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Em copos redondos bebemos mais rápido e outros truques dos restaurantes para consumirmos

O formato dos copos, a escolha dos talheres... Tudo é calculado, mas agora já sabemos

  • “Comer com os olhos” não é apenas um dizer: segundo um estudo liderado pelo Instituto Nacional de Genética de Shizuoka, no Japão, existe um vínculo direto entre a percepção visual da comida e a vontade de comer. Ao menos em muitas espécies animais, nas quais se comprovou que a informação visual se transmite ao hipotálamo, uma região do cérebro que, entrou outras muitas coisas, regula as sensações de fome e saciedade. Outro estudo, do Instituto alemão Max Planck, comprovou que o aspecto da comida pode aumentar a concentração no sangue de um hormônio chamado grelina, que provoca em nós a sensação de apetite. Mas não é apenas a comida que ativa esses mecanismos: a maneira como os alimentos são servidos também influencia, e muito, e inclusive como nos explicam seu preparo. Os restaurantes sabem bem, e suas estratégias de sedução triunfam na maioria das vezes. Aqui revelamos algumas:
    1“Comer com os olhos” não é apenas um dizer: segundo um estudo liderado pelo Instituto Nacional de Genética de Shizuoka, no Japão, existe um vínculo direto entre a percepção visual da comida e a vontade de comer. Ao menos em muitas espécies animais, nas quais se comprovou que a informação visual se transmite ao hipotálamo, uma região do cérebro que, entrou outras muitas coisas, regula as sensações de fome e saciedade. Outro estudo, do Instituto alemão Max Planck, comprovou que o aspecto da comida pode aumentar a concentração no sangue de um hormônio chamado grelina, que provoca em nós a sensação de apetite. Mas não é apenas a comida que ativa esses mecanismos: a maneira como os alimentos são servidos também influencia, e muito, e inclusive como nos explicam seu preparo. Os restaurantes sabem bem, e suas estratégias de sedução triunfam na maioria das vezes. Aqui revelamos algumas:
  • talheres de metal
    2Os talheres de metal Os talheres que utilizamos são feitos de metal –principalmente prata e aço inoxidável–, plástico ou madeira –no caso dos palitos e objetos ecológicos– e, de acordo com qual deles usamos, a comida é percebida de forma diferente. É o que afirma um estudo liderado por Betina Piqueras-Fiszman, da Universidade Politécnica de Valencia. Entre outras coisas, a pesquisa destaca que os alimentos são melhor avaliados, e percebidos como de maior qualidade, quando se usa talhares de metal em vez dos de plástico. O professor da Universidade de Oxford Charles Spence, especializado em psicologia aplicada a técnicas de consumo e física gastronômica, acrescenta ainda mais: em um teste com 150 pessoas se serviu os mesmos pratos com talheres diferentes. Quem comeu com os talheres mais pesados considerou que o menu tinha aspecto melhor apenas ao vê-lo, e, ao finalizar, ficou mais satisfeito. A conclusão foi a mesma que a do estudo de Piqueras-Fiszman: não gostamos de talheres extremamente leves, como ocorre com os de plástico, e percebemos mais qualidade no metal.
  • ...Ou quadrados e pretos. Somos influenciados pela forma e a cor do prato em que a comida é servida? Sim, o prato incide em como percebemos os sabores, em como avaliamos sua qualidade, e influencia, inclusive, em nossa avaliação sobre o tamanho da refeição que nos foi oferecida. Isso é o que afirma um estudo codirigido por Peter C. Stewart, psicólogo da Universidade Memorial de Newfoundland, no Canadá. Os resultados indicam que na posição número um do ranking ficam os pratos brancos e redondos, que realçam nossa opinião sobre elementos básicos, como a intensidade do sabor ou seu ponto de doçura. Por outro lado, na hora de opinar sobre elementos um pouco mais complexos, como a qualidade e o gosto da comida, também se destacam, no mesmo nível, os pratos quadrados e pretos.
    3Os pratos redondos e brancos... ...Ou quadrados e pretos. Somos influenciados pela forma e a cor do prato em que a comida é servida? Sim, o prato incide em como percebemos os sabores, em como avaliamos sua qualidade, e influencia, inclusive, em nossa avaliação sobre o tamanho da refeição que nos foi oferecida. Isso é o que afirma um estudo codirigido por Peter C. Stewart, psicólogo da Universidade Memorial de Newfoundland, no Canadá. Os resultados indicam que na posição número um do ranking ficam os pratos brancos e redondos, que realçam nossa opinião sobre elementos básicos, como a intensidade do sabor ou seu ponto de doçura. Por outro lado, na hora de opinar sobre elementos um pouco mais complexos, como a qualidade e o gosto da comida, também se destacam, no mesmo nível, os pratos quadrados e pretos.
  • cor da xícara de café
