Seleccione Edição
Login

O que ler na América?

Os correspondentes do EL PAÍS no México, Brasil, Estados Unidos, Argentina, Colômbia e Peru propõem uma lista de leituras com alguns dos livros mais sugestivos publicados recentemente no continente

Buenos Aires / São Paulo / Bogotá / Miami / Washington / México / Lima
  • Quase dois anos depois de sua vitória, muitos argentinos ainda não encontram explicação de como Mauricio Macri pôde chegar ao poder, o presidente mais improvável, o filho de um dos empresários mais ricos e polêmicos do país. Na terra hiperpolitizada do peronismo, um homem sem militância que se tornou famoso por dirigir o Boca Juniors derrotou todos os políticos profissionais. Essa incógnita explica o sucesso do livro de Laura Di Marco (Buenos Aires, 1968), uma conhecida jornalista argentina, que conseguiu ser um best-seller desde o primeiro dia. O texto, com quatro entrevistas com o presidente e 60 com seu entorno, revela um personagem cheio de dúvidas, que fala com naturalidade de suas sessões de terapia com seu psicanalista. Um dirigente que é um experimento de marketing político, mas, ao mesmo tempo, um homem do establishment que domina a Argentina e que, no entanto, o renega. Di Marco revela as duas faces do presidente: o homem influenciado pelo budismo que fala de sua missão na presidência, de fazer o bem para seu país, e a de seu entorno mais obscuro, o de seus amigos empresários menos recomendáveis, vinculados ao jogo. Um livro de fácil leitura e muito útil para entender um personagem a quem ninguém dava nada até que chegou ao cume do poder.  CARLOS E. CUÉ
    1Macri, História Íntima e Secreta da Elite Argentina que Chegou ao Poder (Laura Di Marco) Quase dois anos depois de sua vitória, muitos argentinos ainda não encontram explicação de como Mauricio Macri pôde chegar ao poder, o presidente mais improvável, o filho de um dos empresários mais ricos e polêmicos do país. Na terra hiperpolitizada do peronismo, um homem sem militância que se tornou famoso por dirigir o Boca Juniors derrotou todos os políticos profissionais. Essa incógnita explica o sucesso do livro de Laura Di Marco (Buenos Aires, 1968), uma conhecida jornalista argentina, que conseguiu ser um best-seller desde o primeiro dia. O texto, com quatro entrevistas com o presidente e 60 com seu entorno, revela um personagem cheio de dúvidas, que fala com naturalidade de suas sessões de terapia com seu psicanalista. Um dirigente que é um experimento de marketing político, mas, ao mesmo tempo, um homem do establishment que domina a Argentina e que, no entanto, o renega. Di Marco revela as duas faces do presidente: o homem influenciado pelo budismo que fala de sua missão na presidência, de fazer o bem para seu país, e a de seu entorno mais obscuro, o de seus amigos empresários menos recomendáveis, vinculados ao jogo. Um livro de fácil leitura e muito útil para entender um personagem a quem ninguém dava nada até que chegou ao cume do poder. / CARLOS E. CUÉ Sudamericana
  • Abril de 1982. Pedro tem 18 anos, mas não está fazendo o serviço militar, obrigatório nessa época na Argentina. Um pedido de adiamento para não interromper seus estudos em Letras fez com que não viajasse para tomar parte na Guerra das Malvinas e ficasse encarregado da casa, junto com Fátima, a esposa de seu pai, o tenente-coronel Augusto Vidal. O pai, sim, viajou para “lutar pela pátria”, sem saber que em sua ausência sua família abriria a pior das frentes de batalha. A relação entre um pai e um filho, à qual ao típico choque geracional se somam profundas diferenças ideológicas, e a brutal disputa por um amor impensado reduzem 251 páginas a apenas um suspiro. A história, além do mais, toca no nervo íntimo mais argentino, ambientada em um contexto de crise de identidade, como o que despertou a Guerra das Malvinas.- RAMIRO BARREIRO
    21982 (Sergio Olguín) Abril de 1982. Pedro tem 18 anos, mas não está fazendo o serviço militar, obrigatório nessa época na Argentina. Um pedido de adiamento para não interromper seus estudos em Letras fez com que não viajasse para tomar parte na Guerra das Malvinas e ficasse encarregado da casa, junto com Fátima, a esposa de seu pai, o tenente-coronel Augusto Vidal. O pai, sim, viajou para “lutar pela pátria”, sem saber que em sua ausência sua família abriria a pior das frentes de batalha. A relação entre um pai e um filho, à qual ao típico choque geracional se somam profundas diferenças ideológicas, e a brutal disputa por um amor impensado reduzem 251 páginas a apenas um suspiro. A história, além do mais, toca no nervo íntimo mais argentino, ambientada em um contexto de crise de identidade, como o que despertou a Guerra das Malvinas.- RAMIRO BARREIRO Alfaguara
  • Por que alguém que matou decide tirar a própria vida? Ou na realidade não queria fazer isso e alguém o impeliu a tomar essa decisão? A notícia de vários suicídios de repressores da última ditadura argentina (1976-1983) deu origem a No Pidas Nada (Alfaguara), o último romance policial do jornalista e escritor Reynaldo Sietecase (Rosário, 1961). O protagonista, Luca Gentili, começa uma investigação jornalística em Buenos Aires sobre essas mortes e viaja para o Rio de Janeiro seguindo os passos de dois ex-militares foragidos. Em paralelo, um conhecido advogado portenho investiga o general Martín Belziuk, acusado de assassinar os pais de uma deputada argentina. Ambas as histórias se entrelaçam para trazer à tona uma trama de cumplicidades sinistras tecida entre os dois países vizinhos e que se mantém depois da queda dos regimes que impuseram o terror nos anos 70. -MAR CENTENERA.
