Meio século de sua morte

Os melhores e os piores filmes de Walt Disney

Há 50 anos morria um dos grandes produtores de Hollywood, criador de império de desenho animado

O produtor Walt Disney. EFE

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Walt Disney morreu aos 65 anos de idade em 15 de dezembro de 1966, vítima de um câncer do pulmão, pois fumou compulsivamente durante toda a vida. Dirigiu apenas curtas-metragens, não chegou a desenhar muito. No entanto, ficou para a história uma imagem de Disney como um mago da animação, provavelmente por ter sido um grande organizador, um produtor com faro que soube reunir esforços e contratar os melhores desenhistas. Dentre os inúmeros filmes produzidos sob seu comando, selecionamos, aqui, os melhores e os piores.

Os melhores filmes

Fantasia (1940). Leopold Stokowski dirigiu a orquestra neste que foi o segundo longa-metragem da empresa de Disney e um dos projetos mais queridos pelo próprio Walt. Sem diálogos, à exceção das conversas entre o rato Mickey e Stokowski, o filme é constituído por sete sequencias ilustradas por oito fragmentos de obras de música clássica interpretadas pela Orquestra de Filadélfia. Ainda hoje, é algo delicioso.

Dumbo (1941). Depois do fracasso econômico de Fantasia, a empresa voltou à simplicidade e criou o pequeno Jumbo, um elefante antropomórfico que ganhou o apelido de Dumbo (por causa de dumb, bobo), ridicularizado por causa de suas orelhas enormes, com as quais acabará conseguindo voar. Só pela cena da bebedeira, já mereceria um lugar de honra na história do cinema.

Peter Pan (1953). A versão da história de J. M. Barrie estreou no festival de Cannes, e marcou a última vez em que os Nove Anciãos — os nove grandes desenhistas da companhia — trabalharam juntos. Assim surgiu para o mundo o menino que não queria crescer, cercado por um punhado de personagens secundários maravilhosos.

20 mil léguas submarinas (1954). O estúdio Disney não fazia somente desenhos animados, e os seus filmes com atores de carne e osso foram realmente fracos, com exceção de 20 mil léguas..., dirigido por Richard Fleisher e estrelado por Kirk Douglas e James Mason, como capitão Nemo. A lula gigante ainda dá medo e o submarino ainda brilha no Cinemascope em que foi filmado.

Os piores filmes

Bernardo e Bianca (1977). É um dos piores trabalhos da Disney. Estreou em meados de 1978, tendo sido o último projeto nascido de uma ideia do próprio Walt Disney, que falecera dez anos antes. Vale a pena destacá-lo porque um dos desenhistas colou uma imagem de uma garota da Playboy em uma janela. Isso mesmo. No mundo da animação, sempre se soube disso, mas no cinema era quase impossível vê-la, até que a obra foi lançada em vídeo, em 1999, e o público, usando o recurso de pausa, podia percebê-la. A essa altura já não havia nenhum executivo da velha guarda, e ninguém alertou os mais novos sobre isso. Resultado: 3,4 milhões de cópias tiveram de ser recolhidas do mercado.

Merlin, o mágico (1963). A vida do rei Artur antes de ser o rei Artur e sua amizade com o mágico Merlin. Foi o 18º longa de animação da empresa e um filme absolutamente insosso, sem graça, em que uma grande história é totalmente desperdiçada. Até mesmo os desenhos parecem indolentes.

As aventuras de Ichabod e o sr. Sapo (1949). Durante a Segunda Guerra Mundial, o estúdio esteve à beira de fechar as portas. É considerado um filme de encomenda, como também o foram Alô Amigos, Você já foi à Bahia?, Música, maestro!, Como é Bom se Divertir e Tempo de melodia, filmes compostos por curtas e realizados para tentar salvar a fragilizada situação econômica do estúdio. Neste caso há dois curtas, Sr. Sapo e As aventuras de Ichabod. Ambos sem alma. A empresa parou de produzir essa série de obras para voltar aos clássicos com Alice (1950).

A bela adormecida (1959). Foi o último filme com Disney ainda em vida baseado em um conto de fadas, cujo gênero só foi retomado bem depois, com A pequena sereia. Apesar de ter levado dez anos para ser feito (as vozes foram gravadas em 1952), o conto de Perrault não despertou muitas paixões. Envelheceu realmente mal.