A Amazon levanta voo: empresa apresenta frota aérea própria

Portal de comércio eletrônico se associou a duas companhias, Atlas e Air Transport Services, para usar com exclusividade até 40 aviões nos próximos dois anos

Caixas da Amazon em frente ao primeiro avião da sua nova frota.
Caixas da Amazon em frente ao primeiro avião da sua nova frota.Ted S. Warren (AP)

Branco, com um grande risco azul e a cauda na cor grafite, decorada com um sorriso. Essa é a combinação de cores que a Amazon, gigante do comércio eletrônico, escolheu para vestir sua frota própria de aviões cargueiros. O primeiro aparelho a ter o logotipo estampado é um Boeing 767 operado pela empresa Atlas Aircon, com a qual a empresa fundada por Jeff Bezos se associou para montar a sua rede própria e exclusiva para a distribuição de produtos via aérea dentro dos EUA. O avião foi apresentado à imprensa na feira aeronáutica de Seattle, onde fica sua sede.

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Bezos é obcecado por logística. É sua paixão. A empresa começou a fretar aviões de carga há um ano, para reduzir sua dependência em relação a empresas de transportes como UPS, DHL e FedEx. Não eram aviões a seu serviço, e sim alugados em épocas de pico. A popularidade do serviço Prime obriga a Amazon a ser muito rápida nos prazos de entrega se não quiser que seus clientes migrem para novos rivais, como a Jet, que já despertou o interesse do Walmart. Ter uma frota aérea própria permite um maior controle sobre a distribuição, ainda mais quando se trata de uma enorme quantidade de entregas.

O avião Prime Air que acaba de ser apresentado em sociedade, batizado de Amazon One, é o primeiro a levar o logotipo da Amazon, mas a empresa já tem outros dez aviões à sua disposição, levando pacotes para a empresa. Para isso, tem um acordo com duas companhias parceiras (Atlas e Air Transport Services), com as quais poderá operar até 40 aviões nos próximos dois anos.

Aviões de aluguel

Por que Bezos procurou outras empresas para a sua rede de distribuição? A Amazon, na verdade, não pode ter seus próprios aviões, porque para isso precisaria ter uma licença das autoridades que regulam o tráfego aéreo. A fórmula mais rápida para contornar isso seria um leasing, ou seja, o arrendamento de um avião. O site já usou, no Natal do ano passado, aviões Boeing 737 que faziam trajetos entre seus centros logísticos da Polônia, Reino Unido e Alemanha, para resolver os primeiros gargalos que iam surgindo.

Com seus próprios aviões, portanto, terá assegurada agora uma capacidade suficiente para enfrentar os momentos de maior demanda, além de mais flexibilidade à medida que cresce o número de clientes Prime. A Amazon registrou no trimestre passado um faturamento de 30,4 bilhões de dólares (quase 97 bilhões de reais), um aumento de 31% com relação ao ano anterior. Desse total, 18 bilhões de dólares correspondem a vendas do portal nos EUA.

A fila do avião da Amazon, com o logotipo da empresa.
A fila do avião da Amazon, com o logotipo da empresa.Ted S. Warren (AP)

O serviço Prime tem 63 milhões de membros, que gastam em média 1.200 dólares por ano cada um, além de uma assinatura de 99 dólares. São disparadamente os melhores clientes. O programa promete a entrega gratuita dos pacotes em no máximo dois dias. A Amazon opera atualmente 145 centros de distribuição em todo o mundo, o que a está levando a criar serviços de entrega locais.

Prime Air é o nome que identifica também os protótipos dos aviões não tripulados que a Amazon está desenvolvendo para fazer entregas em domicílio nos arredores de grandes cidades. A nota de apresentação do Amazon One explica que o número de identificação do avião que aparece na cauda corresponde ao do primeiro cliente do serviço Prime, que coincide com o ano em que abriu seu capital.

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