    3Não peças nada (Reynaldo Sietecase) Por que alguém que matou decide tirar a própria vida? Ou na realidade não queria fazer isso e alguém o impeliu a tomar essa decisão? A notícia de vários suicídios de repressores da última ditadura argentina (1976-1983) deu origem a No Pidas Nada (Alfaguara), o último romance policial do jornalista e escritor Reynaldo Sietecase (Rosário, 1961). O protagonista, Luca Gentili, começa uma investigação jornalística em Buenos Aires sobre essas mortes e viaja para o Rio de Janeiro seguindo os passos de dois ex-militares foragidos. Em paralelo, um conhecido advogado portenho investiga o general Martín Belziuk, acusado de assassinar os pais de uma deputada argentina. Ambas as histórias se entrelaçam para trazer à tona uma trama de cumplicidades sinistras tecida entre os dois países vizinhos e que se mantém depois da queda dos regimes que impuseram o terror nos anos 70. -MAR CENTENERA. Alfaguara
  • A tênue linha entre a ficção científica e a realidade é o cenário em que se sente mais cômoda Liliana Colanzi (Santa Cruz de la Sierra, 1981), uma das escritoras jovens mais originais da Bolívia. Colanzi vivem em Ithaca, Nova York, e leciona na Universidade Cornell, mas o Norte não a fez perder o sussurro dos povos originários do Sul e os modos mais característicos da literatura latino-americana. O livro reúne oito contos que vagueiam entre a morte, o “além” e essas vozes indígenas que todo o tempo lutam para abrir um lugar no avassalador empuxo da modernidade. - FEDERICO RIVAS MOLINA.
    4Nosso mundo morto (Liliana Colanzi) A tênue linha entre a ficção científica e a realidade é o cenário em que se sente mais cômoda Liliana Colanzi (Santa Cruz de la Sierra, 1981), uma das escritoras jovens mais originais da Bolívia. Colanzi vivem em Ithaca, Nova York, e leciona na Universidade Cornell, mas o Norte não a fez perder o sussurro dos povos originários do Sul e os modos mais característicos da literatura latino-americana. O livro reúne oito contos que vagueiam entre a morte, o “além” e essas vozes indígenas que todo o tempo lutam para abrir um lugar no avassalador empuxo da modernidade. - FEDERICO RIVAS MOLINA. Eterna Cadencia
  • O Drible, de Sérgio Rodrigues, publicado em 2013 começa descrevendo o lance antológico de Pelé sobre o goleiro uruguaio Mazurkiewicz, na semifinal da Copa do Mundo de 1970. É, segundo Murilo Filho, cronista de futebol fictício, o gol mais bonito nunca feito do futebol. A partir do lance, Rodrigues narra a história conflituosa entre o cronista esportivo e seu filho, Murilo Neto, que detesta futebol. O esporte não é o tema do romance, mas mais um personagem, que dá liga à passagem do tempo e expõe os problemas de relacionamento entre pai e filho, além das mudanças históricas brasileiras: da ditadura à redemocratização. O autor, que tem oito livros publicados, e colabora na imprensa brasileira com crônicas e reportagens, ganhou o Prêmio Portugal Telecom de 2014, pelo romance O Drible.  ANDRÉ DE OLIVEIRA
    5O Drible (2013), de Sérgio Rodriges O Drible, de Sérgio Rodrigues, publicado em 2013 começa descrevendo o lance antológico de Pelé sobre o goleiro uruguaio Mazurkiewicz, na semifinal da Copa do Mundo de 1970. É, segundo Murilo Filho, cronista de futebol fictício, o gol mais bonito nunca feito do futebol. A partir do lance, Rodrigues narra a história conflituosa entre o cronista esportivo e seu filho, Murilo Neto, que detesta futebol. O esporte não é o tema do romance, mas mais um personagem, que dá liga à passagem do tempo e expõe os problemas de relacionamento entre pai e filho, além das mudanças históricas brasileiras: da ditadura à redemocratização. O autor, que tem oito livros publicados, e colabora na imprensa brasileira com crônicas e reportagens, ganhou o Prêmio Portugal Telecom de 2014, pelo romance O Drible. / ANDRÉ DE OLIVEIRA Companhia das Letras
  • Órfãos do Eldorado foi a primeira novela e uma das publicações mais recentes de Milton Hatoum, que hoje é reconhecido como um dos autores mais importantes do Brasil. O livro, que se passa numa cidade à beira do rio Amazonas, narra a história de Arminto Cordovil, um velho tido como louco pela população local. A vida de Cordovil, contudo, revela-se como um retrato de uma região e de uma época em que a extração da seiva da árvore seringueira – que é usada na produção de borracha – motivou uma espécie de corrida ao ouro no Brasil. Durante os anos em que extrativistas afluíam para o interior da floresta em busca de riqueza, a Amazônia, com todos os seus mistérios, foi vista, mais uma vez, como uma espécie de Eldorado, terra prometida. Hatoum, nascido em Manaus, é autor também de outros livros já clássicos como Dois Irmãos e Relato de Um Certo Oriente. A.O.
