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Lindbergh: “Não vamos admitir criminalizar manifestações neste país”

Senador pelo PT anuncia representação contra a Polícia de São Paulo na CIDH, ligada à OEA

Senador Lindberg Farias na sessão do impeachment.
Senador Lindberg Farias na sessão do impeachment. AFP

O senador petista Lindbergh Farias tem procurado marcar posição em São Paulo, que tem funcionando como uma “caixa de ressonância” dos protestos contra o Governo Temer. No último dia 4 ele esteve na avenida Paulista e conversou com o EL PAÍS.

Pergunta. Por que as ruas estão retomando a ideia das "Diretas Já"?

Resposta. A bandeira das "Diretas Já" vem com toda força porque Temer não tem legitimidade para governar este pais. Quer projeto que retira direito de trabalhadores, reforma trabalhista, congelar custo de educação e saúde, reforma previdenciária. São Paulo está virando centro de resistência (e a ideia é) fazer isso irradiar por todo o país. Estou aqui para nos posicionarmos também contra a postura do Governo de São Paulo contra as manifestações. Não vamos admitir criminalizar manifestações neste país. Nós preparamos uma representação à Corte de Direitos Humanos(CIDH) da OEA contra o Governo de São Paulo pelo que eles estão fazendo. Eles querem que as pessoas fiquem assustadas. Nós não vamos ficar, vamos para rua para colocar Temer para fora do Palácio do Planalto.

P. A ex-presidenta tinha sugerido um plebiscito por novas eleições quando tentava reverter o impeachment no Senado e o PT não apoiou. Por que agora está apoiando essa bandeira?

R. Porque o Governo Temer continua sem legitimidade, só 8% o apoiam [pesquisa recente mostra variação de 8% a 19%, dependendo da capital do país] . E não vamos aceitar que ele aplique esse governo contra os trabalhadores de uma vez só. Por isso levantamos a bandeira das Diretas Já. Temer não vai resolver o problema da crise brasileira. Não haverá paz com Temer. Ele falou em pacificação enquanto estava na China. Não existe possibilidade de pacificação por seu Governo ter sido fruto de um golpe, e também pelo projeto. Um plano violento contra os trabalhadores. Só há um jeito do país se reencontrar que é consultando o povo. Por isso essa bandeira.

P. Houve um mal estar também com a votação que incluiu fatiamento e tirou a ex-presidenta mas manteve seus direitos. Fala-se em acordão. O que acha?

R. Não houve acordão nenhum. O que houve ali foi a desmoralização de fato do processo de impeachment. Só ficou claro naquilo ali que queriam afastá-la. Depois de afastada, na questão do crime de responsabilidade, agiram com peso na consciência. Um bocado de gente que esteve neste Governo, seis ex-ministros dela, senadores que sabem que ela é honesta. Então depois que a afastaram aí não cassaram direitos políticos.

P. Mas se sabiam que ela é honesta por que votaram pela destituição dela?

R. Porque eles querem tomar o poder pela forma indireta. Eles estão lá, fizeram acordo, assumiram ministério, fizeram tudo.

P. Temer, entretanto, argumenta que não houve resistência popular a essa mudança de poder. Se 70% apoiavam impeachment.

R. Não, muito pelo contrário. Só 8% o apoiam. O que a ampla maioria queria era eleição direta. Ninguém pode rasgar o voto do eleitor no presidencialismo. Nisso você precise ter crime de responsabilidade.

P. Mas o PT reconheceu que ela não tinha base no Congresso para continuar.

R. Nós não reconhecemos nada disso e quem falou isso no PT está falando bobagem. Ela tinha condições de continuar até 2018. O país vai entrar numa grave crise política e econômica com Temer. A única forma que temos a fazer é encher as ruas e dizer que só sairemos com eleições diretas.

 

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