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Do San Siro ao Vicente Calderón

Assim mudaram ambas as equipes desde que se enfrentaram pela última vez na final da Champions

Griezmann perdeu o pênalti na final da Champions.
Griezmann perdeu o pênalti na final da Champions.

Passaram-se 175 dias desde que o Atlético e o Real Madrid se enfrentaram em 28 de maio no estádio de San Siro na final da Liga dos Campeões. Desde então ambas as equipes se transformaram de modo diverso, o que pressagia um encontro dificilmente comparável ao disputado em Milão. Enquanto as pequenas diferenças na equipe de Zinedine Zidane se concentrem na disposição sobre o campo dos mesmos jogadores aos quais recorreu então o francês, as sucessões de lesões obrigaram o técnico do Real a modificar regularmente a composição dos onze. No caso de Diego Simeone, a formação de seu atual quadro levou o técnico argentino a dispor de uma configuração tática diferente da utilizada durante a temporada 2015-2016.

Real Madrid

Nas 16 partidas que os brancos disputaram até o momento, tão somente em três ocasiões não sofreram um gol. A última delas ocorreu na última rodada do Campeonato Espanhol, contra o Leganés (3x0), dois meses depois de isso acontecer diante do Espanyol em Cornellá (2x0) e três depois do primeiro encontro com a Real Sociedad, em Anoeta (3x0). Até a disputa com o Leganés, o balanço de gols levados era de 14 em 10 partidas, uma média de 1,4 por encontro. Além disso, não conseguia deixar suas redes a zero no Santiago Bernabéu desde 4 de maio nas semifinais da Champions contra o Manchester City.

Keylor Navas, durante um treinamento em Dortmund.
Keylor Navas, durante um treinamento em Dortmund. EFE

As duvidosas intervenções de Keylor Navas ante o Borrussia Dortmund (falhou no segundo gol dos alemães) e o Eibar (não esteve bem no gol de Fran Rico) tampouco contribuíram para que a equipe transmita segurança defensiva.

Os blancos estavam há mais de dois meses sem serem vazados

Cristiano Ronaldo encerrou a temporada passada anotando o tento definitivo na rodada de pênaltis que concedeu a vitória a sua equipe pela 11ª vez. Durante a principal competição europeia marcou 16 gols e levou o troféu Pichichi pela quinta vez. Na Liga conseguiu 35 finalizações e ficou só a cinco da marca de Luis Suárez. Nesta temporada os números não acompanham o português, que acumula somente sete gols em 12 partidas, e soma cinco jogos consecutivos sem marcar no Bernabéu (Villarreal, Eibar, Legia de Varsóvia, Athletic e Leganés). No entanto, o português acumula 15 gols nas 25 partidas em que enfrentou o Atlético.

Mas se há uma notícia positiva para o Madrid nesta temporada é a consolidação de Gareth Bale na equipe. O galês é, com Cristiano Ronaldo, o maior goleador da equipe e foi determinante nos momentos de ausência do português. Ao lado de Morata (seis gols) tem atuado como o melhor para dar uma virada no jogo e, depois de assinar sua renovação até 2022, o clube viu recompensado seu milionário desembolso com um rendimento progressivo.

Atlético

Carrasco marca contra o Bayern.
Carrasco marca contra o Bayern. Getty Images

Que o Atlético desde a chegada de Simeone adquiriu uma série de comportamentos absolutamente reconhecíveis é tão certo como que seu desempenho atual em campo dista do apresentado na temporada passada. Além da consolidação entre os titulares de jogadores então recém-chegados, como Yannick Carrasco, ou a participação mais habitual de Correa, a composição do quadro vermelho e branco para esta temporada reflete uma nova ideia de jogo. A incorporação de jogadores puramente ofensivos, como Gameiro e Nico Gaitán, e o reposicionamento de Koke no centro do campo transformaram o Atlético em uma equipe muito mais interessada no controle da bola e com maior presença ofensiva que na temporada passada.

Os alvirrubros são hoje uma equipe que prima pela posse da bola

Com este novo sistema o Atlético tem mais posse da bola que em sua versão anterior, 53% em média contra 48% no esquema anterior, arremata mais (16 chutes por 12) e melhor (5,7 contra o gol, contra 4,8). “Rio quando escuto que somos ofensivos e jogamos melhor”, afirmou Simeone em coletiva de imprensa nesta temporada. A entrada de Kevin Gameiro no ataque e seu entrosamento com Antoine Griezmann aumentaram a velocidade de jogo do Atlético e o tornaram uma equipe ainda mais perigosa no contra-ataque. Para isso contribui também a presença de Carrasco no lado esquerdo e sua capacidade para passar a bola de um campo a outro.

A única área onde não houve mudança nem nominal nem posicional, é na defesa. Juanfran, Godín, Savic e Filipe Luis formaram a zaga na final de Milão e voltarão a fazê-lo no clássico. Oblak continua sendo um dos goleiros menos vazados do campeonato (oito gols sofridos) e é uma segurança para Simeone.

Com todos esses condicionantes, prenuncia-se, a priori, um clássico madrilenho diferente do que teve lugar em Milão com um troféu em jogo. Só falta comprovar que mudanças conduzem ao sucesso.

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