. A comunidade abriu suas portas ao artista. A intervenção combinou imagens na ladeira, no trem de passageiros que passa pela comunidade, e nas casas. O projeto em Kabira cubriu 2.000 metros quadrados de telhados com as imagens de suas mulheres, protegendo os moradores das chuvas. Anos depois, descobriu-se que uma agência de publicidade americana estava roubando as imagens para serem vendidas e reverter o dinheiro em obras de saneamento. Uma iniciativa que muitos moradores e o próprio JR desaprovaram.
  • Uma das últimas grandes instalações artísticas de JR foi na fronteira que separa México dos Estados Unidos. A foto de um enorme bebê mexicano de 20 metros soma-se ao muro que tantas polêmicas tem levantado na era Trump.
    10Uma das últimas grandes instalações artísticas de JR foi na fronteira que separa México dos Estados Unidos. A foto de um enorme bebê mexicano de 20 metros soma-se ao muro que tantas polêmicas tem levantado na era Trump.
  • JR e sua equipe organizaram recentemente um piquenique na fronteira entre Estados Unidos e o México.
    11JR e sua equipe organizaram recentemente um piquenique na fronteira entre Estados Unidos e o México.
  • Uma das muitas vezes que JR foi preso foi em Israel enquanto trabalhava no projeto 'Face 2 Face'. Em 2007, o artista fotografou israelenses e palestinos com a mesma profissão e colou seus rostos frente a frente. Taxistas, professores... todos eram muito parecidos e falavam praticamente o mesmo idioma "como se fossem gêmeos criados separadamente", observou JR.
    12Uma das muitas vezes que JR foi preso foi em Israel enquanto trabalhava no projeto 'Face 2 Face'. Em 2007, o artista fotografou israelenses e palestinos com a mesma profissão e colou seus rostos frente a frente. Taxistas, professores... todos eram muito parecidos e falavam praticamente o mesmo idioma "como se fossem gêmeos criados separadamente", observou JR.
  • A exposição 'Face 2 Face' é considera por JR a maior exposição de arte ilegal já feita. As fotografias gigantes foram coladas em oito bairros de Israel e Palestina e no muro que os separa.
    13A exposição 'Face 2 Face' é considera por JR a maior exposição de arte ilegal já feita. As fotografias gigantes foram coladas em oito bairros de Israel e Palestina e no muro que os separa.
  • Em 2014, o artista foi convidado pelo New York City Ballet para fazer uma instalação de arte em grande escala. JR fotografou dançarinos interagindo com papel, seu material favorito, criando um olho gigante.
    14Em 2014, o artista foi convidado pelo New York City Ballet para fazer uma instalação de arte em grande escala. JR fotografou dançarinos interagindo com papel, seu material favorito, criando um olho gigante.