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Como o defensivo Bauza comandará um dos melhores ataques do mundo?

Patón, campeão com San Lorenzo e Liga de Quito, troca o São Paulo pela seleção Argentina

Edgardo Bauza, à frente do São Paulo no estádio Monumental.
Edgardo Bauza, à frente do São Paulo no estádio Monumental. (Télam)

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Nem Bielsa, nem Simeone, nem Sampaoli. Tampouco Bianchi, nem Ramón Díaz, nem Russo. Muito menos Caruso Lombardi. Finalmente a Associação do Futebol Argentino (AFA) anunciou que Edgardo Bauza será o treinador da seleção argentina. O até agora técnico do São Paulo foi a alternativa que mais convenceu o presidente interino Armando Perez, contra a opção do próprio governo nacional: Miguel Angel Russo, que ganhou a Copa Libertadores com o Boca Juniors em 2007, quando o clube era presidido por Mauricio Macri. Bauza, ganhador do mesmo torneio, mas com o San Lorenzo em 2014 e a Liga de Quito em 2008, deve chegar ao país nas próximas horas e assumiria a seleção depois dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O mistério foi revelado no início da noite de segunda-feira, mas, como não podia deixar de ser na AFA, o anúncio oficial veio tarde. “Patón deixa o comando do São Paulo. Técnico aceita o convite e passa a dirigir a equipe nacional da Argentina”, anunciou o portal do time brasileiro. Em Buenos Aires, 40 jornalistas se amontoaram durante horas na porta do edifício da rua Viamonte à espera de um anúncio oficial que demorou. De manhã, o presidente da comissão normalizadora da AFA, Armando Pérez, havia adiantado que o candidato já estava escolhido. O nome foi conhecido em poucos minutos, mas a confirmação da AFA só saiu por volta das 21h. Armando Pérez não deu muitos detalhes, mas já se sabe que ainda não firmaram um contrato com o escolhido. Isso significa que o novo treinador não estaria blindado no caso de uma mudança de diretoria na AFA.

Edgardo Patón Bauza é o mais indicado para ficar à frente do clamor para o retorno de Lionel Messi à Seleção? Sem dúvida será a primeira tarefa de peso que deverá assumir o novo treinador, um cultor do jogo ultradefensivo, que agora se verá no dilema pessoal de gerenciar um dos ataques mais goleadores do mundo. Só Messi, Di María e Higuaín contabilizam 94 gols na temporada que acaba de terminar. Mas, claro, será preciso ver o que decide o astro, que tinha uma excelente relação com o treinador que está deixando o cargo, Gerardo Martino.

Bauza e a alviceleste também deverão enfrentar as eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. Em 15 dias deverão apresentar a lista de convocados para a primeira partida à frente da Seleção, contra o Uruguai pelas Eliminatórias em 1º de setembro. Depois virão a Venezuela (6/9), Peru (6/10), Paraguai (11/10), Brasil (10/11) e Colômbia (15/11).

O Patón Edgardo Bauza nasceu em Granadero Baigorria, Santa Fe, em 26 de janeiro de 1958. Zagueiro aguerrido, brilhou no Rosário Central a ponto de se tornar o segundo goleador histórico desse clube. Fez parte do plantel da seleção argentina para a Copa da Itália em 1990 e encerrou sua carreira dois anos depois. Como treinador, ganhou o Torneio Clausura 2004 do Peru (Sporting Cristal), a Série A do Equador em 2007 e 2010 (Liga de Quito), a Copa Libertadores 2008 (Liga de Quito), a Recopa Sul-americana 2010 (Liga de Quito) e a Copa Libertadores 2014 com o San Lorenzo.

O livro El Método Bauza recorda uma anedota entre Patón e o papa Francisco, conhecido torcedor do San Lorenzo de Almagro, quando ganharam sua primeira Copa Libertadores: “Não o conhecia, mas quando o vi me abraçou e me disse ‘Olá Bauza, não sabe como me deixou contente’. Disse-lhe que graças a ele as pessoas tinham voltado para a igreja. Vou guardar esse abraço para sempre”. Os mais fanáticos, aqueles que pedem pressão no ataque e jogo bonito, já relacionam aquele abraço com esta nomeação e, sarcásticos, dizem que se trata do primeiro milagre do papa Francisco.

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