    6Órfãos do Eldorado (2008), de Milton Hatoum Órfãos do Eldorado foi a primeira novela e uma das publicações mais recentes de Milton Hatoum, que hoje é reconhecido como um dos autores mais importantes do Brasil. O livro, que se passa numa cidade à beira do rio Amazonas, narra a história de Arminto Cordovil, um velho tido como louco pela população local. A vida de Cordovil, contudo, revela-se como um retrato de uma região e de uma época em que a extração da seiva da árvore seringueira – que é usada na produção de borracha – motivou uma espécie de corrida ao ouro no Brasil. Durante os anos em que extrativistas afluíam para o interior da floresta em busca de riqueza, a Amazônia, com todos os seus mistérios, foi vista, mais uma vez, como uma espécie de Eldorado, terra prometida. Hatoum, nascido em Manaus, é autor também de outros livros já clássicos como Dois Irmãos e Relato de Um Certo Oriente. A.O. Companhia das Letras
  • Ponciá Vivêncio é o livro mais aclamado de uma das escritoras negras mais conhecidas hoje no Brasil. No romance, Conceição Evaristo traça a história de Ponciá – mulher, negra, pobre e descendente de escravos africanos – sua identidade, seus sonhos e desencantos. Através da trajetória da personagem, que sai do interior em busca de outra vida na cidade grande, mas acaba vivendo em uma favela, desenrolam-se questões como o racismo brasileiro e violência de gênero. A escritora, que também é autora de livros de contos e poesia, tem como marca da sua obra a condição da mulher negra no país. Não por acaso, ela própria tem sua trajetória de vida marcada pela questão: cresceu em uma favela pobre em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e foi empregada doméstica até concluir seus estudos. Hoje, é uma militante ativa no movimento negro e vive no Rio de Janeiro. - A.O.
    7Ponciá Vicêncio (Conceição Evaristo) Ponciá Vivêncio é o livro mais aclamado de uma das escritoras negras mais conhecidas hoje no Brasil. No romance, Conceição Evaristo traça a história de Ponciá – mulher, negra, pobre e descendente de escravos africanos – sua identidade, seus sonhos e desencantos. Através da trajetória da personagem, que sai do interior em busca de outra vida na cidade grande, mas acaba vivendo em uma favela, desenrolam-se questões como o racismo brasileiro e violência de gênero. A escritora, que também é autora de livros de contos e poesia, tem como marca da sua obra a condição da mulher negra no país. Não por acaso, ela própria tem sua trajetória de vida marcada pela questão: cresceu em uma favela pobre em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e foi empregada doméstica até concluir seus estudos. Hoje, é uma militante ativa no movimento negro e vive no Rio de Janeiro. - A.O. Host Publications
  • A Resistência rendeu ao seu autor, Julián Fuks, um dos mais prestigiados prêmios literários do Brasil, o Jabuti, na categoria romance. Encaixar o livro em apenas um gênero, contudo, tem sido uma preocupação para críticos e jornalistas, uma vez que a história narrada é, de certa forma, a própria história familiar do autor. Em 1977, um ano depois do golpe militar na Argentina, seus pais militantes políticos e seu irmão mais velho se exilaram no Brasil. Foi nessa transição pessoal que o escritor buscou as bases para o A Resistência, seu terceiro romance. A obra, para além da questão de classificação – se é uma ficção ou auto-ficção – serve como um retrato das marcas mais íntimas que as ditaduras de direita latino-americanas deixaram.
