Chuva de estrelas

Perseidas 2016: como ver a chuva de meteoros mais espetacular do inverno

As chamadas de “lágrimas de São Lourenço” são na verdade pequenas partículas de poeira

Perseidas 2016: chuva de meteoros sobre o Teide

No calendário de chuvas de meteoros, as Perseidas ocupam um lugar destacado. São tão conhecidas que nos anais chineses de 36 d.C. já encontramos referências. Têm um extenso currículo meteórico. O nome de lágrimas de São Lourenço (comemorado em 10 de agosto) começou a ser usado, em homenagem ao padre martirizado, muito mais tarde, na Europa medieval.

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As chamadas “estrelas cadentes” são pequenas partículas de poeira de diferentes tamanhos, algumas menores que grãos de areia, que vão deixando os cometas e asteroides ao longo de suas órbitas ao redor do Sol. A nuvem de partículas resultante (chamadas de meteoroides), por causa do desgelo produzido pelo calor solar, é dispersada pela órbita do cometa e é atravessada todos os anos por nosso planeta em sua órbita ao redor do sol. Durante esse encontro, as partículas de poeira se desintegram ao entrar em alta velocidade na atmosfera terrestre, criando os conhecidos traços luminosos que recebem o nome científico de meteoros. Para efeito de perspectiva, todas as trajetórias das diferentes estrelas fugazes convergem em um ponto do céu chamado radiante. A constelação na qual se localiza o radiante dá nome à chuva. Assim, o radiante das Perseidas está localizado em Perseu, enquanto que o das Gemínidas está em Gêmeos.

Uma estrela cadente não é nada mais que uma pequena partícula de cometas que ao entrar em alta velocidade na atmosfera da Terra emite luz por causa do aquecimento por fricção

De acordo com os modelos padrão, a atividade das Perseidas é de cerca de 100 meteoros/hora (ZHR ou taxa horária zenital). Como todos os anos, as Perseidas têm seu pico de atividade em meados de agosto. Em 2016, a atividade das Perseidas ocorrerá entre 17 de julho e 24 de agosto. O máximo é esperado entre as 13h00-15h30 UTC (10h00-12h30 horário de Brasília), de 12 de agosto. Na Europa, por isso, a noite de 12 para 13 de agosto será o melhor momento para a observação. Na noite anterior, no dia 11, especialmente na madrugada do dia 12, também será possível observar grande quantidade de meteoros. Uma lua crescente, que vai desaparecer na segunda metade da noite, não será um problema para observar uma boa quantidade das Perseidas; em média, um observador poderá ver uma a cada dois minutos, algumas delas muito brilhantes (devido à alta velocidade de entrada na atmosfera), se estivermos localizados em um lugar escuro, sem poluição luminosa e com horizontes limpos.

A noite de 12 a 13 de agosto será o melhor momento para sua observação

As Perseidas têm como progenitor o cometa Swift-Tuttle, descoberto em 1862. Nos anos próximos ao periélio do Swift-Tuttle (máxima aproximação ao Sol, o último foi em 1992 e o próximo será em 2126), a atividade pode crescer até os 400-500 meteoros/hora, devido à alta densidade de meteoroides que rodeiam e acompanham o cometa. No entanto, as Perseidas são conhecidas por suas “explosões de atividade” provocadas pela influência gravitacional dos gigantes do Sistema Solar, Júpiter e Saturno, sobre as nuvens de pó meteoroides criadas pelo cometa no passado. Em 1839, o observador alemão E. Heis contabilizava pela primeira vez a taxa máxima das Perseidas: 160 meteoros/hora. A última explosão de atividade ocorreu em 2009, contabilizando 250 meteoros/hora. Segundo o modelo do astrônomo russo Mikhail Maslov, neste mês de agosto poderíamos presenciar um aumento da atividade das Perseidas. “A perturbação causada por Júpiter vai levar a um aumento na atividade das Perseidas este ano. O aumento anterior foi em 2004, também causada pelo Gigante”, diz Maslov a SkyLive.tv.

Em média, um observador pode ver uma a cada dois minutos, algumas delas muito brilhantes se estivermos localizados em um lugar escuro, sem poluição luminosa

Júpiter atingiu a máxima proximidade à órbita do cometa Swift-Tuttle a uma distância de 257 milhões de quilômetros em novembro de 2014. Vinte e dois meses terão que passar para que a corrente de meteoroides seja empurrada para a Terra. Vai aumentar a atividade em 2016?

Como ver a chuva de meteoros ao vivo

De um dos céus mais limpos do planeta Terra, vamos observar as Perseidas 2016. O projeto europeu STARS4ALL, em colaboração com o portal skylive.tv, vai oferecer as Perseidas ao vivo. Dos Observatórios das Canárias (IAC), o astrônomo Miquel Serra Ricart apresentará as duas conexões programadas.

Conexão 1:

12 de agosto 19h30-19h45 UTC

(16h30-16h45 horário de Brasília).

Conexão 2:

12 de agosto 23h15-23h30 UTC

(20h15-20h30 horário de Brasília).

skylive.tv e STARS4ALL também mostrarão durante umas quatro horas a imagem do céu do Teide e Roque de los Muchachos para que os espectadores possam desfrutar da chuva, fazer seus próprios cálculos ou editar seu vídeo.

Três centros espanhóis de supercomputação, o Centro Extremeño de Tecnologías Avanzadas (CETACIEMAT), o Consorci de Serveis Universitaris de Catalunya (CSUC) e o Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) vão colaborar na distribuição da retransmissão do portal web skylive.tv.

STARS4ALL é um projeto financiado pelo Programa H2020 da União Europeia, sob contrato nº 688135. Em STARS4ALL trabalham 8 instituições (UPM, CEFRIEL, SOTON, ECN, ESCP Europe, IAC, IGB e UCM) de 6 países europeus. O objetivo do STARS4ALL é aumentar a consciência sobre a existência de poluição luminosa em muitos dos lugares em que vivemos e a importância de tomar medidas para reduzi-la.

Miquel Serra-Ricart é astrônomo do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), doutor em Ciências Físicas e Administrador do Observatório de El Teide. Faz parte do Grupo de Pesquisa do Sistema Solar do IAC liderado pelo Dr. Javier Licandro.

Isabel Paz Menéndez é jornalista. Atualmente, é responsável pela comunicação do canal do céu skylive.tv

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