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Netanyahu isola ainda mais Israel

Governos do mundo todo estão repetindo há anos que os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada são ilegais

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A resolução 2334 aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU marca o que Governos do mundo todo estão repetindo há anos para Benjamin Netanyahu: a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada é ilegal, porque viola o direito internacional, e imoral, porque priva os palestinos de um Estado próprio.

Que a resolução tenha sido aprovada por todo o Conselho e com o voto de países que mantêm excelentes relações com Israel deveria levar o primeiro-ministro israelense a refletir sobre o grau perigoso de isolamento internacional em que se encontra o país. A reação imediata de ordenar a suspensão temporária de contatos com os países –incluindo a Espanha – que votaram a favor da resolução não é a forma mais inteligente de agir, pois torna mais evidente o isolamento.

Nos últimos anos, Netanyahu usou em sua estratégia internacional as mesmas manobras de sua política doméstica: contra todos, esperando sempre um giro inesperado favorável. Neste caso, o primeiro-ministro israelense aguarda a chegada de Donald Trump à Casa Branca no final de janeiro, mas isso – graças à decisão de se abster de Barack Obama – não cancela a resolução histórica.

Não podemos esquecer: Netanyahu aceitou apenas em 2009 que a paz em Israel só pode acontecer se palestinos tiverem seu próprio Estado. Desde então, ele repetiu isso em poucas ocasiões e sua aparente indiferença em relação à paz foi acompanhada por uma grande permissividade na expansão das colônias.

Especial menção merece a atuação irregular de Trump ao conseguir, com pressões, que o Egito retirasse uma primeira proposta de votação, como se já fosse presidente. É uma interferência inaceitável a favor de um Netanyahu que é especialista, como o norte-americano, na arte da interferência política e em fazer e dizer coisas perigosamente contraditórias.