_
_
_
_
Coluna
Artigos de opinião escritos ao estilo de seu autor. Estes textos se devem basear em fatos verificados e devem ser respeitosos para com as pessoas, embora suas ações se possam criticar. Todos os artigos de opinião escritos por indivíduos exteriores à equipe do EL PAÍS devem apresentar, junto com o nome do autor (independentemente do seu maior ou menor reconhecimento), um rodapé indicando o seu cargo, título académico, filiação política (caso exista) e ocupação principal, ou a ocupação relacionada com o tópico em questão

A maior descoberta do século aconteceu em 2016

Revista 'Science' elege as ondas gravitacionais como o achado mais relevante de 2016

Cientista observa uma representação das ondas gravitacionais durante a apresentação da descoberta, em 11 de fevereiro
Cientista observa uma representação das ondas gravitacionais durante a apresentação da descoberta, em 11 de fevereiroJULIAN STRATENSCHULTE (EFE)

Não tenho a menor dúvida de que 2016 será um ano que dificilmente esquecerei. Este foi um ano de grandes avanços científicos em muitos campos e de importantes descobertas, mas, entre todas elas, uma foi muito especial para mim e meus colaboradores: as primeiras observações de ondas gravitacionais com o LIGO.

Mais informações
“Nas próximas décadas, veremos muitas coisas nunca vistas antes”
Ciência confirma a teoria das ondas gravitacionais de Albert Einstein
Biografia íntima da primeira onda gravitacional
O som das ondas gravitacionais no seu celular

Desde que em 11 de fevereiro, depois de minuciosas análises, as colaborações científicas LIGO e Virgo anunciaram a primeira detecção direta de ondas gravitacionais e a primeira observação da fusão de um sistema binário de buracos negros, as desconhecidas ondas gravitacionais atraíram a atenção da mídia e da maioria dos mais prestigiados prêmios internacionais. Não é de estranhar, já que estas primeiras detecções diretas de ondas gravitacionais foram, sem dúvida, uma das conquistas científicas mais importantes do século, não só porque serviram para validar um dos pilares da física moderna, a teoria da relatividade geral, precisamente em seu centenário, mas também porque se abre uma nova janela de onde observar o Universo, com o potencial de descobrir sistemas astronômicos agora inimagináveis.

Pessoalmente, depois de ter dedicado 20 anos de minha carreira à caracterização dos instrumentos, ao desenvolvimento de algoritmos específicos para poder extrair minúsculos sinais do ruído e ao estudo do potencial científico de distintos detectores, esta descoberta me inundou de grande satisfação.

A história dos detectores de ondas gravitacionais remonta aos anos 60. Ainda assim a busca de ondas gravitacionais está apenas começando. Nos próximos anos, à medida que os detectores avançados LIGO e Virgo se aproximarem de sua sensibilidade de projeto, observaremos de forma regular alguns dos fenômenos mais energéticos e violentos do universo. Isso será decisivo no avanço da física fundamental, astrofísica e cosmologia, permitindo-nos explorar importantes questões, como o modo como se formam os buracos negros, se a relatividade geral é a descrição correta da gravidade ou como se comporta a matéria sob condições extremas. No futuro, novas gerações de detectores permitirão fazer astronomia de alta precisão, como o detector europeu “Einstein Telescope” ou o observatório da Agência Espacial Europeia “LISA”, que poderiam começar a operar na década de 30.

Graças ao desenvolvimento da tecnologia, os interferômetros LIGO são capazes de operar no extremo dos limites fundamentais da física, sendo os instrumentos ópticos mais sensíveis jamais construídos. Utilizando luz laser, são capazes de comparar a longitude de seus braços com uma precisão superior a 1/10.000 partes do diâmetro de um protón. Nosso grupo de Relatividade e Gravitação, da Universidade das Ilhas Baleares, está totalmente voltado para a análise dos dados desses detectores. Também estamos envolvidos no desenvolvimento e otimização de algoritmos específicos de buscas junto com a construção de catálogos de padrões de ondas gravitacionais, que são imprescindíveis para estudar as fusões de sistemas binários, como os descobertos este ano.

Neste momento, os detectores LIGO voltam a operar em modo de observação, embora seu funcionamento não vá ser interrompido durante as férias. Todos nós estamos ansiosos e preparados para que a natureza nos surpreenda de novo e possamos contar isso. Mas parece claro que este ano não haverá nenhum alerta no dia de Natal.

Alicia Sintes é pesquisadora do grupo da colaboração científica LIGO na Universidade das Ilhas Baleares

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo

¿Quieres añadir otro usuario a tu suscripción?

Si continúas leyendo en este dispositivo, no se podrá leer en el otro.

¿Por qué estás viendo esto?

Flecha

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo y solo puedes acceder a EL PAÍS desde un dispositivo a la vez.

Si quieres compartir tu cuenta, cambia tu suscripción a la modalidad Premium, así podrás añadir otro usuario. Cada uno accederá con su propia cuenta de email, lo que os permitirá personalizar vuestra experiencia en EL PAÍS.

En el caso de no saber quién está usando tu cuenta, te recomendamos cambiar tu contraseña aquí.

Si decides continuar compartiendo tu cuenta, este mensaje se mostrará en tu dispositivo y en el de la otra persona que está usando tu cuenta de forma indefinida, afectando a tu experiencia de lectura. Puedes consultar aquí los términos y condiciones de la suscripción digital.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_