Marina Silva, a candidata preferida no momento

Misteriosa para uns, novidade para outros e perigo para os políticos tradicionais. Essa parece ser Marina hoje

Marina Silva, em abril.
Marina Silva, em abril.Elza Fiuza/Agência Brasil

O mundo político despertou esta semana com uma novidade que surpreende e preocupa ao mesmo tempo. Segundo a última pesquisa do Datafolha, nas eleições presidenciais de 2018, o Brasil elegeria como novo Presidente da República a ex-senadora e líder do minúsculo partido Rede Sustentabilidade, a ecologista Marina Silva.

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Seria ela quem venceria no segundo turno todos os possíveis candidatos, incluídos Lula, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, ao mesmo tempo em que apresenta um baixo índice de rejeição dos eleitores: 15% contra os 45% de Michel Temer e 44% de Lula ou 30% de Neves.

A surpresa e a preocupação são ainda maiores porque hoje 63% dos brasileiros pedem eleições antecipadas, apesar de que isso só seria possível constitucionalmente se Temer deixasse a presidência antes do dia 31 deste mês, algo pouco provável. Se Temer abandonasse seu posto a partir de primeiro de janeiro, as eleições seriam indiretas, por meio do Congresso.

O que desconcerta sobre o resultado da pesquisa do Datafolha é que se as eleições acontecessem hoje, Marina Silva derrotaria todos os candidatos no segundo turno. E isso apesar de a ecologista contar com um partido de pouco peso e ela mesma ter estado muda e desaparecida durante todos esses meses de tormenta política.

Urge, portanto, perguntar-se a que pode se dever essa “surpresa Marina”, que deveria fazer pensar tanto o mundo político dos grandes partidos como os intelectuais.

Os analistas deverão estudar com mais interesse esse divórcio entre os desejos das pessoas da rua e a de seus políticos e governantes, semelhantes às linhas assíntotas da hipérbole, que parecem caminhar juntas mas na realidade nunca se encontram. A história está nos revelando, na verdade, surpresas importantes e nem sempre agradáveis nem democráticas. Para apontar apenas alguns dos possíveis motivos desse triunfo que Marina teria hoje nas urnas, talvez se trate de estar recolhendo em sua Rede os órfãos da debandada dos eleitores da esquerda, sobretudo do PT, que foi dizimado nas últimas eleições municipais.

A ecologista foi chamada de “Lula de saias”. Caminharam juntos por 25 anos. Fundou com ele o PT e foi escolhida em seu primeiro governo como ministra do Meio Ambiente. É difícil classificar politicamente a ecologista, mas sem dúvida não navega nas águas dos conservadores. É uma progressista ambiental, mais verde do que vermelha, mas se distingue dos partidos tradicionais por seu modo de conceber a política deste século. E goza de integridade moral e boa reputação na imprensa mundial.

Apesar de ter sido política a vida toda, Marina aparece diante da sociedade como a líder da antipolítica. Ela afirma que o seu não é um partido tradicional, mas uma “rede” na qual os diferentes também cabem.

Marina Silva é e continuará sendo até 2018 uma incógnita política. Acusada, até pelos seus, de ser autoritária e excessivamente exigente e misteriosa, a verdade é que os dados da pesquisa indicam que continua representando um perigo real para os candidatos dos partidos tradicionais.

Seria preciso perguntar-se o que veem nela hoje os desiludidos, críticos e irritados eleitores para preferi-la aos demais. Sobre seu desaparecimento de cena neste período de convulsão política, há quem lembre que Marina é daquelas que sabe esperar, em silêncio, à margem do rio, o cadáver de seu inimigo passar.

Misteriosa para uns, novidade para outros e perigo para os políticos tradicionais. Essa parece ser Marina Silva hoje.