Brexit

Theresa May revela finalmente o roteiro para o ‘Brexit’

Primeira-ministra britânica afirma que indica que o Reino Unido ficará fora do mercado comum europeu

Theresa May durante uma conferência, hoje em Londres.
Theresa May durante uma conferência, hoje em Londres.POOL (REUTERS)

O Reino Unido ficará fora do mercado comum europeu. Nada de estar “metade dentro, metade fora”, nada “de manter pedaços” e de se manter em “um dos modelos já existentes”. Em seu lugar, o Governo da primeira-ministra Theresa May buscará um “novo e ambicioso acordo de livre comércio” com o bloco, quando o abandonar completamente. Essa foi a promessa feita na terça-feira pela premiê britânica, no discurso mais importante pronunciado desde sua chegada a Downing Street há seis meses, e no qual colocou suas prioridades em relação à negociação da saída do país da União Europeia.

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Para acabar com quaisquer dúvidas, ocorrerá um Brexit total. Uma saída completa da União Europeia (UE) que garantirá ao Reino Unido a recuperação plena do controle sobre suas fronteiras. A menos de três meses do vencimento da ligação autoimposta para começar o processo de negociação, e uma semana antes da Justiça se pronunciar em segunda instância sobre a necessidade de o Parlamento aprovar o Brexit, a primeira-ministra quis ir mais longe: o acordo de saída resultante do processo de dois anos que abre o artigo 50 do Tratado da UE, deverá ser aprovado pelas duas câmaras legislativas.

Em seu esperado discurso, May destacou que buscará um acordo transitório que evite a “queda em um precipício” temida pelos setores empresarial e financeiro se os dois anos de negociação acabarem sem a definição de uma nova relação comercial com o bloco. A fala de May foi recebida com um aumento da libra esterlina, após as fortes quedas de segunda-feira.

A premiê afirmou que busca um acordo que satisfaça as duas partes e disse que seria um “calamitoso ato de autolesão” para a União Europeia tentativa de impor um castigo ao Reino Unido para evitar que um acordo favorável provoque um efeito contagioso em outros Estados membros. Nesse caso, ameaçou May, alinhada com as advertências feitas no final de semana por seu ministro da Economia, o Reino Unido estaria disposto a utilizar a política fiscal para se transformar em uma espécie de paraíso fiscal para atrair as empresas.

Em um discurso que durou aproximadamente uma hora, a líder do Executivo britânico enumerou 12 pontos sobre os quais irá se sustentar seu projeto de divórcio do país com Bruxelas. Os membros do Parlamento, entretanto, terão a última palavra a respeito.

A líder do Executivo britânico enumerou 12 pontos sobre os quais irá se sustentar seu projeto de divórcio do país a UE, mas o Parlamento tem a última palavra 

Entre as prioridades de May, como destacou, está a garantia dos direitos dos oriundos de outros países da UE que vivem no Reino Unido, assim como os dos britânicos residentes em outros países do bloco. O interesse do Governo britânico e de seus ainda parceiros europeus, afirmou, é “resolver esse desafio o quanto antes”.

A imigração foi outro pilar sobre o qual May se estendeu. Ela anunciou que, após o futuro Brexit, o país controlará todas as pessoas que entrarão no país e que, isso sim, atrairá os profissionais “mais brilhantes” e inteligentes para facilitar-lhes sua estadia no Reino Unido.

May também descartou, fechando a porta aberta pelo chanceler do Exchequer (Tesouro) em dezembro, continuar contribuindo economicamente aos cofres da UE. “Os dias de contribuir anualmente ao orçamento europeu irão acabar”, afirmou.

“Deixamos a UE, mas não a Europa”, declarou no começo de seu discurso, no qual quis adotar um tom conciliador, até mesmo reconhecendo que o Reino Unido foi algumas vezes um membro “incômodo” na UE. Disse que sua intenção é que o Reino Unido seja “o melhor amigo” de uma UE cujo sucesso, insistiu, será positivo ao seu país. “O voto para abandonar a UE”, acrescentou, “não significa abandonar os valores europeus”. Mas pediu colaboração a Bruxelas e disse que a inflexibilidade demonstrada pelos outros 27 membros na negociação de um novo acordo para o país com seu predecessor, David Cameron, foi determinante no momento dos britânicos decidirem abandonar a UE no plebiscito de junho.

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