    8A Resistência (Julian Fuks) A Resistência rendeu ao seu autor, Julián Fuks, um dos mais prestigiados prêmios literários do Brasil, o Jabuti, na categoria romance. Encaixar o livro em apenas um gênero, contudo, tem sido uma preocupação para críticos e jornalistas, uma vez que a história narrada é, de certa forma, a própria história familiar do autor. Em 1977, um ano depois do golpe militar na Argentina, seus pais militantes políticos e seu irmão mais velho se exilaram no Brasil. Foi nessa transição pessoal que o escritor buscou as bases para o A Resistência, seu terceiro romance. A obra, para além da questão de classificação – se é uma ficção ou auto-ficção – serve como um retrato das marcas mais íntimas que as ditaduras de direita latino-americanas deixaram. Companhia das Letras
  • Imaginem o bairro de uma cidade à beira mar, um universo distante dos lugares típicos caribenhos onde a precariedade e a noite servem de pano de fundo para narrar uma relação paterno-filial, a solidão, os limites do amor, a homossexualidade e as consequências da desigualdade. Com uma prosa rápida e precisa, ao mesmo tempo carregada de símbolos, Giuseppe Caputo (Barranquilla, 1982) é um dos jovens autores que estão revolucionando a narrativa colombiana. Em maio entrou na lista Bogotá 39, uma espécie de cânone de escritores latino-americanos com menos de 40 anos apresentado pelo Hay Festival.- FRANCESCO MANETTO
    9Un Mundo Huérfano (Um Mundo Órfão), Giuseppe Caputo Imaginem o bairro de uma cidade à beira mar, um universo distante dos lugares típicos caribenhos onde a precariedade e a noite servem de pano de fundo para narrar uma relação paterno-filial, a solidão, os limites do amor, a homossexualidade e as consequências da desigualdade. Com uma prosa rápida e precisa, ao mesmo tempo carregada de símbolos, Giuseppe Caputo (Barranquilla, 1982) é um dos jovens autores que estão revolucionando a narrativa colombiana. Em maio entrou na lista Bogotá 39, uma espécie de cânone de escritores latino-americanos com menos de 40 anos apresentado pelo Hay Festival.- FRANCESCO MANETTO Random House
  • Yolanda Reyes (Bucaramanga, 1959) explora a complexidade de um assunto que tem pairado na atualidade da Colômbia nas últimas décadas: a adoção e a busca das origens. Que representa para uma criança ter um nome novo, neste caso inspirado em um verso de García Lorca, a partir dos cinco anos? O relato tem duas vozes: a de Belén, uma pequena editora de Madri, e a de Federico, fotógrafo, que regressa à Colômbia para decifrar seu passado. – F.M.
    10Qué Raro Que Me Llame Federico (Que Estranho Eu Me Chamar Federico), Yolanda Reis Yolanda Reyes (Bucaramanga, 1959) explora a complexidade de um assunto que tem pairado na atualidade da Colômbia nas últimas décadas: a adoção e a busca das origens. Que representa para uma criança ter um nome novo, neste caso inspirado em um verso de García Lorca, a partir dos cinco anos? O relato tem duas vozes: a de Belén, uma pequena editora de Madri, e a de Federico, fotógrafo, que regressa à Colômbia para decifrar seu passado. – F.M. Alfaguara
  • Em 5 de junho passado Cem Anos de Solidão completou meio século. Em torno de seu autor, Gabriel García Márquez, se edificou um universo literário, crítico e jornalístico paralelo. Para comprovar isso basta viajar a sua cidade natal, Aracataca, e falar com os moradores. Conrado Zuluaga, que durante décadas centrou seus estudos em Gabo, prefere abordar sua vida a partir de suas obras, de suas palavras: um convite rigoroso à leitura e à busca não somente de seus romances e memórias, mas de todos os seus vestígios escritos. -F.M.
    11No Moriré del Todo (Não Morrerei de Todo) Em 5 de junho passado Cem Anos de Solidão completou meio século. Em torno de seu autor, Gabriel García Márquez, se edificou um universo literário, crítico e jornalístico paralelo. Para comprovar isso basta viajar a sua cidade natal, Aracataca, e falar com os moradores. Conrado Zuluaga, que durante décadas centrou seus estudos em Gabo, prefere abordar sua vida a partir de suas obras, de suas palavras: um convite rigoroso à leitura e à busca não somente de seus romances e memórias, mas de todos os seus vestígios escritos. -F.M. Conrado Zuluaga (Luna Libro)
  • Em meio à proliferação de publicações sobre o processo de paz entre o Governo de Juan Manuel Santos e a organização guerrilheira colombiana FARC, o trabalho de Alfredo Molano oferece uma vantagem substancial: o olhar direto, o conhecimento profundo do ocorrido e a análise histórica. Esse cientista político e jornalista nascido em 1944 é um dos grandes historiadores do conflito armado que acaba de terminar depois de mais de meio século. A Lomo de Mula é uma compilação de 12 textos, publicados originalmente pelo jornal El Espectador. – F.M.
