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Avião com cocaína saiu da Bolívia e não da fazenda de Blairo Maggi, diz PF

Contrariando versão inicial divulgada pela Força Aérea Brasileira, Polícia Federal de Goiás diz que aeronave não saiu do Mato Grosso

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em uma visita à fábrica da JBS.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em uma visita à fábrica da JBS. REUTERS

O avião que transportava 662 quilos de cocaína decolou da Bolívia, segundo o GPS da aeronave. A informação, confirmada pela Polícia Federal de Goiás, onde o avião foi interceptado no domingo, contraria o que divulgou a Força Aérea Brasileira (FAB) na segunda-feira. Segundo a FAB, o piloto da aeronave havia afirmado que o avião saíra da Fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo do Pareceis (MT). A fazenda pertence ao Grupo Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura Blairo Maggi.

Desde então, o ministro vem se pronunciando por meio da sua conta no Twitter e sua página no Facebook. Na noite de terça-feira, ele publicou nas redes sociais as duas páginas do depoimento do piloto, Apoenã Índio do Brasil Siqueira Rocha, 21, detido na segunda-feira juntamente com o copiloto. Além de todos os dados pessoais do piloto, as páginas publicadas pelo ministro mostram que Apoenã afirmou que saiu da Bolívia com os 662 quilos de cocaína e que receberia 90.000 reais pela droga transportada de lá para o Brasil.

O piloto disse que ele e o copiloto saíram de Santo Antônio de Leverger (MT) com a aeronave na sexta-feira 23, e foram até Cuiabá para abastecer. No domingo de madrugada, afirmou que partiram com o avião do aeroporto de Cuiabá com destino à Bolívia, onde receberam a droga, e voltaram para o Brasil no mesmo dia, com destino a Jussara (GO). Disse que não parou em nenhum lugar no caminho e que mentiu, no plano de voo, ao dizer que na ida havia saído de Cuiabá (MT) com destino à Fazenda Tucunaré, próxima à cidade de Sapezal (MT), e que na volta saíra da Fazenda Itamarati até Aragarças (GO). O piloto também afirma que o copiloto, Fabiano, disse que era o dono do avião.

Pelo depoimento não é possível saber se o piloto não foi questionado ou se não informou em que parte da Bolívia ele recebeu a droga, nem quem entregou a droga para ele naquele país e tampouco quem era o receptor aqui no Brasil. Um dos focos da investigação agora será identificar as siglas encontradas nos fardos da droga, onde constam "SP", "CR7" e "NETO", que o piloto afirmou desconhecer os significados.

Depois de publicar as duas páginas do depoimento, o ministro escreveu na rede social que era "lamentável" ter passado por "um vexame público desnecessário".

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