Casal capixaba: “Decidimos estocar comida”

Casal sai de casa pela primeira vez em dias em Vitória em meio à onda de insegurança

Casal que resolveu estocar comida em Vitória.
Casal que resolveu estocar comida em Vitória.Heloísa Mendonça

Trancados dentro de casa desde a onda de violência que se instaurou no Espírito Santo no fim de semana, muitos capixabas começam a sair de casa em busca de mantimentos. Nos últimos dois dias, os supermercados que abriram as portas em Vitória ficaram lotados e os moradores tiveram que enfrentar longas filas.

Mais informações

“Como não sabemos até quando a cidade vai ficar nesse caos, achamos melhor comprar comida para estocar enquanto o supermercado ainda está aberto”, conta Juliano Castro, parado em uma fila de supermercado na zona norte de Vitória. No dia anterior, ele também já tinha enfrentado uma espera de 1h30 para pagar as compras. Ontem nem carrinho tinha. Estava uma luta”, explica ao lado da mulher Karen. Professora da rede privada, ela confessa estar com “pânico de sair de casa”, mas a necessidade de mantimentos falou mais alto.

Com uma procura mais alta que o habitual de alimentos e problemas com os fornecedores, os próprios supermercados também estão ficando sem alguns itens. Gilvan Rodrigues, gerente do supermercado Carone, explica que está enfrentando problemas de reposição de produtos. “Muitos fornecedores não estão fazendo entrega e alguns funcionários também não conseguem chegar aqui já que os ônibus não estão circulando”. Segundo o gerente, a solução foi alugar um carro para buscar os empregados e também, por segurança, reduzir o horário de funcionamento do estabelecimento. “Funcionamos geralmente até às 23h, mas agora estamos fechando as portas no início da tarde, às 15h”.

As irmãs Luisa e Margarida Tavares saíram de casa pela primeira vez, desde o fim de semana, nesta tarde. “Estávamos sem papel higiênico e café, mas estamos com bastante medo”. As estudantes contam que na noite de quarta-feira escutaram muitos tiros no bairro Jardim da Penha, em Vitória. “Estamos muito inseguras com todas essas mortes acontecendo. Parece que até uma mulher morreu com uma bala perdida ontem”, explica.

As filas também eram grandes nas lotéricas abertas da cidade. Maria da Glória , auxiliar de uma escola pública, esperava já mais de 2h30 para conseguir pagar algumas contas. “Essa situação está muito ruim. A polícia e o Governo tem que entrar num acordo logo, porque quem está sofrendo com o caos somos nós, a população”, desabafou.