    12A Lomo de Mula (Em Lombo de Mula) Em meio à proliferação de publicações sobre o processo de paz entre o Governo de Juan Manuel Santos e a organização guerrilheira colombiana FARC, o trabalho de Alfredo Molano oferece uma vantagem substancial: o olhar direto, o conhecimento profundo do ocorrido e a análise histórica. Esse cientista político e jornalista nascido em 1944 é um dos grandes historiadores do conflito armado que acaba de terminar depois de mais de meio século. A Lomo de Mula é uma compilação de 12 textos, publicados originalmente pelo jornal El Espectador. – F.M. Alfredo Molano (Aguilar)
  • Em 20 de fevereiro de 1862, em meio à Guerra Civil Americana, Willie Lincoln, terceiro filho de Abraham e Mary Todd Lincoln, morria aos 11 anos de febre tifoide. George Saunders (Amarillo, 1958) elabora em torno do drama do presidente a ficção histórica Lincoln in the Bardo, o esperado primeiro romance deste fenômeno do relato curto, gênero que o consagrou com Dez de Dezembro (Companhia das Letras, 2014). Saunders – formado em engenharia de minas e professor de escrita na Universidade de Siracusa– é uma das vozes mais originais da literatura norte-americana. Emotivo, de humor negro, audaz na forma, Lincoln in the Bardo é o mágico perfil fabulado com raiz histórica da tragédia familiar de um homem mergulhado na grande carnificina fraticida de uma nação. | PABLO DE LLANO
    13Lincoln in the Bardo (Lincoln no Bardo) Em 20 de fevereiro de 1862, em meio à Guerra Civil Americana, Willie Lincoln, terceiro filho de Abraham e Mary Todd Lincoln, morria aos 11 anos de febre tifoide. George Saunders (Amarillo, 1958) elabora em torno do drama do presidente a ficção histórica Lincoln in the Bardo, o esperado primeiro romance deste fenômeno do relato curto, gênero que o consagrou com Dez de Dezembro (Companhia das Letras, 2014). Saunders – formado em engenharia de minas e professor de escrita na Universidade de Siracusa– é uma das vozes mais originais da literatura norte-americana. Emotivo, de humor negro, audaz na forma, Lincoln in the Bardo é o mágico perfil fabulado com raiz histórica da tragédia familiar de um homem mergulhado na grande carnificina fraticida de uma nação. | PABLO DE LLANO George Saunders (Random House)
  • Agora que Trump colocou a Flórida na moda, com sua mansão Mar-a-Lago, a ocasião é insuperável para se conhecer melhor o “Estado mais estranho da América”, como o define o repórter Craig Pittman em seu hilariante livro Oh, Florida!: How America’s Weirdeste State Influences the Rest of the Country. Trump não é de modo algum o mais extravagante desta península em que as notícias de acontecimentos superam com folga o absurdo, onde uma pessoa pode fingir um infarto em um shopping center para roubar uma Barbie ou um tubarão morrer em um acidente de trânsito. Povoado a uma velocidade vertiginosa -1,8 milhão de habitantes em 1940, 20 milhões hoje–, o Estado da Flórida, número um nas listas de fraude fiscal, roubo de identidade e tráfico de comprimidos contra a dor, é ao mesmo tempo um ímã, um exuberante paraíso natural e um campo de batalha eleitoral capaz de decidir a presidência dos EUA. Pittman consegue uma combinação excelente entre a gargalhada e a informação sobre um lugar cuja primeira bandeira estatal trazia um lema que era em si uma declaração de intenções: Let us Alone (Deixem-nos em paz). | PABLO DE LLANO
    14Oh, Florida!: How America's Weirdest State Influences the Rest of the Country  (Oh, Flórida!: Como o Estado Mais Estranho da América Influencia o Resto do País) Agora que Trump colocou a Flórida na moda, com sua mansão Mar-a-Lago, a ocasião é insuperável para se conhecer melhor o “Estado mais estranho da América”, como o define o repórter Craig Pittman em seu hilariante livro Oh, Florida!: How America’s Weirdeste State Influences the Rest of the Country. Trump não é de modo algum o mais extravagante desta península em que as notícias de acontecimentos superam com folga o absurdo, onde uma pessoa pode fingir um infarto em um shopping center para roubar uma Barbie ou um tubarão morrer em um acidente de trânsito. Povoado a uma velocidade vertiginosa -1,8 milhão de habitantes em 1940, 20 milhões hoje–, o Estado da Flórida, número um nas listas de fraude fiscal, roubo de identidade e tráfico de comprimidos contra a dor, é ao mesmo tempo um ímã, um exuberante paraíso natural e um campo de batalha eleitoral capaz de decidir a presidência dos EUA. Pittman consegue uma combinação excelente entre a gargalhada e a informação sobre um lugar cuja primeira bandeira estatal trazia um lema que era em si uma declaração de intenções: Let us Alone (Deixem-nos em paz). | PABLO DE LLANO Craig Pittman (St. Martin’s Press)
