Guerra na Síria

Putin anuncia cessar-fogo na Síria entre o regime de Bashar al-Assad e os rebeldes

Fim das hostilidades entrará em vigor à meia-noite de quinta para sexta Guerra síria já dura quase seis anos e soma mais de 300.000 mortos

Vladimir Putin, com o ministro da Defesa russo, Serguei Choigu, em Moscou no dia 29 de dezembro.
Vladimir Putin, com o ministro da Defesa russo, Serguei Choigu, em Moscou no dia 29 de dezembro.Mikhail Klimentyev (AP)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira um cessar-fogo entre os grupos rebeldes e o regime de Bashar al-Assad na guerra síria. O fim das hostilidades entrará em vigor à meia-noite de quinta para sexta, hora local. A Rússia, que apoia Al Assad, e a Turquia, principal aliado dos que se levantaram contra ele em 2011, serão os garantidores da trégua. O acordo não se estende aos grupos terroristas como o Estado Islâmico e o Fateh al-Sham, antes chamado Frente Al-Nusra.

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“Com esse acordo, as partes concordaram em encerrar todos os ataques armados, incluindo os aéreos, e nos prometeram não expandir as áreas que têm sob seu controle”, diz um comunicado do Ministério das Relações Exteriores turco. O porta-voz da Coalizão de oposição, Ahmad Ramadan, declarou à agência de notícias France Presse que aceitam as condições do cessar-fogo. “A Coalizão Nacional apoia o acordo, e pede a todas as partes que se submetam a ele”, disse. Mas o chefe das relações exteriores do poderoso grupo rebelde Ahrar al-Sham, Labib Nahhas, disse à Al Jazeera que ainda não receberam o rascunho da proposta de trégua. De acordo com o veículo de comunicação árabe, não está claro quais grupos participaram das negociações prévias.

Putin, durante um encontro com vários de seus ministros, anunciou que foram assinados três documentos: o primeiro, entre o Governo e a oposição armada sobre o cessar-fogo em todo o território da Síria; o segundo detalha as medidas para o controle do regime do fim das hostilidades, e o terceiro é a declaração de que estão dispostos a começar diálogos de paz para encontrar uma solução ao problema sírio. A guerra na Síria que já dura quase seis anos e no qual morreram pelo menos 300.000 pessoas.

“Compreendemos muito bem que todos os acordos assinados são muito frágeis, exigem muita atenção e paciência, atitude profissional e um constante contato com nossos aliados na região”, disse Putin. O presidente russo lembrou que a Rússia, Turquia e Irã já se comprometeram há dez dias, após uma reunião tripartite em Moscou dos ministros das Relações Exteriores, “não só a controlar o processo de solução pacífica, mas também a serem seus garantidores”.

O acordo foi definido após a vitória do Exército sírio e de seus aliados, graças em boa parte ao apoio aéreo russo, na batalha de Aleppo, de onde os insurgentes foram expulsos recentemente. Os partidários de Al Assad tomaram o controle total da que foi a capital econômica da Síria após a evacuação de mais de 200.000 civis, de rebeldes e de suas famílias.

O presidente Putin anunciou também a redução da presença militar russa no país árabe após o acordo de cessar-fogo. “Concordo com a proposta do Ministério da Defesa sobre a redução de nossa presença militar na Síria, levando em consideração que, certamente, continuaremos a luta contra o terrorismo internacional”, disse o presidente russo, após seu ministro da Defesa, Serguei Choigu, explicar que com o cessar-fogo existem todas as condições para a diminuição do número de soldados russos.

O objetivo do acordo, diz o texto, é conseguir uma solução em concordância com a resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU e frisa que a Turquia apoiará esse processo de paz com a esperança de que o quanto antes as partes em conflito – o regime de Damasco e a oposição síria – se reunirão “sob a vigilância dos países garantidores” na capital do Cazaquistão para avançar na solução política do conflito.

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