Janot pede prisão de Aécio Neves, mas Supremo nega

Caso só vai ao plenário se a PGR recorrer da decisão do ministro Edson Fachin.

Mandato do senador está suspenso por determinação do STF

Aécio Neves e Michel Temer
Aécio Neves e Michel Temer, em maio do ano passado, alvo das acusações dos executivos da JBS. AP

O Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento do cargo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional de seu partido, por suspeita de ter pedido 2 milhões de reais de propina aos sócios do frigorífico JBS. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do parlamentar, mas o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, negou o pedido. O plenário da Corte só analisará o caso de Aécio nesta quinta-feira se a PGR recorrer da decisão do ministro do STF. A  informação é de fontes de seu gabinete.

Também perde temporariamente as funções de parlamentar o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que teria sido filmado recebendo 500.000 reais como propina de representantes do grupo.

O STF também autorizou a prisão da irmã de Aécio, Andrea—suspeita de ajudá-lo no esquema criminoso – e do procurador da República Angelo Goulart. Ele é o primeiro membro do Ministério Público Federal envolvido no escândalo da Lava Jato. Atuante na operação Greenfield, ele é suspeito de repassar informações sigilosas de investigações para o grupo ligado à empresa JBS.

O procurador Goulart teria sido gravado por Joesley Batista, um dos sócios do conglomerado. No acordo de delação, Joesley também repassou à força-tarefa alguns dos documentos sigilosos que o procurador Villela repassou a ele.

Na manhã desta quinta-feira, policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão nos gabinetes de Aécio e de Zezé Perrela no Senado, e em uma das salas da procuradoria eleitoral, onde o procurador Goulart atuava. Os funcionários da Casa tiveram de aguardar na porta o final da operação.

Gravações em posse da Procuradoria Geral da República flagraram Aécio pedindo dois milhões de reais a Joesley Batista, dono do grupo JBS, com a justificativa que necessitava da quantia para pagar sua defesa na Operação Lava Jato, de acordo com informações adiantadas ontem pelo O Globo.

Segundo O Globo, as gravações foram entregues por Batista à Justiça como prova em sua delação premiada. Ele teria se encontrado com Aécio no dia 24 de março no hotel Unique, em São Paulo, depois que sua irmã, Andréa Neves, abordou o empresário para combinar o encontro via WhatsApp e telefone. Ainda segundo o jornal, Batista aceitou o pedido e questionou quem pegaria a mala com o dinheiro. "Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança", teria dito Neves, de acordo com O Globo. "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", completou o senador. Fred, segundo o jornal, seria Frederico Pacheco de Medeiros, seu primo e um dos coordenadores de sua campanha em 2014.

A nova rota de investigações a partir da delação da JBS piora ainda mais o quadro do tucano, que já é alvo de seis inquéritos no STF. As delações da Odebrecht já o haviam colocado como suspeito de arrecadar recursos em caixa 2 para suas campanhas eleitorais e de seus aliados, fraude em processos de licitação (para a construção da Cidade Administrativa, sede do Governo em Minas Gerais) e recebimento de vantagem indevida em obras de hidrelétricas como a de Jirau e Santo Antônio.

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