  • No século XXI, a caneta analítica de Joan Didion se tornou um escalpelo que dissecava sua própria dor e, desde então, cada publicação era um prazer literário, mas também uma viagem milímetro a milímetro por um sofrimento que, embora em momentos se tornasse luminoso, era, no final das contas, sofrimento. Essa etapa em sua carreira se reverteu este ano com South and West: From a Notebook, uma atípica publicação de textos inéditos de 1970, quando empreendeu duas viagens opostas e complementares pela Califórnia e o Sul dos EUA. A vigência de suas observações sobre um país dividido, cheio de comunidades isoladas até quase a autossuficiência, e a variedade de entrevistas, anotações naturalistas e experiências vividas em primeira pessoa tornaram a associar Didion ao grande jornalismo.  MATEO SANCHO
    15South and West: From a Notebook (Sul e Oeste: De um Notebook) No século XXI, a caneta analítica de Joan Didion se tornou um escalpelo que dissecava sua própria dor e, desde então, cada publicação era um prazer literário, mas também uma viagem milímetro a milímetro por um sofrimento que, embora em momentos se tornasse luminoso, era, no final das contas, sofrimento. Essa etapa em sua carreira se reverteu este ano com South and West: From a Notebook, uma atípica publicação de textos inéditos de 1970, quando empreendeu duas viagens opostas e complementares pela Califórnia e o Sul dos EUA. A vigência de suas observações sobre um país dividido, cheio de comunidades isoladas até quase a autossuficiência, e a variedade de entrevistas, anotações naturalistas e experiências vividas em primeira pessoa tornaram a associar Didion ao grande jornalismo. / MATEO SANCHO Joan Didion (Knopf Publishing)
  • As memórias de El Jefe servem para se saber onde beijou e bebeu pela primeira vez, onde quiseram dar-lhe um chute no traseiro e como foi seu primeiro acidente de moto, mas também permitem percorrer a América de macacão azul, viajar no tempo aos bairros operários de Nova Jersey nos anos 50, o fechamento das indústrias têxteis, o racismo interiorizado, os distúrbios, a violência... A autobiografia de Bruce Springsteen é um relato evocador de muitos dos temas sobre os quais os Estados Unidos estão se perguntando com o fenômeno de Donald Trump. Escrito em um estilo muito pessoal –maiúsculas, reticências....–, contém detalhes íntimos, como a luta contra a depressão e a difícil relação com o pai.  AMANDA MARS
    16Born to run. Autobiografia As memórias de El Jefe servem para se saber onde beijou e bebeu pela primeira vez, onde quiseram dar-lhe um chute no traseiro e como foi seu primeiro acidente de moto, mas também permitem percorrer a América de macacão azul, viajar no tempo aos bairros operários de Nova Jersey nos anos 50, o fechamento das indústrias têxteis, o racismo interiorizado, os distúrbios, a violência... A autobiografia de Bruce Springsteen é um relato evocador de muitos dos temas sobre os quais os Estados Unidos estão se perguntando com o fenômeno de Donald Trump. Escrito em um estilo muito pessoal –maiúsculas, reticências....–, contém detalhes íntimos, como a luta contra a depressão e a difícil relação com o pai. / AMANDA MARS Random House
  • As misérias da vida literária serviram ao autor mexicano para retratar com insuperável ironia e sarcasmo o dia a dia dos escritores por intermédio, geralmente, de Arturo Murray, uma espécie de alter ego igualmente mordaz. Autor, entre outros, de La Fila India (A Fila Indiana – Océano, 2013) e Méjico (Océano, 2015), La Vaga Ambición, seis contos nos quais impera a convicção de que escrever é necessário, consolida Ortuño como um dos melhores contistas hispânicos da atualidade, e não só de seu país.  | JAVIER LAFUENTE
    17La Vaga Ambición (A Vaga Ambição) As misérias da vida literária serviram ao autor mexicano para retratar com insuperável ironia e sarcasmo o dia a dia dos escritores por intermédio, geralmente, de Arturo Murray, uma espécie de alter ego igualmente mordaz. Autor, entre outros, de La Fila India (A Fila Indiana – Océano, 2013) e Méjico (Océano, 2015), La Vaga Ambición, seis contos nos quais impera a convicção de que escrever é necessário, consolida Ortuño como um dos melhores contistas hispânicos da atualidade, e não só de seu país. / | JAVIER LAFUENTE Antonio Ortuño (Páginas de Espuma)
  • A violência, onipresente no México de hoje, também no de ontem e no de anteontem, pelo menos, permeia os 11 contos de La Superficie Más Honda, de Emiliano Monge. Não se trata somente da violência dos decapitados ou das valas comuns. Há outra violência, se é que seja possível dividi-la em categorias, como a miséria ou o silêncio, que devora os personagens dos relatos de Monge; a que, de fato, o escritor insiste que mais o interessa.  J. L.