    4Na xícara vermelha parece mais quente Segundo um experimento realizado por George H. Van Doom, da Escola de Ciências da Saúde e Psicologia da Universidade Federation, da Austrália, a cor da xícara em que tomamos café gera diferenças em como nossas papilas gustativas o registram. Comparando as avaliações de pessoas que tomaram café em uma xícara branca e as que o fizeram em uma xícara transparente, descobriram que os primeiros classificaram o café como menos doce que os segundos. Em outro experimento realizado com 200 pessoas que foram convidadas a tomar café em xícaras de diferentes cores –azul, verde, amarelo e vermelho–, a percepção de temperatura variou bastante: 38% afirmaram que o café servido na xícara vermelha estava mais quente, uma porcentagem seguida pelos que pensaram que era o que estava nas amarelas (28,3%). Em terceiro e quarto ficaram os que votaram nas xícaras verde (20%) e azul, (13,3%).
  • música restaurante
    5Música clássica para comer, e mais alta para beber Segundo afirmou Charles Spencer em sua conferência 'Gastrophysics: The Science of Dining from Restaurant Music to Sonic Crisps' (Algo domo 'Gastrofísica: a ciência de comer da música do restaurante ao som do crocante') os restaurantes de luxo sabem bem que a música clássica consegue engrossar a conta de seus clientes em 10% em comida e vinho em relação a outros estilos menos voltados a esse relaxamento. Por outro lado, a música alta motiva a beber. Isso é o que conclui uma equipe de pesquisados da Universidade da Bretanha do Sul, em Lorient Cedex, na França, após observar experimentalmente em vários bares da região que a presença ou não de música, seu ritmo e inclusive os distintos estilos musicais podem ser associados a diferentes níveis de álcool. Manipulando discretamente o volume, viram como afetava o consumo de álcool. Com um som alto, afirma o estudo, as pessoas ficam mais agitadas e não podem socializar, então bebem mais.
  • O consumo excessivo de álcool é um problema em grande parte do mundo e causa, segundo a OMS, 2,5 milhões de mortes por ano. Por isso, na Universidade de Bristol, no Reino Unido, realizou um estudo para estabelecer quais quantidades de álcool consumimos dependendo do copo ou da taça em que somos servidos e da percepção associada do volume do conteúdo. Com base em uma mostra de 160 jovens que bebem de forma social –que não são alcoólatras–, foram separados dois grupos que foram colocados para ver um documentário para que se distraíssem e serviu-se cerveja e refrigerante em dois tipos de copo: retos e curvos. Os que beberam sua cerveja no copo reto levaram 13 minutos para acabá-la, enquanto os que beberam no curvo só oito. O mesmo teste também foi feito com refrigerante e, por outro lado, não houve diferença entre os diferentes copos. Parece que o ritmo que estabelecemos para nós mesmos para a velocidade em que bebemos está vinculado à nossa percepção de quanto ainda temos no copo, algo que no copo curvo não fica tão claro; ao contrário, parece que contém mais bebida do que de fato há, algo que nos incita a continuar bebendo.
    6Em copo reto se bebe menos O consumo excessivo de álcool é um problema em grande parte do mundo e causa, segundo a OMS, 2,5 milhões de mortes por ano. Por isso, na Universidade de Bristol, no Reino Unido, realizou um estudo para estabelecer quais quantidades de álcool consumimos dependendo do copo ou da taça em que somos servidos e da percepção associada do volume do conteúdo. Com base em uma mostra de 160 jovens que bebem de forma social –que não são alcoólatras–, foram separados dois grupos que foram colocados para ver um documentário para que se distraíssem e serviu-se cerveja e refrigerante em dois tipos de copo: retos e curvos. Os que beberam sua cerveja no copo reto levaram 13 minutos para acabá-la, enquanto os que beberam no curvo só oito. O mesmo teste também foi feito com refrigerante e, por outro lado, não houve diferença entre os diferentes copos. Parece que o ritmo que estabelecemos para nós mesmos para a velocidade em que bebemos está vinculado à nossa percepção de quanto ainda temos no copo, algo que no copo curvo não fica tão claro; ao contrário, parece que contém mais bebida do que de fato há, algo que nos incita a continuar bebendo.
  • Nomes dos cardápios
    7Prefere o ecológico ou da vovó? Sem dúvida não é a mesma coisa pedir um simples sanduíche de queijo e um sanduíche de pão artesanal com queijo de cabra curado temperado com azeite de oliva extra virgem e tomates ecológicos cultivados pela vovó. A forma como os pratos do cardápio são explicados nos predispõe a fazer determinadas escolhas. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Novi Sad, na Sérvia, deixamos nos influenciar em especial por nomes ligados à saúde, ao sentimentalismo e à origem étnica dos alimentos. Assim comprovaram após avaliar a escolha de diferentes pessoas ante cinco menus idênticos, mas explicados com enfoques diferentes, denominados, clássico, sentimental, autêntico, nacional e ecológico-saudável. A sopa de frango foi chamada assim mesmo no menu clássico, mas no sentimental recebeu o nome de “sopa de frango amarelo da vovó” (amarelo pela alimentação a base de milho). No menu autêntico se definiu como “sopa clara de frango”, no nacional como “sopa de frango da granja de Vojvodina", e no ecológico de “sopa de frango da fazenda em liberdade”. Por essa ordem, os alimentos mais desejados foram os do menu ecológico-saudável, seguido pelos do sentimental, nacional, autêntico e clássico.

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