A ‘ovelha negra’ da família Trump

Tiffany, a mais nova das duas filhas do presidente-eleito, foi excluída dos vídeos de campanha e é controlada nas redes sociais, onde é muito ativa

Donald e Tiffany Trump, em 26 de outubro, em Washington.
Donald e Tiffany Trump, em 26 de outubro, em Washington.MANDEL NGAN (AFP)

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Tiffany Trump, 23 anos, filha do presidente eleito dos EUA Donald Trump,  se chama assim em homenagem à famosa loja de diamantes localizada bem ao lado do arranha-céu que leva o sobrenome de seu bilionário pai, em Nova York. Começando assim, sua vida só poderia mesmo transcorrer em meio ao luxo e à extravagância. Nicole Ritchie, Paris Hilton, até mesmo as Kardashian – ninguém parece ser páreo para ela.

Tiffany Trump chega com um currículo eclético, que inclui um diploma em Direito na Universidade da Pensilvânia (a mesma Ivy League onde toda a sua família estudou), uma experiência como estagiária na Vogue e um single de pop dance, intitulado Like a Bird, que ninguém escutou em 2011. Mas, sobretudo, tem um perfil com 490.000 seguidores no Instagram, o qual, mesmo depois de ser filtrado para não prejudicar a imagem de seu pai, solta faíscas. Lá convivem filtros do Snapchat, imagens patrióticas, festas de biquíni, poses sensuais, porcos vietnamitas comendo sorvete e cartões-postais na neve.

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Em muitas das fotos ela aparece com sua mãe, a segunda mulher de Trump, Marla Maples, que a criou em Los Angeles longe do republicano. Maples e Trump se casaram poucos meses depois do nascimento de Tiffany, em 13 de outubro de 1993, e se divorciaram em 1999.

Apesar de ela se considerar filha de mãe solteira e de ter toda a pinta de garota californiana, sempre teve uma ótima relação com o pai, a quem apoio na convenção republicana, onde destacou a sua afinidade genética com o magnata. “Como meu pai, nunca me intimidei frente aos desafios”, afirmou, acrescentando que Trump sempre a havia levado a “tirar a melhor versão” de si mesma.

Porém, aparentemente o pai dela concluiu que essa “melhor versão” não merece espaço nem na Casa Branca nem na diretoria das suas muitas empresas. Até agora, Tiffany permaneceu à margem dessa imagem da marca Trump estampada em seus irmãos Donald e Erik, e não demonstra ter as vantagens políticas da sua irmã Ivanka, casada com o chamado poder à sombra do magnata, Jared Kushner. Tampouco viverá com ele na residência presidencial, como fará o pequeno Barron. Embora também tenha um namorado influente, Ross Mechanic, de uma família de advogados democratas, foi excluída dos vídeos promocionais da família e do documentário da Fox News titulado Meet the Trumps (conheça os Trumps).

Será a ovelha negra do clã? “Sempre tive os pés no chão. As pessoas não acreditam, por eu ser quem sou, mas sempre fui educada com muitos princípios por parte dos meus pais. Quero que me deem a oportunidade de crescer e ser simplesmente Tiffany, não Tiffany Trump”, disse ela, com apenas 17 anos, à apresentadora Oprah Winfrey.

Aos 23, não parece mesmo ter precisado muito desse empurrão familiar, pois forma parte de uma nova família que também enche as páginas do The New York Times: o chamado snap pack, que ocupa espaço do rat pack de Frank Sinatra e Dean Martin e do brat pack de Rob Lowe e Emilio Estévez. O líder da turma é o estilista Andrew Warren, que atrai com eventos extravagantes (como uma festa do pijama na loja Dolce & Gabbana da Quinta Avenida, em março) grandes sobrenomes de procedências diversas: Barron Hilton, Kyra Kennedy, Gaia Matisse e, claro, Tiffany Trump. Tudo fica registrado nos seus celulares, e, se havia alguma dúvida, eles nunca falam de política.

Primeiros-filhos

Quando John Fitzgerald Kennedy foi assassinado, em 1963, seu filho caçula, John-John, com apenas 3 anos, se despediu do caixão com uma enternecedora continência militar. A imagem ficou na lembrança, mas, além disso, expôs o inusitado mundo emocional no qual vive um(a) filho(a) de presidente norte-americano. Todo mundo sabe como foi o resto da vida de John-John, tragicamente truncada aos 38 anos, num acidente aéreo.

Na longa tradição dos primeiros-filhos, Tiffany Trump pode ser a cereja de um bolo no qual houve exemplos rebeldes como as gêmeas Janna e Barbara Bush, filhas e netas de presidentes, ou filhas mais-que-perfeitas como Chelsea Clinton, dedicada a atividades beneficentes. Também pertencem a essa espécie Alice Roosevelt, filha de Theodore Roosevelt, primeira filha presidencial a se tornar ícone de estilo – e a quase ter causado um incidente internacional, quando se jogou de roupa na piscina de um navio, durante uma missão diplomática ao Japão. No outro extremo da responsabilidade esteve Margaret Wilson, filha mais velha de Woodrow Wilson, que substituiu a mãe como primeira-dama quando esta morreu, em 1913.

Com esses antecedentes, o casal Barack e Michelle Obama entrou na Casa Branca prometendo que suas duas filhas viveriam uma adolescência normal na medida do possível. Aparentemente, Sasha e Malia conseguiram.