    18La Superficie Más Honda (A Superfície Mais Funda) A violência, onipresente no México de hoje, também no de ontem e no de anteontem, pelo menos, permeia os 11 contos de La Superficie Más Honda, de Emiliano Monge. Não se trata somente da violência dos decapitados ou das valas comuns. Há outra violência, se é que seja possível dividi-la em categorias, como a miséria ou o silêncio, que devora os personagens dos relatos de Monge; a que, de fato, o escritor insiste que mais o interessa. / J. L. Emiliano Monge (Random House)
  • Em setembro de 1973, José Emilio Pacheco publicava sua primeira coluna semanal no jornal Excélsior condenando o assassinato de Salvador Allende no Chile e comparando sua resistência com a dos “invencíveis mapuches”, que nunca se renderam ante os conquistadores espanhóis. Em janeiro de 2014, o último dia de sua vida, dedicou sua coluna à morte de seu amigo e também poeta Juan Gelman. Mais de quatro décadas contando ao México a cultura do México e do mundo. De Víctor Hugo a Jack o estripador, passando por Borges e Lázaro Cárdenas. Sem algazarra nem confete, com a precisão e rigor sintético que também empregava em sua poesia o Prêmio Cervantes 2009. - DAVID MARCIAL PÉREZ
    19Inventarios (Inventários) Em setembro de 1973, José Emilio Pacheco publicava sua primeira coluna semanal no jornal Excélsior condenando o assassinato de Salvador Allende no Chile e comparando sua resistência com a dos “invencíveis mapuches”, que nunca se renderam ante os conquistadores espanhóis. Em janeiro de 2014, o último dia de sua vida, dedicou sua coluna à morte de seu amigo e também poeta Juan Gelman. Mais de quatro décadas contando ao México a cultura do México e do mundo. De Víctor Hugo a Jack o estripador, passando por Borges e Lázaro Cárdenas. Sem algazarra nem confete, com a precisão e rigor sintético que também empregava em sua poesia o Prêmio Cervantes 2009. - DAVID MARCIAL PÉREZ José Emilio Pacheco (ERA)
  • Depois de três décadas governando o México com o punho e a espada, acossado por uma forte crise econômica e uma pujante burguesia liberal e nacionalista, em 1908 Porfirio Díaz aceitava em uma entrevista o jogo democrático de partidos para as eleições seguintes. Dois anos mais tarde, não cumpriu a promessa. Foi o estopim da Revolução. Aos 81 anos, o militar mexicano partia para o exílio europeu. Os últimos fragmentos de sua vida íntima, além da política, sua complexa relação com os EUA e sua chegada a essa Europa que tanto o fascinara concentram a última obra de Rafael Tovar y de Teresa, diplomata e historiador mexicano e ministro da Cultura até sua morte no ano passado. –D.M.P.
    20De la Paz al Olvido. Porfirio Díaz y el Final de un Mundo (Da Paz ao Esquecimento, Porfirio Díaz e o Fim de Um Mundo) Depois de três décadas governando o México com o punho e a espada, acossado por uma forte crise econômica e uma pujante burguesia liberal e nacionalista, em 1908 Porfirio Díaz aceitava em uma entrevista o jogo democrático de partidos para as eleições seguintes. Dois anos mais tarde, não cumpriu a promessa. Foi o estopim da Revolução. Aos 81 anos, o militar mexicano partia para o exílio europeu. Os últimos fragmentos de sua vida íntima, além da política, sua complexa relação com os EUA e sua chegada a essa Europa que tanto o fascinara concentram a última obra de Rafael Tovar y de Teresa, diplomata e historiador mexicano e ministro da Cultura até sua morte no ano passado. –D.M.P. Rafael Tovar y de Teresa (Taurus)
  • Com cerca de 30.000 exemplares vendidos, A Distância Que Nos Separa (Verus, 2017) tornou Renato Cisneros (Lima, 1976) o autor peruano de maior sucesso da década. Com Dejarás la Tierra, Cisneros volta a escavar seu passado familiar, agora para retroceder até esses ancestrais que definem sua linhagem com seus acertos, mentiras, segredos e ambiguidades. O narrador chega à cidade do primeiro Cisneros, um sacerdote que pregava na região serrana peruana e teve sete filhos bastardos. -RAÚL TOLA
    21Dejarás la Tierra (Deixarás a Terra) Com cerca de 30.000 exemplares vendidos, A Distância Que Nos Separa (Verus, 2017) tornou Renato Cisneros (Lima, 1976) o autor peruano de maior sucesso da década. Com Dejarás la Tierra, Cisneros volta a escavar seu passado familiar, agora para retroceder até esses ancestrais que definem sua linhagem com seus acertos, mentiras, segredos e ambiguidades. O narrador chega à cidade do primeiro Cisneros, um sacerdote que pregava na região serrana peruana e teve sete filhos bastardos. -RAÚL TOLA Renato Cisneros (Planeta)
  • Nos últimos três anos, o escritor peruano Alonso Cueto (Lima, 1954) se dedicou a romancear o fenômeno da violência política que assolou o Peru nos anos 80 e parte dos 90, deixando profundas fraturas emocionais e sociais. Com La Segunda Amante del Rey, Cueto volta ao universo dos afetos, preconceitos e costumes das classes abastadas limenhas, com sua frivolidade e suas meias verdades. Cueto disse que “o mexerico é o grande motor da vida limenha” e com este livro demonstra que também pode ser o ponto de partida para uma narração vibrante, que alimenta a ainda incipiente tradição do romance policial no Peru. –R.T.
