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‘Hackers’ atacam o site do EL PAÍS

Doze intervenções maciças a partir de países como China e Turquia impediram o acesso às notícias do jornal durante duas horas e meia

‘Hackers’ atacam o site do EL PAÍS

Um grupo de hackers promoveu uma série coordenada de ataques de negação de serviço contra a plataforma digital do EL PAÍS, incluindo o EL PAÍS Brasil, o que impediu o acesso às suas notícias durante duas horas de forma intermitente, entre as 21h30 e a meia-noite desta quarta-feira (hora de Brasília). Na semana passada, o coletivo Anonymous ameaçou iniciar uma campanha em defesa da independência da Catalunha e contra o ambiente digital de diversas instituições espanholas, entre as quais o Tribunal Constitucional, a Casa Real e o Governo, que já foram afetados. Os técnicos do EL PAÍS repeliram os diversos ataques, que foram feitos de forma maciça e coordenada a partir de diversos pontos do mundo.

O ataque distribuído de negação de serviço (DDoS, na sigla em inglês) ocorre quando um grande número de computadores tenta acessar um site ao mesmo tempo, derrubando-o. Entre os 10 ataques desta quarta aos servidores do EL PAÍS em Madri, a maioria do tráfego provinha de países como a China e a Turquia. Isto não significa que os autores do ataque estivessem nesses países: bastava mobilizar fazendas de computadores adormecidos ou aparelhos conectados à rede de forma remota. Os ataques se desenrolaram com uma quantidade enorme de solicitações de conexão, tão volumosas que os roteadores do EL PAÍS afinal não foram capazes de atender a todo o tráfego solicitado.

Também foram afetados pelo ataque outros portais informativos do Grupo PRISA que compartilham plataforma com o EL PAÍS, como os sites das rádios espanholas Cadena SER e 40 Principales, o jornal esportivo Ás e as rádios colombianas Caracol e W.

Desde que a crise catalã se intensificou, com a convocação do referendo proibido pelo Tribunal Constitucional em 1º. de outubro, o EL PAÍS vem publicando várias informações sobre o apoio de redes digitais russas ao independentismo e sobre o apoio de hackers de países na órbita da Rússia à logística da consulta. Horas antes do ataque, este jornal revelou a visita a Barcelona de um aliado de Putin na Ossétia do Sul, uma zona georgiana na órbita do Kremlin cuja independência, proclamada nos anos 1990 em um contexto bélico, só foi reconhecida por Nicarágua, Venezuela e a própria Rússia.

Nos últimos dias, o grupo Anonymous já havia conseguido derrubar diversos sites institucionais da Espanha, incluindo as páginas da Casa Real, do Tribunal Constitucional, do Partido Popular (do presidente do Governo central Mariano Rajoy), do Clube de Madri, da Comissão Nacional de Valores Mobiliários, do Centro Nacional de Inteligência e do clube de futebol Real Madrid, entre outros. Na quarta-feira, os hackers anunciaram um ataque contra a Polícia Nacional depois que a página AnonCatalonia revelou suas suspeitas de que o coletivo tinha sido infiltrado pelas forças de segurança espanholas. De fato, houve tensões dentro desse coletivo de hackers quando a sua conta no Twitter, chamada @anoncatalonia, publicou um arquivo com os supostos telefones de membros do Governo, algo que foi posteriormente desmentido.

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