Editoriais
i

Perseguição à imprensa na Turquia

Erdogan não pode continuar no caminho do autoritarismo

Erdogan, durante um ato de seu partido
Erdogan, durante um ato de seu partidoAP

Estamos diante de um clamor unânime. Antes do malsucedido golpe de Estado de julho, a Turquia já batia recordes internacionais de prisões de jornalistas – intoleráveis em qualquer circunstância, mas ainda mais em um país que afirma ser uma democracia, membro do Conselho da Europa e candidato à adesão à União Europeia.

Mais informações

Agora, 19 jornalistas, funcionários e diretores do jornal turco Cumhuriyet enfrentam um pedido de prisão de sete a 43 anos feito pelo Promotor. A acusação? Apoiar o golpe de Estado de julho e obedecer as ordens de seu suposto instigador Fethullah Gülen, o clérigo exilado nos EUA e antigo aliado do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

A União Europeia, o Conselho da Europa, a Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), junto com todas as organizações que defendem a liberdade de imprensa (PEN, Repórteres sem Fronteiras e a Federação Internacional de Jornalistas), denunciaram a motivação política do julgamento. Estamos diante de mais um episódio do expurgo feito pelas autoridades turcas, que após depurar o Exército, os juízes, a administração civil e os professores, pretendem finalizar agora sua tarefa perseguindo o Cumhuriyet, representante do jornalismo livre e comprometido, infelizmente em extinção na Turquia de hoje.

A perseguição à imprensa coincide com a prisão da diretora da Anistia Internacional e cinco colaboradores da organização sob a absurda acusação de colaborar com o terrorismo. A Alta Representante da UE para a Política Exterior, Federica Mogherini, se reuniu na segunda-feira com o Ministro das Relações Exteriores turco para informá-lo da profunda preocupação da União Europeia pelo lamentável comportamento das autoridades turcas. O Presidente Erdogan não pode continuar por esse caminho: caso contrário, a ruptura entre a Europa e a Turquia será inevitável.

Mais informações