    22La Segunda Amante del Rey (A Segunda Amante do Rei) Nos últimos três anos, o escritor peruano Alonso Cueto (Lima, 1954) se dedicou a romancear o fenômeno da violência política que assolou o Peru nos anos 80 e parte dos 90, deixando profundas fraturas emocionais e sociais. Com La Segunda Amante del Rey, Cueto volta ao universo dos afetos, preconceitos e costumes das classes abastadas limenhas, com sua frivolidade e suas meias verdades. Cueto disse que “o mexerico é o grande motor da vida limenha” e com este livro demonstra que também pode ser o ponto de partida para uma narração vibrante, que alimenta a ainda incipiente tradição do romance policial no Peru. –R.T. Alonso Cueto (Random House)
  • Nada é o que parece; sempre há algo oculto, esgarçado, sórdido ou triste, coberto por uma pátina de aparências, convenções e obrigações. Basta atrever-se a querer ver, e para isso é preciso coragem. Estas parecem ser as premissas de Katia Adaui (Lima, 1977), que com este livro se consolida como uma das escritoras peruanas mais sutis e originais dos últimos anos. Aquí Hay Icebergs é um conjunto de relatos que permitem a Adaui explorar o pequeno e complexo mundo das relações familiares, cheias de sutilezas e contradições. E ela o faz com uma linguagem límpida e precisa, cuja aparente secura contrasta com as intensas pulsões subjacentes em cada história. – R. T.
    23Aquí hay icebergs (Aqui Há Icebergs) Nada é o que parece; sempre há algo oculto, esgarçado, sórdido ou triste, coberto por uma pátina de aparências, convenções e obrigações. Basta atrever-se a querer ver, e para isso é preciso coragem. Estas parecem ser as premissas de Katia Adaui (Lima, 1977), que com este livro se consolida como uma das escritoras peruanas mais sutis e originais dos últimos anos. Aquí Hay Icebergs é um conjunto de relatos que permitem a Adaui explorar o pequeno e complexo mundo das relações familiares, cheias de sutilezas e contradições. E ela o faz com uma linguagem límpida e precisa, cuja aparente secura contrasta com as intensas pulsões subjacentes em cada história. – R. T. Katya Adaui (Random House)
  • A ditadura de Alberto Fujimori chegou ao fim. Fartos da crise terminal vivida –com a economia quebrada e as ruas tomadas pela violência–, há dez anos que Francisco e Diego («El Chato») se foram. Todo esse tempo viveram uma longa noite de excessos e confusão entre Nova York e a Europa. No regresso se deparam com uma sociedade em plena decomposição, onde a corrupção, a brutalidade e o caos são a norma. Com esse romance finalista do Prêmio Herralde, Diego Trelles (Lima, 1977) volta a cutucar as duas obsessões que revisita com maior insistência: a escrita e a violência. – R.T.
    24La Procesión Infinita (A Procissão Infinita) A ditadura de Alberto Fujimori chegou ao fim. Fartos da crise terminal vivida –com a economia quebrada e as ruas tomadas pela violência–, há dez anos que Francisco e Diego («El Chato») se foram. Todo esse tempo viveram uma longa noite de excessos e confusão entre Nova York e a Europa. No regresso se deparam com uma sociedade em plena decomposição, onde a corrupção, a brutalidade e o caos são a norma. Com esse romance finalista do Prêmio Herralde, Diego Trelles (Lima, 1977) volta a cutucar as duas obsessões que revisita com maior insistência: a escrita e a violência. – R.T. Diego Trelles (Anagrama)