Cruzeirenses se mobilizam para retirar homenagens a Aécio e Perrella

Torcedores e conselheiros temem que clube seja associado à corrupção. Além dos senadores, outros quatro membros do Conselho estão envolvidos no escândalo

Aécio Perrella JBS
Aécio e Perrella: envolvidos no caso de propina da JBS. AFP

Além das repercussões em Brasília, o afastamento de Aécio Neves do Senado sob acusação de ter recebido propina de 2 milhões de reais do empresário Joesley Batista, dono da JBS/Friboi, atingiu em cheio o ambiente político do Cruzeiro. Uma das empresas de Gustavo Perrella, filho do senador e ex-presidente Zezé Perrella, que teve breve passagem como diretor de futebol entre 2009 e 2010, foi apontada como intermediária na transação. O caso resultou na prisão de outros dois conselheiros do clube, Mendherson Souza Lima, assessor parlamentar de Zezé, e Frederico Pacheco, primo de Aécio. Ao todo, seis membros do Conselho cruzeirense são alvo de investigação da Operação Lava Jato, já que a Polícia Federal também determinou buscas na casa de Euler Nogueira Mendes, ex-auditor fiscal da Raposa.

Com receio de que o avanço das investigações arranhe a imagem do clube, dirigentes tentam minimizar os danos enquanto conselheiros e torcedores se mobilizam para retirar homenagens aos senadores das dependências celestes. O salão nobre na sede administrativa do Cruzeiro leva o nome de Aécio Neves, enquanto o prédio foi batizado de “Zezé Perrella” em 2003, no início da gestão de seu irmão Alvimar de Oliveira Costa. Torcedores já criaram uma petição reivindicando a retirada dos nomes da sede por causa das suspeitas de corrupção. Uma ala de conselheiros de oposição aos Perrella pretende levar o pedido à próxima reunião do Conselho.

“Nosso estatuto prevê a expulsão de conselheiros que sejam condenados em primeira instância. Como se trata de um caso de repercussão nacional, que prejudica a imagem do Cruzeiro, precisamos rever pelo menos as homenagens prestadas aos dois envolvidos”, afirma Fernando Torquetti, membro do Conselho desde 2001. Na última quinta-feira, o atual presidente do clube, Gilvan de Pinho Tavares, se pronunciou sobre o escândalo e reiterou que nenhum dos envolvidos faz parte de sua diretoria. “Espero que o nome do Cruzeiro seja preservado e torço para que o ex-presidente [Zezé Perrella] continue sendo ficha-limpa”, disse Gilvan.

Perrella, que foi presidente do clube por quatro mandatos e revezou-se no poder com o irmão Alvimar ao longo de 17 anos, é pré-candidato nas eleições internas que devem ocorrer em dezembro. Para Márcio Rodrigues Silva, que também pretende lançar candidatura no pleito, ainda é cedo para avaliar se Perrella desistirá de concorrer ou sofrerá alguma sanção do Conselho. “Precisamos esperar as investigações e que ele seja julgado, se for o caso.” Aécio, por sua vez, tornou-se em 2008, quando ainda era governador de Minas Gerais, o primeiro grande benemérito do Cruzeiro. Aécio Cunha, pai do senador, foi conselheiro por quase 50 anos. Já Mendherson, Frederico e Euler raramente frequentam o clube. “Eles foram conselheiros nomeados pelo Zezé e compõem sua base de aliados, mas só aparecem para votar a favor dos Perrella nas eleições. Assim como Aécio, eles não participam de forma ativa no Conselho”, diz Torquetti.

Os seis conselheiros cruzeirenses, incluindo Aécio, já haviam sido investigados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suspeitas de enriquecimento ilícito, ocultação de bens e fraude em licitações. Em um dos processos, que acabou arquivado, Zezé Perrella foi acusado de desviar recursos do Cruzeiro por meio do auditor Euler Nogueira Mendes, que, segundo o MPMG, também seria o contador responsável pelas finanças da família Perrella. Na época, o então vice-presidente do clube alegou que seu aumento patrimonial era fruto dos lucros das empresas em que aparecia como sócio. Hoje senador, Perrella também nega que qualquer integrante de sua família tenha recebido dinheiro da JBS.

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