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E López continua na prisão

A ratificação da sentença do líder opositor é um passo atrás do chavismo

Leopoldo López (centro).
Leopoldo López (centro).EDWIN MONTILVA (AFP)

A ratificação da sentença de 14 anos de prisão do líder opositor venezuelano Leopoldo López é um novo passo, dado pelo regime de Nicolás Maduro, na direção oposta à democratização e reconciliação do país exigidos tanto pela oposição venezuelana quanto por numerosas personalidades e Governos do exterior. López está há quase 30 meses trancado em uma prisão militar depois de um processo cheio de irregularidades onde prevaleceram as considerações políticas acima de qualquer fato verificável. Como disse muito bem o advogado do político opositor assim que soube da confirmação da sentença, as irregularidades se repetiram na apelação.

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A prisão injusta de López se tornou a pedra de toque do regime chavista, cuja única estratégia é um endurecimento progressivo que levou inclusive a não respeitar a vontade popular que em dezembro passado deu uma vitória esmagadora à oposição na Assembleia Nacional com o mandato de levar o país de volta ao caminho da normalidade democrática. A Assembleia aprovou, em uma de suas primeiras medidas, uma anistia que deveria levar à libertação de López e outros presos políticos, mas o Governo de Maduro colocou a questão nas mãos do Supremo Tribunal, nomeado pelo chavismo, que rejeitou a decisão parlamentar. Da mesma forma, Maduro está atrasando injustificadamente a realização de um referendo revogatório proposto pela oposição, que cumpriu escrupulosamente todas as exigências impostas pelo chavismo.

As imagens de dezenas de milhares de venezuelanos cruzando a fronteira com a Colômbia para comprar bens essenciais mostram a penúria material em que Maduro está afundando seu país. A prisão de López mostra a penúria política.

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