Eleições Estados Unidos

Hillary Clinton alerta sobre possível interferência russa a favor de Trump

Candidata democrata vê mão de Vladimir Putin por trás do ataque cibernético contra seu partido

A candidata democrata, Hillary Clinton, neste sábado em Youngstown (Ohio, EUA).AARON P. BERNSTEIN (REUTERS) / VÍDEO: REUTERS-QUALITY

Em sua primeira entrevista depois de ser oficialmente lançada como candidata pelos democratas, Hillary Clinton alertou neste fim de semana sobre o perigo de que a Rússia interfira no processo democrático dos Estados Unidos e ponha em risco a segurança nacional. Na entrevista à rede conservadora Fox News, Clinton defende que o Governo russo de Vladimir Putin está por trás do roubo e divulgação de milhares de e-mails do Partido Democrata. Também insinua um conluio entre Putin e seu rival republicano nas eleições presidenciais de novembro, Donald Trump, que diversas vezes demonstrou afinidade com o líder russo.

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Após acusar os serviços de espionagem russos de roubo cibernético, Clinton lembra que Trump fez elogios a Putin e diz que, em caso de ataque russo contra algum aliado da aliança militar OTAN, os EUA não seriam obrigados a defender o aliado. O candidato republicano, além disso, encorajou a Rússia a piratear 30.000 e-mails da candidata democrata.

“Não vou tirar conclusões precipitadas, mas creio que a exposição dos fatos traz à tona problemas sobre a interferência russa em nossas eleições, em nossa democracia”, afirma Clinton.

E acrescenta: “Não vamos tolerar isso vindo de nenhum outro país, especialmente de um com o qual temos posições contrárias. E que Trump anime e elogie Putin apesar do que parece ser uma tentativa deliberada de afetar as eleições, acho que traz à baila problemas de segurança nacional”.

Alguns democratas e constitucionalistas falaram em possível traição, em referência às declarações de Trump encorajando uma potência rival a roubar informação privada de uma candidata nos EUA. Trump alegou que não falou a sério, que seus comentários eram “sarcásticos”.

A mensagem central de Clinton nesta campanha é que falta a Trump o caráter para ser presidente e que suas ideias e comportamento o posicionam fora do tabuleiro da democracia norte-americana.

Nas últimas décadas, o Partido Republicano adotou as mais duras posições em relação à Rússia. Com Trump os papéis se invertem. Neste domingo, na rede ABC, Trump pareceu confuso sobre a presença russa na Ucrânia e disse que poderá reconhecer a anexação da península da Crimeia pela Rússia. “Pelo que ouço, o povo da Crimeia prefere estar com a Rússia a estar onde estava”, disse.

Os republicanos parecem hoje o partido pró-Rússia dos EUA. E o Partido Democrata é o partido da bandeira e do orgulho nacional diante das interferências de Moscou.

Clinton evitou propor sua campanha como um confronto entre as visões de mundo dos democratas e dos republicanos. Poderia ter atacado os republicanos por se jogarem nos braços de Trump. Em vez disso, apresenta a campanha como uma disputa entre uma visão patriótica e americanista, na qual cabem democratas e republicanos, e outra, com tendências autoritárias e cumplicidade com potências rivais, que seria a de Trump.

É revelador que a primeira entrevista depois da convenção seja na Fox News, aríete midiático da direita contra o presidente democrata Barack Obama e contra a própria Clinton. Demonstra que a candidata renuncia a estigmatizar os republicanos por fazer de Trump seu líder. Tenta demonstrar que Trump é um ente estranho, inclusive para a direita, e atrair eleitores do Partido Republicano.

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